Paralisação dos caminhoneiros pode afetar abastecimento em Brusque

Se o movimento prosseguir, município corre o risco de ficar sem leite, frutas e verduras

Paralisação dos caminhoneiros pode afetar abastecimento em Brusque

Se o movimento prosseguir, município corre o risco de ficar sem leite, frutas e verduras

As manifestações dos caminhoneiros pelas estradas do Brasil foram intensificadas ontem. Segundo o balanço divulgado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), motoristas enfrentam dificuldades para atravessar 69 pontos de 24 rodovias federais em seis estados. Os atos são motivados, principalmente, pelo alto preço dos combustíveis e valores dos fretes.

Santa Catarina é um dos estados mais prejudicados com o movimento. Até agora, são 22 trechos bloqueados nas rodovias federais catarinenses. Os caminhoneiros protestam há cinco dias contra o aumento no preço dos combustíveis e os baixos valores dos fretes.

A região mais afetada com a paralisação é o Oeste. Lá, praticamente todas as estradas têm algum tipo de bloqueio. E na manhã de ontem, a paralisação chegou à rodovia mais importante do estado, a BR-101, que tem um ponto fechado na altura do km 437 em Sombrio, no Sul do estado.

Por enquanto, os reflexos do protesto ainda não têm sido sentidos na região de Brusque, no entanto, vários setores já estão preocupados com os rumos da paralisação nos próximos dias.

O gerente comercial do supermercado Archer, Udo Wandrey, afirma que se o movimento continuar, nos próximos dias pode começar a faltar alguns produtos em Brusque. “Se a greve continuar nos próximos dias, semana que vem já estaremos com alguns produtos em falta, principalmente aqueles produtos de alto giro, como leite e perecíveis”, diz.

De acordo com ele, o supermercado ainda tem um pequeno estoque de alimentos, mas se a situação não melhorar, tudo poderá se agravar. “Se a paralisação continuar por mais uma semana, começaremos a ter problemas. Por enquanto está tranquilo, porque temos estoque, mas se isso não for resolvido rápido, ficaremos preocupados”, afirma.

A principal preocupação do supermercado será com o leite. “O leite recebemos a cada dois dias, e é um dos produtos que mais sai, e também o mais prejudicado com essa paralisação. Recebemos o leite principalmente da região Oeste e também do Rio Grande do Sul, que também está com algumas rodovias bloqueadas. Estamos esperando para ver o que vai acontecer, no momento, está sob controle”, destaca.

O presidente da Centrais de Abastecimento do Estado de Santa Catarina (Ceasa), Geraldo Pauli, afirma que até o momento não há desabastecimento, mas se a paralisação chegar à BR-101, a situação pode se agravar. “Até o momento está tudo certo porque as cargas estão vindo pela BR-101, mas temo que se nos próximos dias a paralisação se alastrar, com certeza irá provocar falta de alguns produtos”, diz.

Segundo ele, 55% do que é distribuído pelo Ceasa vem de outros estados. “Recebemos muitos produtos do Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Paraná, então se a situação piorar nesses estados, com certeza seremos afetados”.

Pauli destaca que a região pode ficar, entre outros, sem batata, laranja, manga, mamão e abacaxi. “Essas frutas vêm de outros estados, então a situação ficará muito complicada”. Ele alerta ainda para o aumento no preço dos alimentos. “Com certeza teremos um reajuste. Teremos uma procura maior do que é produzido em nosso estado, então isso se refletirá nos preços”, destaca.
“Sem caminhão o Brasil para”

As transportadoras também estão preocupadas com a paralisação dos caminhoneiros. O diretor da Transportes Brusville, Emílio César de Souza, afirma que teve dois caminhões parados em protestos. “Ficamos com um caminhão parado no rodoanel de Curitiba, mas lá o tráfego foi liberado, e agora em São Paulo, onde estão fechando algumas avenidas”, diz.

Para ele, os protestos estão acontecendo porque o setor está inchado pelos custos repassados pelo governo. “Não tem negociações com o transportador. O preço do combustível, do pedágio, e os demais insumos recebem reajustes ao longo do ano. Com a economia freada, estes custos são muito difíceis de passar ao embarcador. O governo está deixando o setor em algumas áreas inviáveis. Nossa economia gira em cima de pneus, não consigo ver o país sem caminhão. Sem caminhão o Brasil para. Os prejuízos ainda não foram contabilizados pela transportadora”, afirma.

O responsável financeiro pela TSL Transportes, Luis Alberto Smaniotto, destaca que a transportadora ainda não começou a sentir as consequências da paralisação. “Por enquanto, não tivemos reflexo negativo, mas com certeza, nos próximos dias, as coisas vão piorar. Teremos um atraso nas nossas entregas”, diz.

O presidente do Sindicato dos Condutores de Veículos e Trabalhadores em Transportes de Cargas e Passageiros de Brusque (Sintrab), Rogério Reis, apoia o protesto. “Só assim para conseguir o que queremos. É inadmissível o preço do diesel hoje. Quando este governo descobriu o pré-sal, disse que os combustíveis seriam mais baratos, mas não é isso que acontece. Hoje tiramos matéria-prima debaixo dos nossos pés e pagamos a gasolina mais cara do mundo”.
De acordo com ele, muitos caminhoneiros da região de Brusque estão parados nas estradas bloqueadas. “Todos deviam parar. Estamos de acordo com essa reivindicação”.

Reis destaca que, por enquanto, não previsão que a paralisação chegue próximo a Brusque. “Ainda não tivemos conhecimento de nenhum movimento aqui na região, mas não podemos descartar que isso aconteça”, afirma.

Confira os pontos interditados em SC

1 – São Miguel do Oeste (trevo) – km 645 da BR 282
2 – Guaraciaba Km 87 da BR 163 (trevo de Anchieta)
3 – São José do Cedro – km 101 da BR 163
4 – Maravilha – (trevo) km 605 da BR 282
5 – Nova Erechim – Posto Maxsull – km 571 da BR 282
6 – Xanxerê _ km 504 da BR 282
7 – Cunha Porã _- km 109 da BR 158
8 – Irani _ km 64 da BR 153
9 – Palmitos _ km 139 da BR 158
10 – Campos Novos _ km 317 da BR 282.
11 – Pouso Redondo _ km 174 da BR 470
12 – Campos Novos _ km 339 da BR 470.
13 – Concórdia _ km 97 da BR 153
14 _ Papanduva – km 54 da BR 116
15 – Guaraciaba – km 83 da BR 163
16 – São José do Cedro – km 105 da BR 163
17 – Trevão Irani – Km 433 da BR 282
18 – Lages – Km 244 BR 116
19 – Sombrio – Km 437 BR 101
20 – Guarujá do Sul – Km 111 da BR 163
21 – Rio Negrinho – Km 123 da BR 280
22 – Dionísio Cerqueira – Km 123 da BR 163

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