Pássaros morrem ao bater em cerca de vidro

Para evitar que aves sejam mortas, arquiteto recomenda vidros espelhados ou adesivos

Pássaros morrem ao bater em cerca de vidro

Para evitar que aves sejam mortas, arquiteto recomenda vidros espelhados ou adesivos

Um leitor enviou para o Município Dia a Dia, por meio do aplicativo Post-Up, fotos de pássaros mortos na rua Bulcão Viana, bairro Souza Cruz. Segundo ele, diariamente, quando passa pelo local, ele se depara com aves mortas, as quais batem em uma cerca de vidro de um estabelecimento comercial. Embora não esteja previsto na Lei de Crimes Ambientais, o problema é recorrente e já chama atenção do órgão fiscalizador e do setor da construção civil.

José Venceslao, o Zequinha, foi quem enviou as fotos nesta quinta-feira, 10, após, mais uma vez, encontrar as aves mortas. Ele afirma que é corriqueiro se deparar com os animais mortos. “Na parte de trás de um açougue ali perto, tem algumas árvores. Os pássaros passam pela cerca como um movimento de transição natural”, afirma o leitor.

Para ele, embora não seja um crime, as mortes das aves poderiam ser evitadas com uma medida simples. “No clube Bela Vista, em Gaspar, colocam adesivos de falcão ou gavião, que são predadores dos pássaros, aí eles se afastam e não batem no vidro”, exemplifica Zeca. Ele diz que comunicou a Fundação Municipal do Meio Ambiente (Fundema) sobre a cena que presenciou na manhã de ontem, porém, até o começo da tarde, nada havia sido feito, inclusive, os bichos continuavam estirados no chão.

A Fundema confirma ter recebido a ligação de Zeca sobre a morte dos pássaros, contudo, a fundação está de mãos atadas – uma vez que a legislação ambiental não trata de qualquer exigência sobre os vidros na hora de projetar um edifício. A bióloga Pâmela Felipin, da Fundema, analisou as fotos a pedido do MDD. Segundo ela, é possível identificar dois sábias-laranjeiras e um canário da terra, aves nativas da região.

“Na lei, este tipo de situação não está enquadrada como crime”, afirma a bióloga. Por este motivo, a única ação que a Fundema poderia tomar neste caso é a orientação do proprietário do estabelecimento onde fica a cerca de vidro. Como trabalha com a educação ambiental, Pâmela acredita que explicando os danos a mortandade das aves poderia ser resolvida neste momento.
Prática pouco usada

A bióloga afirma que a colocação de adesivos ou a utilização de outros tipos de vidros é algo difícil, porque envolve também a estética e o objetivo do proprietário do espaço. Pâmela diz que os ganhos ambientais com a luz natural em um ambiente com vidros transparentes são grandes, mas que o responsável pelo projeto poderia levar em conta o entorno do imóvel, por exemplo, se existe mata ou não.

O arquiteto Márcio Petermann Filho diz que é pouco comum que proprietários de edifícios levem em conta a existência de aves e que peça, por exemplo, a colocação de adesivos, como é sugerido por Zeca. “Além da película, o vidro espelhado também é uma alternativa”, afirma.
Alternativas existem, porém, é difícil conciliar com o uso do ambiente. Petermann Filho afirma que vidros espelhados – de modo geral – não combinam com uma casa, por exemplo. “É difícil a convivência entre a natureza e os prédios”, diz.

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