Rosemari Glatz

Professora da Unifebe

Pe. Raulino Reitz e sua homenagem ao Cônsul Carlos Renaux

Rosemari Glatz

Professora da Unifebe

Pe. Raulino Reitz e sua homenagem ao Cônsul Carlos Renaux

Rosemari Glatz

Recentemente, lendo uma antiga edição da Revista Blumenau em Cadernos (Tomo I, n. 9, 08-1958) me deparei com uma homenagem do Pe. Raulino Reitz a um importantíssimo nome da nossa história: o grande pesquisador ligou o nome do Cônsul Carlos Renaux à uma bela planta de nossa rica flora ao denominá-la “Philodendron Renauxii”.

Padre Raulino Reitz
Pe. Reitz nasceu em Antônio Carlos, SC. Era filho de Nicolau Adão Reitz e de Ana Wilvert Reitz e completaria 98 anos no próximo dia 19. Em 1951, idealizou o levantamento botânico do Estado de Santa Catarina e durante 14 anos executou coletas por todo Estado de Santa Catarina.

Em 1965 lançou os primeiros fascículos da Flora Ilustrada Catarinense, e durante os 25 anos seguintes trabalhou na publicação de 149 fascículos da obra, planejada e editada por ele. Mesmo atuando em outras atividades, tinha como objetivo a continuidade de sua obra no Herbário “Barbosa Rodrigues”. Foi diretor do Jardim Botânico do Rio de Janeiro durante o período de 1971 a 1975. E, em 1976, foi chamado para formar as bases da Fundação de Amparo e Pesquisa Tecnológica do Meio Ambiente (Fatma), onde permaneceu até 1983.

Durante esses anos, elaborou as exposições de motivos e os antiprojetos de diversos parques, reservas e estações ecológicas de Santa Catarina, como dos Parques Estaduais da Serra do Tabuleiro e da Serra Furada; Reservas Biológicas Estaduais do Sassafrás; do Aguaí, e da Canela Preta. Viajou por muitos países, fazendo contatos com botânicos e instituições de pesquisa em busca de dados sobre botânica catarinense. Raulino Reitz desviveu em 20 de novembro de 1990, inesperadamente, interrompendo seu sonho de completar a Flora Ilustrada Catarinense.

Philodendron Renauxii Reitz
Também conhecido como Filodendro rasteiro, Imbê-rasteiro, apresenta altura média de 0,6 m, gosta de meia-sombra, floresce no verão e cresce entre os rochedos na Serra do Taboleiro, em Pilões, município de Palhoça, único lugar onde Pe. Reitz havia achado essa raridade. Ele primeiro descreveu a planta em latim (língua oficial da ciência botânica) e a publicação oficial desta diagnose apareceu na Revista Sellowia, de Itajaí, em 31 de dezembro de 1957.

Ao denominar a bela planta da rica flora catarinense como “Philodendron Renauxii” (pronúncia: renôi), Pe. Reitz quis prestar uma justa homenagem ao Cônsul Carlos Renaux, apreciador e amante da natureza, especialmente a vegetal.

Grevillea robusta
O Cônsul não se contentou apenas com o ajardinamento dos arredores de seu palacete residencial, mas igualmente revestiu de belos jardins verdes a circunvizinhança de suas fábricas. Consta que outra planta de predilição do Cônsul era a árvore “Grevillea robusta”, também conhecida como “carvalho sedoso”, “gravílea” e “árvore-do-fogo”, originária da Oceânia.

Suas flores – de cor laranja – florecem entre maio e julho e a madeira – de cor castanha amarelada e consistência ligeira -, vêm sendo empregada na indústria moveleira, no sombreamento de pastagens e como quebra-vento de culturas agrícolas. De rápido crescimento, resistente ao seco e ao frio, a Grevillea robusta exerce grande atração ornamental, sobretudo pela sua folhagem peculiar e flores muito vistosas, sendo comum encontrá-la nas nossas ruas e jardins.

A família Renaux, mesmo após a morte do Cônsul, continuou a obra de seu progenitor, e de seus terrenos saíram centenas de milhares de mudas de árvores que revestem nossos morros e jardins. Hoje, os jardins do Complexo Renaux ainda são mantidos pela Massa Falida, e os jardins da Villa Renaux são mantidos por Vitor Renaux Hering, filho da saudosa Bia Renaux.

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