Pedro Pellenz ficou marcado na história de Guabiruba como o andarilho da rua São Pedro

Um homem de terno preto, guarda-chuva em punho e chinelo de dedo preso com elástico - assim andava Pedro Pellenz por Guabiruba e Brusque

Pedro Pellenz ficou marcado na história de Guabiruba como o andarilho da rua São Pedro

Um homem de terno preto, guarda-chuva em punho e chinelo de dedo preso com elástico - assim andava Pedro Pellenz por Guabiruba e Brusque

Um homem de terno preto, guarda-chuva em punho e chinelo de dedo preso com elástico andando por Guabiruba e Brusque. É possível que a maioria dos moradores mais antigos de Guabiruba tenham visto, ou pelo menos ouvido falar, de Pedro Pellenz.

Morador da rua São Pedro, seu Pellenz caminhava todos os dias pelas ruas, na década de 50. E se tornou uma figura lendária. Sabia a hora que comerciantes saiam de Guabiruba rumo a Brusque e lá esperava pela carona. Na linha de ônibus, a passagem não era cobrada, pois o velho Pedro Pellenz era conhecido por todos.

Pellenz repetia a caminhada todos os dias e retornava com sacos cheios de comida para seus gatos. O homem de terno nunca fez mal a ninguém. Não possuía nenhum vício, ou melhor, só o vício de caminhar incansavelmente pelas ruas das duas cidades.

Os irmãos João Vili e Guido João Dietrich moradores da rua São Pedro tiveram, durante toda a infância, Pedro Pellenz por perto. As idas e vindas, os momentos bons e ruins vividos pelo homem que andava sempre com a mesma roupa estão vivos na memória deles e de muitos dos moradores da rua. “Meu pai e minha mãe ajudaram muito o Pedro. Depois que ele foi atropelado e ficou de cama, todas as manhãs, meio-dia e à noite levávamos comida para ele, que não tinha ninguém mais para ajudar. O Pedro tinha o jeito dele”, lembra João Vili.

Pellenz nasceu, cresceu e morreu na rua São Pedro. Desde novo ajudou seu pai na grande olaria construída na propriedade da família. Mais tarde seu pai faleceu e Pedro tocou a olaria que chegava a produzir 30 mil tijolos e 70 mil telhas a cada fornada. “Era uma loucura essa produção, que conseguia fazer três a quatro fornos por ano e garantia um lucro fantástico”, afirma Dietrich.

Após a morte de seu pai, Pellenz teve desentendimentos com seus irmãos e a propriedade que tinha sido vendida pelo pai voltou para ele. Pedro também ficou responsável pela mãe que morou com ele até ela falecer. Dono de uma grande propriedade, Pedro trabalhava dia e noite fazendo o “dinheiro girar”. No entanto, nunca se preocupou em construir uma casa ou cuidar da higiene pessoal. Segundo contam os moradores da rua, Pellens não se preocupava com a higiene pessoal. Seu banheiro era no mato e a água para beber era puxada com balde de uma fonte próxima a casa.

Depois de um tempo, a grande olaria já não produzia mais como antigamente e as idas e vindas pelas ruas da cidade se tornaram mais frequentes, virando uma espécie de rotina na vida de Pedro Pellenz. Mesmo assim, o andarilho possuía muito dinheiro e emprestou para muita gente. Dizem, inclusive, que muitos nunca pagaram.

“Ele vivia sozinho. Lembro que meu pai sempre dizia que se quiséssemos alguma fruta ou algo da propriedade dele sempre deveríamos pedir. Sempre pedimos, mas em troca de uma jabuticaba ou goiaba precisávamos buscar água do poço, já que ele vivia numa casa sem energia elétrica e água encanada. O banheiro dele era no mato e não sabemos onde ele tomava banho ou se tomava”, afirma Vili.

Os gatos de Pellenz

Os Dietrich gostavam de brincar na propriedade de Pedro Pellenz. “Era um espaço grande. Todo aquele morro era dele. Passávamos o domingo lá brincando de funda e assustando os gatos”, diz Guido. Pedro Pellens cuidava de mais de 40 gatos. Todos os dias quando chegava em casa, ao desembarcar o ônibus, ele os chamava e repartia a comida recolhida dos supermercados por onde passava em Brusque e Guabiruba. “Não sei de onde saía tanto gato.”, diz.

Curiosidades

Na década de 70, Pedro Pellenz acolheu em sua casa João Fraiterna, refugiado da segunda Guerra Mundial. Ninguém sabia ao certo a história de Fraiterna e sua esposa, mas foram eles que levaram energia elétrica e água encanada para Pellenz;

Ao lado de sua casa existia um cemitério onde foram enterradas as vítimas de uma epidemia de varíola que atacou Guabiruba. Entre as quais, está a bisavó dos Dietrich. O cemitério tinha 12 túmulos de barro, cada um com uma cruz, identificando o nome das vitimas. A mãe de Pedro Pellenz cuidava do local com muito zelo, mas com a instalação do cemitério oficial em Guabiruba, esse ficou abandonado no meio da mata;

O morro na divisa entre Brusque e Guabiruba recebeu o nome de Pedro Pellenz. Segundo os Dietrich, quando alguém se apresenta como morador da rua São Pedro, a primeira pergunta é: mora pra cima ou pra baixo do morro do Pedro Pellenz?

Os vizinhos contam que Pellenz não se alimentava direito e tinha mania de comer comida estragada, sobras que ficavam dias expostas na mesa ou no fogão. Caçava tudo que é tipo de bicho e comida diariamente;

Um dia, passando mal, Pellenz foi levado ao hospital por um irmão dos Dietrich. No caminho, pediu para ir até a igreja pagar o dízimo. Já no hospital, pediu para chamar um padre para se confessar. Morreu duas horas depois;

Ninguém sabe o certo a idade de Pellenz. No cemitério de Guabiruba, o túmulo dele é bem visitado. Quem passa por lá sempre deixa uma flor ou faz uma oração para o misterioso andarilho de terno preto e sandália de dedo, da rua São Pedro.

 

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