Nos primeiros anos de Brusque, a única forma de transporte possível era pelo rio Itajaí-Mirim. Por muitos anos, foi pelas águas que chegavam as principais mercadorias vindas de Itajaí. 

O precursor desta forma de transporte na cidade foi o alemão Nicolau Knihs. Ele deixou sua esposa, Anna Maria Schneider Knihs, na Alemanha, e partiu rumo ao Brasil em busca de uma vida melhor.

Inicialmente, se instalou na colônia de São Pedro de Alcântara. Tempos depois, em torno de 1865, mandou buscar a esposa e, juntos, vieram morar em Brusque. Fixaram residência no início da atual rua Hercílio Luz, onde hoje está o prédio da Lúcia Biquínis.

Nicolau era agricultor, mas ao chegar em Brusque iniciou outra profissão. Ele construiu uma barcaça que por muito tempo serviu para atravessar os colonos de um lado a outro do rio Itajaí-Mirim. A barcaça ficava onde hoje está a ponte estaiada Irineu Bornhausen.

Além deste trabalho, que se transformou no ganha pão da família, Nicolau também alugava grandes canoas para levar e trazer mercadorias de Itajaí.

Travessia de balsa do rio Itajaí-Mirim, em imagem anterior a 1905 | Foto: Casa de Brusque/Divulgação

Familiares de Nicolau relatam que o homem foi em uma dessas canoas ensinar os moradores de Itajaí a fazer linguiça. Porém, como não falava português, teve dificuldades em transmitir os ensinamentos. Ele então colocou os porcos na canoa, trouxe a Brusque, fez as linguiças, e mandou de volta para Itajaí. A partir de então, virou costume.

A esposa de Nicolau, Anna Maria, ajudava no orçamento familiar fazendo comida para os balseiros, que transportavam madeira pelo rio, algo bastante comum já que na época era o único meio de transporte.

O casal teve oito filhos: Nicolau Filho (nascido na Alemanha), Jacó, José, João, Maria Catarina, Anna e Guilherme, nascidos no Brasil. 

José seguiu os passos do pai e fez no rio também a sua profissão. Com a necessidade cada vez maior de levar e trazer mercadorias de Itajaí, que entravam e saiam pelo porto, ele teve a ideia de construir grandes lanchas de madeira que facilitavam o transporte dos produtos agrícolas para o município vizinho, inclusive, os produtos têxteis fabricados, principalmente, pela Fábrica de Tecidos Carlos Renaux.

Pelas lanchas de madeira de José Knihs, vários produtos eram transportados como algodão para as fábricas, óleo, carne seca, trigo, utensílios, entre outras coisas. Foi ele quem trouxe para a cidade o primeiro saco de açúcar branco, fato que causou um grande alvoroço, já que todo mundo queria experimentar a iguaria.

Além do transporte fluvial, José mantinha uma casa de comércio, onde vendia as mercadorias que trazia de Itajaí. A venda ficava na esquina da rua Lauro Müller com a Pedro Werner.

A viagem de lancha ida e volta até Itajaí durava uma semana. Nas enchentes, a viagem chegava a durar duas ou mais.

Quando o governo do estado abriu a estrada entre Brusque e Itajaí, o transporte pelo rio foi deixado de lado, já que, mesmo precária, a estrada diminuía muito o tempo de viagem até a cidade vizinha. Por terra, agora o trajeto durava dois dias, ida e volta.

José logo visualizou uma oportunidade com a estrada e foi dele o primeiro caminhão a fazer transporte entre a colônia e Itajaí, entre os anos 1925 e 1927, marcando definitivamente o nome da família Knihs na história de Brusque.


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