Peruana ajuda crianças carentes e faz sopa para moradores de rua da região

Eliane Rodrigues Zeverino, de 42 anos, radicada em Brusque há 27, sente alegria em ajudar o próximo

Peruana ajuda crianças carentes e faz sopa para moradores de rua da região

Eliane Rodrigues Zeverino, de 42 anos, radicada em Brusque há 27, sente alegria em ajudar o próximo

Em poucos minutos de conversa é possível perceber a generosidade da peruana Eliane Rodrigues Zeverino, de 42 anos, radicada em Brusque há 27. O sotaque e a descontração demonstram, aos poucos, a coragem que ela tem em ajudar o próximo.

“As pessoas precisam sair do seu mundinho para saber a realidade do outro”, afirma. Ela conta que, dez anos atrás, trabalhava na organização de festas de criança, porém, não era totalmente feliz. “Eu gostava de trabalhar com isso, mas eu queria mais. Eu precisava fazer a diferença e aquilo começou a tocar o meu coração de tal forma que decidi que faria algo voluntariamente”.

A peruana, que já se considera brusquense, começou a levar cestas básicas na Páscoa, no Dia das Crianças e no Natal às crianças que viviam em locais mais pobres da cidade e da região. Ela, juntamente com seu esposo, o pintor Alcione Zeverino, de 43 anos, e com outros moradores do município, realizava um Dia de Lazer com cachorro-quente, suco, cestas de chocolate e cama elástica. Uma destas ações ocorreu no bairro Águas Negras, em Botuverá. No evento, ela se vestiu de palhacinha e o marido de sombra. “Meu coração dizia que temos que procurar as pessoas, ir atrás delas, saber o que se passa e poder oferecer um pouco de alegria”, diz a voluntária.

Corrente do bem

A sensibilidade de Eliane é tão grande que ela buscou por meio de um perfil na rede social Facebook – Palhacinha Pimentinha – mobilizar outras pessoas para ajudar. A ideia surgiu pois ela, sozinha, não conseguia mantimentos para distribuir à  comunidade. Atualmente, ela está desempregada e viu no canal uma possibilidade de continuar ajudando. Há cerca de quatro meses, a voluntária iniciou outra ação: a de levar sopa, macarrão e café quente aos moradores de rua. “As pessoas estavam passando frio e eu não estava fazendo nada. Então pedi ajuda no perfil e recebi macarrão, frango, legumes de todos os tipos e comecei a fazer a sopa”.

Geralmente, ela distribui 40 marmitas nas ruas do Nova Brasília, do Santa Terezinha, do Centro e, ainda, leva para o grupo de missão urbana Terremoto Move Alicerces Portas e Prisões (TMAPP). “Às cinco horas eu começava a preparar a sopa. Eu não sabia o que ia encontrar. À noite fazia uma oração e saia com a cara e com a coragem pedindo que Deus colocasse pessoas para que pudéssemos ajudar”.

Eliane recorda que não sabia como chegar nos moradores e que tinha um certo receio. No entanto, aos poucos, o medo perdeu espaço para a amizade e o carinho. “Eles ficavam ressabiados no primeiro instante, mas depois já estavam nos contando histórias. É preciso tão pouco. Muitos deles não querem nem a marmita, mas querem conversar, ganhar um abraço”.

A peruana recorda que já passou fome e frio e que por isso sabe a importância de enxergar o outro e de ser mais solidário. Ela acredita que se cada cidadão colaborasse com R$ 1 poderia-se construir um galpão e reunir mais voluntários para ajudar as pessoas mais carentes. Além disso, Eliane acha que poderia ser feito sopão todos os dias. “Não precisa ser rico e nem pobre, basta ter vontade de ajudar o próximo. A fome e o frio não é um dia, ou dois”, diz.

A voluntária ainda afirma que pede que Deus continue colocando pessoas bondosas no seu caminho, para que juntos possam fazer a diferença na vida dos mais carentes. “Ajudar sem olhar a quem é o que sempre digo. O que a mão direita faz a esquerda não precisa saber. Que tenhamos mais amor no coração e que saibamos olhar para quem está ao nosso lado”, diz.

A esteticista Claudete Zanon Rudolf, de 41 anos, ajuda Eliane há cerca de dois anos. Ela conta que ficou sabendo do trabalho por meio do Facebook e que desde então tem colaborado com alimentos. “O que ela faz é um trabalho maravilhoso. Mais pessoas deveriam fazer. Como eu não tenho disponibilidade em fazer a sopa ou ir nos lugares, fico feliz em poder contribuir”, afirma.

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