Em julho de 1945, surge em Brusque a Fundição Hércules. A empresa deu início ao setor metalmecânico no município, que hoje, junto com o têxtil, é uma das bases da economia da cidade.

A empresa, que continua em atividade, foi idealizada por Oswaldo Loos. Ele trabalhou por alguns anos na empresa Garcia, de Blumenau, e foi lá que aprendeu a trabalhar com o ferro. A indústria era têxtil, mas tinha uma fundição própria que fabricava as peças para os teares.

Tempos depois, Oswaldo foi convidado a ir para Itajaí. Lá, trabalhou em uma outra fundição, até ser convencido pela esposa, Maria Dirschnabel, a montar um negócio próprio em Brusque.

“Minha mãe era de Guabiruba, e na época meu pai passava por trás da Garcia, subia o morro para ir ver ela. De tanto minha mãe insistir, ele veio para Brusque e montou a empresa”, conta o filho mais velho do casal, Leonardo Loos.

Quando Oswaldo decidiu vir para Brusque, não conhecia ninguém. Com a cara e a coragem, começou a construir sozinho a sua empresa, na rua do Centenário. “Foi no peito e na raça”, diz o filho.

Entretanto, chegou um momento em que o dinheiro que ele tinha não era mais suficiente para continuar a construção e dar sequência aos negócios. A saída foi ir atrás de sócios para começarem, de fato, a fundição.

Criada em 1945, na rua do Centenário, empresa continua ativa até hoje | Foto: Arquivo da Família Loos

Trinta homens contribuíram e se tornaram sócios da Fundição Hércules, tornando o negócio possível: Germano Jacob, Waldemar Becker, Euwaldo Debatin, João Dirschnabel, Nicolau Westarb, Leopoldo Ramos, Henrique Janning, Benedito Klein, Otto Kosel, Antonio Kormann, Otto Schaefer, Adrio Keunecke, Arthur Schlosser, Anselmo Mayer, Alexandre Brasil, Antonio Zendron, Ewaldo Schlindwein, João de Freitas, Bernardo Stark, Carlos Gracher, Vicente Antonio Tomio, Andrea Nicoletti, Oscar Krieger, Júlio Fischer, José Bolognini, Theodoro Debatin, Vidal Batistotti, Júlio Paulo Tietzmann, Waldir Walendowsky e Rudi Fuchs.

“Todos eles ajudaram meu pai a fazer a firma”, destaca Leonardo.

Oswaldo morreu cedo, com 48 anos, em 1964. A partir daí, Leonardo assumiu o comando da empresa. Pouco a pouco, ele foi comprando as ações dos sócios, até que a empresa ficasse somente com a família Loos.

Leonardo lembra com saudade da época em que trabalhou ao lado do pai na fundição. Várias histórias estão vivas na memória do aposentado. “Meu pai não deixava empregado nenhum sair sem tomar um aperitivozinho de cachaça por causa do corpo quente que ficava perto dos fornos. Era proibido até tomar água”, recorda.

Fundição Hércules

Na fundição, foram fabricados todos os tipos de equipamentos e até objetos que fazem parte de pontos turísticos de Brusque, como algumas esculturas do Parque das Esculturas e também o teleférico do Zoobotânico.

Leonardo conta ainda que foi seu pai o responsável por trazer a empresa Souza Cruz para Brusque. “Nós fabricávamos para eles adubadeira, capinadeira, estufa para secar o fumo. O prefeito na época era o Carlos Moritz”.

O aposentado não sabe ao certo de onde o pai tirou a ideia de nomear a empresa da família como Fundição Hércules, provavelmente, da mitologia grega, o que para ele, foi uma decisão mais do que acertada.

“Deve ser de algum livro, alguma história, mas o nome foi certo porque o serviço era pesado, precisava de gente de muita força para trabalhar ali. Cada panela com ferro pesava 50, 60 quilos”.

Mais de 70 anos depois, a empresa continua ativa. Saiu da rua do Centenário e foi para o bairro Bateas. Hoje, quem administra a empresa é o filho mais novo do fundador, Oswaldo Loos Filho, o Chico, que também já se prepara para passar os ensinamentos às novas gerações.

“É um grande orgulho porque a empresa conseguiu se manter depois de tantos anos. Agora as novas gerações estão entrando e vão assumir a empresa e o legado do nosso pai”.


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