O sotaque, mesmo que sutil, denuncia as origens de José Mauro de Goes Lima, 68 anos. Natural de Correntes, distante 257 quilômetros de Recife, capital do Pernambuco, há quase 20 anos adotou Brusque como sua cidade e trouxe para cá a sua empresa, a 3-RHO Interruptores Automotivos.

A chegada no município foi no ano 2000. Incentivado pelo então prefeito, Hylário Zen, o empresário pernambucano viu em Brusque uma oportunidade de fazer o seu negócio crescer.

Como já conhecia o trabalho da Zen e da ZM, empresas brusquenses do setor metalmecânico, que já eram parceiras comerciais da 3-RHO, ele decidiu transferir toda a estrutura de São Paulo para o município catarinense.

“Fizemos pesquisas de mercado e percebemos que aqui era um ambiente bom para a empresa”, diz.

Em janeiro de 2001, toda a estrutura da 3-RHO já operava em Brusque, às margens da rodovia Ivo Silveira. De lá, alguns funcionários vieram junto e muitos outros foram contratados na cidade.

Começava aí mais um capítulo da história da empresa, criada em 1970, em São Paulo, e que desde 1974 está sob o comando de Lima. O empresário adquiriu o negócio após a morte de seu fundador, que era casado com uma prima. “Ele faleceu e ela não quis mais, então eu decidi comprar”, conta.

Na época, Lima e a família tinham um restaurante e, com a oportunidade tão próxima, ele decidiu mudar de ramo. “Mudei porque percebi que no restaurante eu ia ficar limitado a um bairro de São Paulo. Com a fábrica, hoje vendo para o Brasil inteiro”.

No início, além de fabricar componentes automotivos, a 3-RHO também fazia algumas peças elétricas para residências. Após adquirir a empresa, entretanto, ele resolveu focar apenas no setor automotivo e mudou a razão social, de 3-RHO Componentes Elétricos, a indústria passou a se chamar 3-RHO Interruptores Automotivos. “Vi que o mercado automobilístico poderia crescer e foquei nisso”.


Foco no mercado nacional de reposição

Hoje com 97 colaboradores, a empresa atua em um nicho bem específico de mercado, tanto na linha leve quanto a pesada. Os produtos fabricados pela 3-RHO são os interruptores automotivos. O carro-chefe são os interruptores de freio, de ré e de óleo.

Simplificando, a empresa produz em Brusque as peças que fazem a luz traseira do veículo acender quando o motorista engata a marcha à ré ou pisa no freio e também a peça que é responsável por fazer a leitura e avisar o condutor com a luz no painel quando falta pressão de óleo no motor.

Atualmente, a equipe de engenharia da empresa está trabalhando na evolução dos produtos para não correr o risco de ficar estagnada e perder mercado. Esta é uma das principais estratégias da 3-RHO.

Já está em fase de desenvolvimento e vendas os sensores automotivos que, ao longo do tempo, devem substituir os interruptores. “Fazendo os lançamentos, o mercado começa a adquirir da gente. A ideia é não dar espaço para os concorrentes”.

O principal mercado da 3-RHO é o de reposição, ou seja, os produtos fabricados ali são para substituir os originais que já estão defeituosos, uma espécie de segunda opção para os consumidores.

São produzidas em torno de 200 mil peças por mês, que são distribuídas, principalmente, para o mercado nacional, já que o foco da empresa é a pronta-entrega. O empresário destaca que a partir do momento que o cliente faz o pedido, em até 48 horas as peças estarão disponíveis e prontas para uso.

“Trabalhamos em cima de três pontos: qualidade, prazo de entrega e variedade. Como nosso foco é o mercado nacional, nosso princípio é combater a importação. Por isso, sempre temos o lançamento de peças novas e somos referência neste sentido em nível de Brasil”.

Os três produtos principais da 3-RHO – interruptores de freio, ré e óleo – hoje estão pulverizados em mais de 450 modelos diferentes, que são distribuídos para empresas atacadistas do setor e podem ser encontrados pelos clientes em autoelétricas.


Gestão responsável e investimentos constantes

Quando saiu do Nordeste com a família em direção a São Paulo em um caminhão em busca de uma vida melhor, e logo depois, com poucos recursos, conseguiu montar um restaurante, Lima aprendeu que a boa gestão é grande parte do sucesso de uma empresa.

Desde então, se dedica a aplicar este aprendizado em sua empresa. Em quase 50 anos, a 3-RHO passou por muitas crises econômicas. A instabilidade da economia, na visão do empresário, sempre será uma sombra para o país, por isso, é preciso estar preparado para enfrentar os momentos de dificuldade, principalmente no setor automotivo, que é bastante sensível. “A gente se organiza, tem que ter reservas. Sabemos que esta não será a última”.

Lima afirma que a 3-RHO está alicerçada em cima de políticas financeiras, comerciais e industriais que não deixaram a empresa sofrer grande impacto com a crise que explodiu em 2015. “Não paramos de investir um dia sequer aqui não empresa. Não deixamos de comprar uma máquina, de construir novos prédios e nem de desenvolver novos produtos”.

O investimento em tecnologia, para o empresário, também é fundamental na hora de buscar competitividade no mercado. “Investimos direto em qualidade e tecnologia. Esse é o segredo de viver neste mercado. Não pode deixar a crise te engolir, tem que estar preparado para quando ela surgir e ter reservas para suportar”.

Atuar no segmento de reposição também contribuiu muito para que a empresa não fosse tão afetada pela instabilidade econômica, mesmo sendo do setor automotivo, um dos mais prejudicados pela crise e que só agora ensaia recuperação.

“Não dependermos das montadoras também foi importante porque se o mercado não está bom, eles cortam as compras e, consequentemente, cortam a produção dos fornecedores. Isso a gente não sofre aqui”.
Foi no período mais forte da crise, inclusive, que a empresa construiu e inaugurou os três novos prédios que fazem parte do complexo, dedicados ao departamento de engenharia e ferramentaria.


Sucesso sem esquecer das raízes pernambucanas

Apesar de ter saído do Nordeste há 48 anos, o empresário nunca esqueceu de suas raízes. Faz questão também que todos os seus colaboradores saibam de onde veio e como e onde chegou.

Por toda a empresa, estão objetos de decoração que lembram o folclore nordestino, principalmente o pernambucano. Os colaboradores, diariamente, fazem suas refeições na cozinha decorada com uma fantasia do caboclo de lança e as famosas sombrinhas do frevo.

“O período até os meus 20 anos marcou bastante, por isso, gosto de ter a cultura nordestina perto, mas Brusque é um lugar que eu gosto muito, só saio daqui para viagens. A cidade me acolheu e acolheu a empresa e sou muito grato por isso”.

Para o futuro, o empresário pretende continuar os investimentos constantes na empresa, principalmente em tecnologia para desenvolver novos produtos, mas sempre com muito planejamento. “Nada aqui é feito de última hora. Temos reserva de máquina, de prédio, de terreno. Por muito tempo ainda temos área para crescimento e este é o nosso plano para o futuro”.

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