Plataforma permite observar crescimento demográfico de Brusque

Imagens de satélite mostram aceleração na ocupação do solo nos últimos 30 anos

Plataforma permite observar crescimento demográfico de Brusque

Imagens de satélite mostram aceleração na ocupação do solo nos últimos 30 anos

Nos últimos 30 anos é possível notar uma aceleração no crescimento demográfico de Brusque. Um aplicativo do Google, o Google Earth Engine, possibilita que se perceba esse aumento da densidade demográfica do município entre 1984 e 2016. A plataforma disponibiliza um estudo interativo do globo terrestre, a partir de um sistema de posicionamento por satélites que permite consultar até mesmo os locais mais inacessíveis.

O Google Earth Engine permite voltar ao tempo graças a um cursor cronológico que armazena as imagens. A ferramenta está principalmente associada a um software de concepção de modelos 3D. O programa pode ser usado como um gerador de mapas bidimensionais e imagens de satélite ou como um simulador das diversas paisagens presentes no planeta Terra. Por meio do programa se pode identificar lugares, construções, cidades, paisagens, entre outros elementos.

Além disso, o aplicativo é integrado ao Street View – recursos que permitem andar por ruas -, e ao Google Maps. Alguns locais têm imagens de satélite muito recentes, enquanto que a imagem de outras localidades é de cinco ou dez anos atrás.

O último levantamento realizado pelo Instituto Brusquense de Planejamento (Ibplan), em 2015, mostra que o crescimento demográfico em Brusque aconteceu principalmente nos bairros Limeira, Planalto, Souza Cruz e Cedrinho, onde houve aumento na construção civil e urbanização. “A concentração da população nos diversos bairros do município é influenciada pela dinâmica do mercado e por políticas públicas. No caso de Brusque, as transformações ocorridas com o processo de industrialização nas últimas décadas, fizeram com que a cidade crescesse transformando-se em um centro industrial”, explica a diretora do Ibplan, a arquiteta Carolina Meireles.

Por outro lado, o arquiteto e engenheiro civil, Anderson Buss, que é conselheiro nacional do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) e vice-presidente do Clube de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Brusque (Ceab), diz que não se observa um crescimento concentrado em pontos específicos da cidade, mas sim distribuído por boa parte dos bairros e do território. “Tem havido um crescimento igualitário em todas as áreas do município”.

Impactos do crescimento

O crescimento demográfico sem planejamento traz impactos negativos para a cidade. Segundo Buss, muitos dos desastres são causados por essa falta de critério na ocupação das áreas que hoje estão ocupadas. A ocupação inadequada junto com a falta de infraestrutura podem gerar problemas graves, que depois precisarão ser solucionados com recursos públicos.

Já um crescimento demográfico com planejamento traz muitos benefícios para a população de Brusque. A otimização da infraestrutura existente (abastecimento de água e energia, ruas, calçadas, redes de drenagem, saneamento, etc), a economia na manutenção da cidade e o aumento da atividade econômica e do consumo, são alguns exemplos desses benefícios.

“De um modo geral, o aproveitamento de infraestruturas existentes são positivas para a cidade, pois evitam a necessidade de implantação de novas infraestruturas. A verticalização (e consequente adensamento) das áreas já consolidadas, em especial as áreas centrais, possibilita o crescimento demográfico sem a necessidade de implantação de novas infraestruturas”, analisa Buss.

O valor territorial das áreas centrais e o zoneamento aplicado estimula o crescimento populacional para os bairros mais periféricos, conforme Carolina. Ela afirma que este é o modelo mais comum de crescimento das cidades de médio porte do Vale do Itajaí. Conforme a diretora, com a expansão territorial de determinada região, há um aumento considerável de seus problemas, sejam eles econômicos, políticos, ambientais e sociais.

“A dinâmica de ocupação destas regiões acontecem muito mais rápido do que a urbanização, criando a necessidade de implementação das redes de infraestrutura urbana pelo poder público. As políticas implantadas pela gestão pública vêm tentando solucionar vários problemas em relação à ocupação e uso do solo”.

Carolina ainda destaca que a concentração e diversidade de usos das áreas já urbanizadas geram deslocamentos mais curtos e possibilitam transporte público de qualidade. Ela reitera que o planejamento e gestão eficientes, contínuos e de longo prazo possibilitam que o poder público alcance a velocidade do crescimento populacional e econômico. “A cidade compacta fará a diferença real no uso mais racional e sustentável dos recursos naturais e da infraestrutura urbana”.

Mapeamento de áreas

Brusque deverá continuar crescendo nos próximos anos, por isso, é fundamental fazer um mapeamento de áreas adequadas para ocupação no município, e em seguida definir essas áreas como prioridade no crescimento e colocar no Plano Diretor.

Na visão de Buss, quando se tem bastante espaço disponível é fácil crescer e ocupar novas áreas sem causar maiores problemas, mas quando essas áreas começam a ficar escassas, é importante seguir um planejamento criterioso para evitar danos à população e ao meio ambiente.

Para ele, sem esse planejamento, a previsão é de “termos tragédias” cada vez mais frequentes e intensas no município, prejudicando principalmente as pessoas de baixa renda, que muitas vezes não tem condições de morar em áreas mais seguras, pois são mais caras.

“O urbanismo pode influenciar positivamente em questões como segurança pública, qualidade de vida, convivência, sustentabilidade, produtividade, economia, entre muitos outros aspectos do dia a dia das pessoas”.


Google Earth Engine

A plataforma criada pelo Google permite o monitoramento de ambiente online, que torna disponível um modelo digital do planeta, que é atualizado diariamente. Ele armazena petabytes de dados de satélite e permite que ferramentas de alto desempenho analisem e interpretem essas informações, que podem ser visualizadas em um mapa, desde mudanças da floresta tropical na Amazônia até os recursos hídricos no Congo. Acesse para acompanhar.


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