Em detalhes: Polícia Civil reconstitui morte de jovem queimada viva

Júlio César Poroski e Robson Geovane Mendes dos Santos contaram passo a passo da ação nesta segunda-feira, 3

Em detalhes: Polícia Civil reconstitui morte de jovem queimada viva

Júlio César Poroski e Robson Geovane Mendes dos Santos contaram passo a passo da ação nesta segunda-feira, 3

A Divisão de Investigação Criminal (DIC) da Polícia Civil realizou nesta segunda-feira, 3, à tarde a reconstituição do assassinato de Roberta Keller, 19 anos, queimada viva na madrugada de 25 de maio.

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O objetivo da ação foi esclarecer alguns pontos que ainda geravam dúvidas no processo, para então concluir o inquérito e encaminhar ao Judiciário. Júlio César Poroski, o Galego, e Robson Geovane Mendes dos Santos, envolvidos na morte, participaram da reconstituição, que contou ainda com a presença de cinco policiais civis e do delegado Alex Bonfim Reis.

Júlio Cesar está preso desde o dia 1º de junho, quando a DIC desvendou o crime. Já Robson foi preso na terça-feira, 27, durante uma abordagem da Polícia Militar. Além dos dois, estão presos também Cláudio Batista dos Santos, mandante do crime, e o taxista Charles Natanael Vieira. Pâmela Tainá Carvalho Pereira, que foi presa temporariamente, já foi liberada, pela comprovação de que não teve participação direta na execução de Roberta.

A reconstituição do crime ocorreu após um pedido da Polícia Civil ao Judiciário, pela necessidade de explicar melhor a cronologia do homicídio, além da execução e participação de cada envolvido. Esta foi uma das primeiras reconstituições realizadas pelo delegado Reis. “Julgamos necessário esclarecer alguns pontos, até mesmo pela crueldade, por ser um fato extremamente fora do comum, e pela forma traumática como ocorreu o crime”, explica o delegado.

Durante as investigações, a polícia já tinha a autoria e materialidade do crime, mas tinham pequenos pontos a serem esclarecidos, como a ação efetiva de alguns envolvidos, como do taxista. O trajeto feito por eles na noite do crime era o que estava mais confuso, e também o momento em que cada um entrou no táxi.

O delegado informa que optou por fazer a reconstituição com Júlio Cesar e Robson, pelo fato de Cláudio estar preso em Blumenau. “Pela logística achamos melhor não trazer Cláudio, até porque a presença dele poderia trazer constrangimento aos demais, pois ele é o ‘cabeça’ da execução'”.

A reconstituição iniciou logo no início da tarde. Por volta das 13h, os policiais da DIC foram até a Unidade Prisional Avançada (UPA) de Brusque buscar os dois envolvidos no crime. Depois de lá, ambos começaram a detalhar o dia do crime para o delegado.

Acusados contam o passo a passo em vídeo:

Cronologia do crime

A preparação para o assassinato de Roberta iniciou na tarde do dia 24 de maio, quando Julio Cesar chamou o taxista Charles e foi procurar pela vítima na cidade. Sem encontrá-la, voltou para casa onde mora com Pâmela Thainá, no bairro Águas Claras. Lá permaneceu até as 20h30, quando foi informado o local em que Roberta estava.

Julio então ligou novamente para o taxista que o buscou e ambos foram até a casa de Robson, na entrada de Guabiruba. De lá, seguiram para o local conhecido como Morro do Mocotó, na rua Nova Trento. Após procurarem, localizaram Roberta na casa de uma testemunha. Assim que a encontraram, os dois a ameaçaram com uma réplica de arma e ainda gravaram um áudio para Cláudio. Na gravação é possível ouvir uma mulher gritando para pessoas irem brigar fora da casa dela. Neste momento, Julio Cesar dá um tapa no rosto de Roberta, cujo o som pode ser ouvido no áudio.

Este áudio foi encaminhado para Cláudio e, poucos dias depois, foi repassado à Polícia Civil, que passou a investigar o crime e, então, desvendou o homicídio.

Em posse de Roberta, Julio Cesar, Robson e o taxista foram até a casa de Cláudio buscá-lo, no bairro Guarani, e dali se dirigiram até um supermercado para comprar álcool. “A intenção inicial deles era executar a Roberta e depois queimar o corpo, mas não conseguiram, pois a Roberta tentou fugir ao chegar no supermercado. Então a seguraram e a levaram até o local da execução, no bairro Nova Brasília”, detalha o delegado.

Os três, junto com o taxista e Roberta, seguiram para o fim da rua Zulmira Raizer, no Nova Brasília. Enquanto o táxi os aguardava, os três acusados, junto com a vítima, desceram um barranco e caminharam por um matagal.

No local em que escolheram, segundo a versão deles, o próprio taxista, ciente de tudo que estava ocorrendo e ciente de que iriam matar a Roberta, se propôs a buscar um galão de gasolina. Os executores então ficaram com a Roberta naquele local e o taxista foi até um posto de combustíveis, onde há imagens das câmeras de monitoramento que mostram ele pegando a gasolina.

Charles retornou e entregou o galão para o Robson, o qual voltou para o matagal onde Julio Cesar segurava a vítima pelo cabelo. “Robson jogou metade da gasolina na Roberta e passou para Cláudio, que também jogou nela e neste momento o Robson acendeu o fogo e queimou a vítima ainda viva”, descreve Reis.

Largada na mata e incendiada viva

Julio Cesar ainda guarda nos braços marcas de queimaduras que adquiriu por conta de um respingo de gasolina enquanto segurava a vítima. Ele contou ao delegado que quando as chamas o atingiram, se jogou no chão para apagá-las. Neste momento, Roberta correu mato a dentro e poucos metros à frente caiu morta.

Os três saíram do local e voltaram de táxi para a casa de Julio Cesar para buscar uma enxada e retornaram junto com Pâmela para tentar enterrar o corpo. Como chovia muito e estavam apenas com uma enxada, não conseguiram cavar o buraco e, então, cobriram o corpo com um pouco de mato e foram embora.

Quando saíram do local, pararam em um posto de combustíveis, na rodovia Antônio Heil, e foram abordados pelo Pelotão de Patrulhamento Tático (PPT). Todos estavam enlameados e com a enxada. No dia seguinte, Robson ficou com a missão de voltar e enterrar o corpo, mas como não o fez, Julio Cesar retornou ao local, junto com o taxista, e com uma pá cavou uma cova e arrastou o corpo para dentro.

Motivação
O delegado Reis explica que há duas motivações para o crime. A primeira teria sido por uma dívida de drogas de Roberta com os três, pois ela teria furtado uma quantia de drogas dos executores. O segundo motivo é que Roberta mencionava que era esposa de Cláudio.

“Como sendo um membro de uma organização criminosa, esse comentário dela passou a trazer problemas para ele, não somente com a organização criminosa, mas também com a própria esposa dele”.

 

 

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