Polícia e hospitais investigam golpe a familiares de pacientes

Inquérito foi aberto e operadoras de telefonia foram contatadas, apesar disso, delegado afirma que crime é de difícil solução

Polícia e hospitais investigam golpe a familiares de pacientes

Inquérito foi aberto e operadoras de telefonia foram contatadas, apesar disso, delegado afirma que crime é de difícil solução

A Polícia Civil instaurou inquérito e está investigando a ação do estelionatário que extorquiu R$ 3 mil de parentes de um paciente que estava internado no Hospital Dom Joaquim. Este foi o único caso em que o falsário, que entrou em contato com as vítimas por telefone, conseguiu o dinheiro. Em outras tentativas – também com o Hospital e Maternidade Evangélico – ele não obteve êxito. Os hospitais afirmam que estão realizando ou já fizeram apuração interna.

Juscelino Carlos Boos é o delegado responsável pela investigação do caso. Ele afirma que há muitos empecilhos para este tipo de crime ser solucionado. O primeiro deles é a distância de quem praticou o crime. Segundo informou uma das vítimas, o DDD do número de telefone do estelionatário que passou por médico para praticar o ato é o 66, de Mato Grosso. “Em casos assim, muitas vezes o número é de um ‘laranja’, são nomes falsos e com documentos falsos”, diz Boos.

O delegado afirma que, geralmente, são pessoas de outros estados que praticam crimes em outra unidade da federação. Além disso, ele também pondera que o falsário pode até mesmo estar em um presídio. Como as polícias são estaduais, isto dificulta a investigação. Supondo que o criminoso realmente seja do Mato Grosso, a Polícia Civil daqui tem de enviar uma carta precatória para a polícia mato-grossense procurar a pessoa e ouví-la. O procedimento é demorado e nem sempre tem o resultado esperado.

“Mesmo assim, estamos investigando junta às operadores nas quais estes celulares estão cadastrados, para saber no nome de quem estão estes números. Posteriormente, vamos enviar uma carta precatória para outro município ou estado para então ouvir estas pessoas que tem o celular no nome”, diz o delegado.

Como informou o jornal Município Dia a Dia na segunda-feira, 30, o golpe em familiares de uma paciente do Hospital Dom Joaquim foi denunciado à Polícia Civil pelo diretor da unidade, José Mauro Junglhaus, que fez boletim de ocorrência. O estelionatário ligou para os familiares e pediu R$ 3 mil para cobrir despesas médicas. Eles acreditaram e depositaram a quantia. Em seguida, Junglhaus ficou sabendo de mais duas tentativas, porém sem sucesso.

O estelionatário também se fez passar por médico do Hospital e Maternidade Evangélico. Ele ligou para a filha de uma paciente e tentou extorqui-la. Ela desconfiou e não caiu no golpe porque ligou para a casa de saúde para falar com o médico. O que impressionou nos dois casos foi a quantidade de informações pessoais que o falsário possuía. No caso do Hospital Evangélico ele sabia, até mesmo, de uma complicação médica pela qual a mãe da quase vítima tinha passado.
Investigações internas
O diretor do Hospital Dom Joaquim afirma que irá investiga a situação para saber como o estelionatário tinha tantas informações confidenciais. “O que podemos fazer no momento é uma investigação interna para apurar de onde saíram as informações que esse médico usou para conseguir tirar dinheiro deles. A investigação maior é com a Polícia Civil, mas, até agora, ninguém tem nenhuma suspeita”, afirma.

O Hospital e Maternidade Evangélico se pronunciou oficialmente sobre o caso. Segundo nota, após ser comunicado da tentativa de golpe, a equipe entrou em contato com todos os familiares de internados. A informação que obtiveram é de que pelo menos sete famílias disseram ter sido contatadas pelo mesmo médico.

De acordo com a gestora do hospital, Ilse Barboza, o setor de Tecnologia da Informação do HEM foi alertado para identificar possível vazamento de informações através de um rastreamento interno. No entanto, nada foi detectado. “Trabalhamos com o sistema Tasy que faz um rastreamento interno total de quem acessou o sistema e de que setor, e nada foi encontrado. Desta forma descartamos que um funcionário nosso possa ter acessado o sistema”, afirma. Ela também ressalta que o hospital repassou à polícia o número do telefone que foi utilizado para a tentativa de golpe.

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