Por falta de hospitais gestantes de Guabiruba e Botuverá têm seus bebês em Brusque

Por isso, crianças são registradas como naturais do município

Por falta de hospitais gestantes de Guabiruba e Botuverá têm seus bebês em Brusque

Por isso, crianças são registradas como naturais do município

Há muito tempo não nascem mais guabirubenses e botuveraenses oficialmente. Isso acontece porque as duas cidades não tem estrutura hospitalar para realizar partos, por isso, todas as gestantes são encaminhadas para a unidade hospitalar de referência, que é o Hospital Azambuja, em Brusque.

Assim, as gestantes de Guabiruba e Botuverá, desde o início do pré-natal, já são orientadas sobre o parto que será feito na cidade vizinha. “Hoje nós dependemos de um município maior, nossa referência é o Azambuja”, afirma a coordenadora do Programa de Participação Integrada (PPI) de Guabiruba, Aline Deichmann.

Já quando há gravidez de risco, as gestantes de Guabiruba são orientadas a procurar o Hospital Santo Antônio, em Blumenau. “Se no pré-natal é identificado algum tipo de problema com o bebê, aí essa gestante poderá ter seu parto em Blumenau”, diz.

Em Botuverá, o processo é semelhante. As gestantes fazem todo o pré-natal e acompanhamento no município e, desde o início, são orientadas sobre o parto em Brusque. “A Secretaria de Saúde disponibiliza transporte na hora do parto, e faz toda a orientação a essas pacientes. Elas também tem um bom vínculo com o hospital, conhecem os profissionais”, explica a secretária de Saúde do município, Márcia Adriana Cansian.

Com isso, os filhos de guabirubenses e botuveraenses são registrados como naturais de Brusque. “Os pais até podem optar por registrar o filho no cartório de Guabiruba, mas a naturalidade será da cidade em que nasceu, de acordo com o hospital de nascimento”, ressalta Aline.
A secretária de Saúde de Botuverá explica que não nascem mais botuveraenses oficialmente, mas assim que uma criança com pais botuveraenses nasce, o hospital envia a informação para a Vigilância Epidemiológica da cidade, que faz o controle e inclui esses bebês nas estatísticas do município. “Depois do nascimento, o acompanhamento volta a ser realizado em Botuverá. Essas crianças não são botuveraenses no papel, mas tem todo o suporte e atendimento da nossa rede de saúde. Para nós, elas são botuveraenses”.

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[accordion][acc title=”Serviço não é viável”]

Um dos motivos para os dois municípios encaminharem suas gestantes para Brusque é a falta de estrutura. “Hoje, a nossa estrutura não permite, não temos condições de fazer parto. Nossa estrutura é muito antiga, e uma maternidade precisa seguir todas as normas da Vigilância Sanitária. Para oferecer esse serviço, precisaríamos ampliar o hospital, além da contratação de profissionais específicos”, justifica a supervisora da Associação Hospitalar de Guabiruba, Roseli Kohler.

 

O hospital do município existe desde 1980, e segundo ela, no passado, já realizou partos. “Antigamente, aqui se fazia partos, mas nós não temos registros de quantos nascimentos ou desde quando isso parou de acontecer. Sabemos porque tem pessoas que vem e dizem que nasceram aqui”.

 

Hoje, o hospital realiza apenas atendimentos clínicos, sem gravidade, e tem uma média de 1,4 mil atendimentos por mês.

 

Em Botuverá, a situação é ainda mais grave. O município não tem hospital, conta apenas com duas unidades de saúde, que obviamente, não tem capacidade para realizar partos. “A Unidade de Saúde do Centro é o antigo Hospital Municipal Willy Francisco Maestri, que foi desativado há dez anos. Era um hospital pequeno, sem muita estrutura e precisava de um suporte maior. Na época que o hospital funcionava eram realizados partos, inclusive, era o que mais movimentava a instituição”, lembra a secretária de Saúde.

 

Com o passar do tempo, as normas exigidas para que um hospital tenha o serviço de parto ficaram mais rígidas. Hoje, não basta o hospital ter apenas a maternidade, é preciso contar também com clínica geral e ala cirúrgica, por isso, para cidades do porte de Guabiruba e Botuverá, os nascimentos não são viáveis. “Hoje, a média é 150 mulheres grávidas em Guabiruba por ano, é um número alto, mas mesmo assim, não valeria manter o hospital com esse serviço”, destaca Aline.

 

A secretária de Saúde de Botuverá também alega o mesmo motivo. “Um município de pequeno porte não tem condições de oferecer este serviço, não podemos fazer parto se não for no hospital, por isso, não tem como”.

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[accordion][acc title=”Deslocamento não interfere”]

Márcia afirma que o deslocamento para o Hospital Azambuja não é um problema. “Nós oferecemos o transporte e, caso necessário, o Samu também faz esse atendimento. Não temos nenhuma situação de intervenção que precisou ser realizada nos últimos anos. As gestantes são bem orientadas durante o acompanhamento”, diz.

 

A secretária destaca ainda o pré-natal como auxílio às gestantes. “Elas fazem mais do que nove pré-natais, elas conhecem o hospital onde terão o bebê, formam um vínculo com os profissionais. O pré-natal bem feito auxilia muito no momento do parto. É claro que não tem como prever situações, mas dificilmente elas esperam entrar em trabalho de parto para só então ir ao hospital”.

 

Aline afirma que são raras as situações em que não dá tempo da gestante guabirubense chegar ao hospital. “Em 15, 20 minutos, elas conseguem chegar. Normalmente dá tempo, é claro que há sempre as exceções, mas em uma gestação normal, o deslocamento não prejudica. As gestantes de alto risco, o processo é outro, elas já vão para o hospital com antecedência”.

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