É da fábrica da Zen, no bairro Steffen, que saem peças que equipam motores de partida e outros equipamentos de milhões de veículos em todo o planeta. A indústria, já consolidada, é fornecedora de grandes montadoras, que atuam em mercados competitivos, como Estados Unidos e Índia.

Prova do DNA inovador da indústria brusquense é que os Ford Ka passarão a contar com uma nova polia desenvolvida pela Zen ainda neste semestre. “O conceito e toda a especificação é da engenharia da Zen. Com essa polia, conseguimos ser competitivos contra grandes multinacionais, tradicionais fornecedores deste produto”, afirma o presidente da Zen, Gilberto Heinzelmann.

A maior fabricante independente de impulsores de partida do mundo tem a difícil tarefa de manter-se competitiva no mercado automotivo nacional e internacional. Com fornecedores chineses, americanos e europeus em busca de contratos, esse segmento é um dos mais acirrados do mundo.

O presidente da empresa diz que a estratégia é investir constantemente em melhorias e na diversificação dos negócios. A inovação pode ser percebida de duas formas, explica o executivo.

A primeira delas é com o lançamento de novos produtos. “Estamos indo muito bem nesse segmento, com produtos que até pouco tempo atrás não existiam ou tinham uma participação muito pequena no nosso faturamento”, declara Heinzelmann.

Mas na indústria a inovação também é adotar novos processos. O conceito de eficiência por funcionário é bastante valorizado. Por isso, a automação ganha cada vez mais espaço.

É o famoso fazer mais com menos, principalmente em momentos de crise econômica. Atualmente, a Zen conta com cerca de 1 mil colaboradores e tem apenas uma unidade manufatura, a de Brusque.

Com a filosofia de inovar e adotar melhores métodos produtivos, mas sem desvalorizar os funcionários, a Zen ficou entre as 150 melhores empresas para trabalhar no Brasil, no ranking elaborado pela revista Você S/A, em 2016.

Por ser fornecedora da Bosch, da BorgWarner e da Valeo, estima-se que aproximadamente 70% dos automóveis circulantes – da Volkswagen, Ford e outras marcas – no Brasil levam algum componente fabricado pela Zen.


Zen está presente nos principais mercados automotivos do mundo

Um dos pilares da estratégia de mercado da Zen é a diversificação. A indústria atua tanto no segmento de reposição (aftermarket) quanto no de peças originais. Isso ocorre tanto no Brasil quanto no exterior.

A representatividade da exportação no faturamento da companhia tem crescido anualmente e hoje já ultrapassa os 60%, de acordo com o presidente. A Zen atua fortemente no mercado europeu, com distribuidoras para vários países, na América do Sul e na Ásia.

A Índia, um dos maiores mercados do planeta, é importante para a Zen. Da mesma forma, a empresa atua também nos Estados Unidos, onde faz a venda e a distribuição dos produtos fabricados em solo brusquense para toda a América do Norte.

“O México, em particular, é um país importante para nós tanto no mercado de reposição quanto no original. Temos clientes americanos com fábricas no México”, explica Heinzelmann.

O pensamento por trás da diversificação entre original e reposição, exportação e mercado nacional, é não sofrer em tempos de crise. Quando a situação está difícil no Brasil, tem-se os clientes no estrangeiro, e vice-versa.

Essa estratégia foi fundamental para que a Zen não sofresse tanto com a crise financeira nacional nos últimos três anos. A indústria tem registrado crescimento desde 2014, contudo, abaixo dos percentuais esperados quando o planejamento estratégico foi feito.

“Esse crescimento poderia e deveria ser muito maior, e é nesse contexto que entra o aspecto da crise”, afirma o presidente. A indústria automobilística nacional registrou números negativos nos últimos anos, o que tem impacto direto na Zen.

A indústria brusquense fornece peças para o mercado original, ou seja, para a fabricação de veículos novos. Mas, por exemplo, em 2016, esse mercado registrou queda de 11% na produção de automóveis, de acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).


Zen foi fundada por irmãos brusquenses em São Paulo

A história da Zen começou em 1960, em São Paulo. Os irmãos Nelson e Hylário Zen, então estudantes de curso técnico, abrem uma fábrica de 12 metros quadrados para produzir peças para rádio.

Três anos depois, começam a produzir os impulsores de partida, até hoje o carro-chefe da indústria. “A Zen nasceu da visão e do empreendedorismo do seu Nelson e do seu Hylário”, comenta Nelson Zen Filho, integrante da segunda geração da família e membro do Conselho de Administração.

“Eles começaram praticamente do nada. Foram investindo, com pouco estudo, num fundo de quintal, mas com muita luta e muito desempenho conseguiram”, completa.

Em 1973, a Zen havia crescido e era necessário expandir. Sem espaço em São Paulo, os irmãos Zen resolvem voltar para Brusque, sua cidade natal, e abrem a indústria. Até 2004, a empresa chamava-se Irmãos Zen, e depois passou para Zen SA.

Heinzelmann, atual presidente, diz que Brusque foi fundamental para que a indústria crescesse aos patamares atuais. Ele destaca que a cidade soube se reinventar quando as grandes fábricas têxteis faliram.

Em vez de virar apenas a história de uma cidade outrora pujante, Brusque voltou a crescer, desta vez com pequenos e médios empresários. “Tem toda uma pujança de pequenas e médias empresas, isso não é o que aconteceu em outros lugares”, afirma.

Brusque também se tornou um polo no segmento automotivo, com diversas indústrias do setor na cidade. “Muitas dessas empresas, se hoje existem, é por herança da Zen”, diz o executivo.

Para ele, o ambiente de Brusque foi fundamental para que a empresa crescesse. Por aqui, a mão de obra é melhor e mais especializada. O índice de escolaridade é maior, e o brusquense é mais comprometido.

A localização também é estratégica pela infraestrutura. Por atuar na exportação, a empresa depende de portos. Há cinco deles em Santa Catarina, e o de Itajaí fica a poucos quilômetros de distância, por exemplo.

Por esses motivos, não existe possibilidade de a Zen deixar a cidade, diz o executivo. “Qualquer plano futuro de manufatura no Brasil, será em Brusque”, declara.

Heinzelmann é o atual presidente, mas não tem qualquer parentesco com a família Zen. Ele faz parte da nova era na indústria, com a gestão profissionalizada e externa. Hoje, os Zen são os controladores da companhia, mas não a administram no dia a dia.


Indústria profissionalizou a gestão nos anos 2000

Nelson Zen Filho trabalhou como diretor e presidente da Zen entre 1983 e 2015. Atualmente, ele forma o Conselho de Administração junto com o irmão Antônio e os primos André e Janete. Outros três executivos externos, de multinacionais, integram esse conselho independente.

Nelson Zen Filho faz parte da segunda geração família dona da empresa

O processo de governança corporativa realizado no início dos anos 2000 foi um dos fatos mais importantes da história Zen. Ele marcou o início de uma nova era: com executivos experimentados nos mercados mais competitivos à frente da indústria.

O Conselho de Administração foi criado em meio a este processo, e dele fazem parte sete integrantes. Eles se reúnem mensalmente com a diretoria da indústria para avaliar os resultados, números e se as metas foram alcançadas.

O conselho fica acima da própria presidência da Zen. Faz parte de suas atribuições até mesmo substituir os diretores ou o presidente, se os resultados não forem atingidos. Mas não é o caso, ressalta Zen Filho.

“Tem funcionado muito bem. Entendemos que o conselho está muito profissional”, afirma o conselheiro e membro da segunda geração dos Zen.

“Hoje, só temos profissionais que não são familiares na gestão da empresa. Mas a Zen pertence 100% à família”, explica. Os acionistas também se reúnem em um fórum todos os meses.

Exemplo dessa nova fase é o próprio Gilberto Heinzelmann, que veio há seis anos para a Zen depois de atuar na Embraco, de Joinville. Ele trouxe consigo a experiência como executivo da empresa de produtos da linha branca, cujo mercado é bastante concorrido.

Um dos pontos centrais da governança na Zen foi evitar que o parentesco prevalecesse na escolha dos gestores.  O primeiro critério é se a empresa estar precisando de um profissional desse perfil. O candidato passa pelo crivo do conselho, o que não é usual com outros profissionais”, diz Zen Filho. 

Atualmente, apenas um integrante da terceira geração da família trabalha na Zen, mas ele não tem linha de comando. Atua na área de engenharia de processos e passou pelo crivo do Conselho de Administração.

Zen Filho avalia que a decisão de profissionalizar a gestão foi acertada e hoje mostra resultados. Ele ressalta que a estratégia de diversificar as vendas entre mercados original e de reposição nacional e externo deixa a companhia menos suscetível às nuances econômicas.

“O faturamento mais ou menos se equilibra nesses quatro pontos. Isso faz com que a empresa consiga se manter conforme os ciclos de crise no Brasil ou lá fora”, diz o conselheiro.

Mas para conseguir se manter nesses mercados, a Zen investe constantemente em inovação e melhoria de processos. Há poucos anos, tinha mais de 1,2 mil funcionários, hoje, esse número caiu para cerca de 1 mil.

“Isso é necessário para reduzir custos em um mercado cada vez mais exigente. A redução de custos se dá pela automação e melhoria de processos”, explica Zen Filho. Com essa filosofia, a Zen atingiu os níveis mais altos de qualidade e é reconhecida como a maior fabricante independente mundial de impulsores de partida.

A companhia já foi eleita uma das melhores para se trabalhar no Brasil e também recebeu uma série de prêmios, da General Motors, de quem é fornecedora desde 2010, e também da Bosch, por exemplo.

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