Presentes em quase todos os bairros, mercadinhos de Brusque mantêm clientela fiel

Sebrae estima que existem 400 mil estabelecimentos deste tipo em todo o país

Presentes em quase todos os bairros, mercadinhos de Brusque mantêm clientela fiel

Sebrae estima que existem 400 mil estabelecimentos deste tipo em todo o país

É praticamente impossível encontrar um bairro que não tenha um mercadinho de portas abertas para facilitar a vida dos moradores. Este tipo de estabelecimento é descendente direto dos antigos armazéns e, mesmo com grandes redes de supermercados na cidade, conseguem sobreviver e manter uma clientela fiel.

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De acordo com levantamento do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), existem mais de 400 mil mercadinhos espalhados em todo o país.

As características desses estabelecimentos são muito semelhantes. São administrados, em sua maioria, por famílias e já possuem uma história longa com o bairro onde estão inseridos, atuando há, pelo menos, 15 anos, e sempre no mesmo lugar.

No bairro Santa Luzia, o Mini Mercado Dalmarco já atua há 30 anos. Foi um dos primeiros estabelecimentos da região e, segundo o proprietário, Valcemir João Dalmarco, 54 anos, começou como um armazém e depois se transformou em mercadinho. “Meus pais que abriram o mercado. Eu me criei aqui dentro e sempre ajudei eles. Hoje já existem outros estabelecimentos semelhantes ao meu aqui no bairro”, conta.

A venda no caderninho era bastante comum no estabelecimento anos atrás. Atualmente, o mercadinho se modernizou e a maior parte das vendas é feita com o cartão de crédito ou débito.

O Mini Mercado Dalmarco tem seis funcionários e dois caixas para atendimento e, segundo o seu proprietário, a maior parte dos clientes faz compras para o dia a dia no local. “Eles vêm aqui comprar o que falta em casa, pão, leite, carne. Sempre tem movimento”, afirma.

No Mini Mercado Macedo, no Cedrinho, a rotina é semelhante. O estabelecimento existe há 17 anos no mesmo lugar e é gerenciado pela família. São quatro funcionários e dois caixas para atendimento. O perfil das compras também é para o dia a dia: pão, leite, carne, frutas e verduras.

Dona Nena frequenta o Mini Mercado Primeiro de Maio quase todos os dias | Foto: Bárbara Sales

“Por ser um bairro distante, o pessoal vem muito comprar aqui porque não compensa ir para o Centro”, diz a proprietária, Sueli Macedo.

Desde o início, o minimercado vende no crediário, no famoso caderninho, mas também já aceita cartão de crédito e débito.

O Mini Mercado Primeiro de Maio é outro estabelecimento que já faz parte da rotina dos moradores do bairro. O mercadinho existe há 25 anos. Os atuais proprietários gerenciam o local há 11 anos.

Um dos proprietários, Ricardo de Souza Cardoso, destaca que o minimercado atende os moradores do bairro Primeiro de Maio, mas também recebe muitos clientes de passagem, já que está localizado no caminho para outros bairros e municípios.

O estabelecimento ainda vende no sistema do caderninho, entretanto, somente para os clientes mais antigos e conhecidos, não aceita mais o ‘fiado’ de novos clientes. “Tenho clientes de 94, 95 anos, que são antigos e tem esse costume de marcar. Então é natural, para eles ainda vendemos na confiança”.

Cardoso diz que tem clientes que vão no mercadinho todos os dias. Outros, pelo menos três vezes por semana. A maioria ele conhece pelo nome e mantém uma relação de amizade. “A gente acaba criando contato, não tem como. Eu cresci aqui no bairro, conheço muitas pessoas e o cliente vive aqui pela proximidade e facilidade de ter as coisas”.

Bem-humorada, dona Nena é uma delas. Ela é uma cliente fiel do mercadinho, já que mora em cima do estabelecimento e tem a praticidade de descer apenas alguns degraus para poder comprar o que precisa. “Eu estou sempre aqui. É um mercado muito bom, tem de tudo”, diz.

Mercadinhos conseguem manter clientela fiel nas suas localidades | Foto: Bárbara Sales

Localizado na rodovia Ivo Silveira, o Mercado Tandy tem seis funcionários e dois caixas que atendem, principalmente, os moradores da região do bairro Steffen. O mercado já existe há 15 anos, e desde setembro do ano passado é administrado por Marcos Lourenço Gomes, 32 anos.

Ele diz que alguns clientes chegam a fazer compra do mês no local, porém, a maioria vai mais vezes ao estabelecimento e pega o essencial para o dia a dia, principalmente carne. “Eu encontro muitos dos nossos clientes comprando frutas, verduras, arroz, feijão, produto de limpeza em mercados maiores e deixam pra pegar a carne aqui comigo porque é uma carne de açougue mesmo, muitos preferem”, diz.

Como o mercado existe há 15 anos, os clientes antigos têm a vantagem de poder utilizar o sistema do caderninho, principalmente os mais idosos que já têm esse costume de longa data.

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“Hoje já reduzimos. Quando assumimos, a carteira de fiado era grande, não se tinha muito controle. Hoje tem um limite e é só para os antigos. Quem quer comprar a prazo, criamos um cartão interno que foi uma maneira de manter o cliente, mas evitar grandes perdas, pois temos um controle maior”.

Realizado em 2015, o levantamento do Sebrae mostra que um em cada oito minimercados não chega a faturar R$ 5 mil em um mês. Um quinto deles se enquadram como microempresas e mais da metade não chega a ter mais do que quatro funcionários.

Na pesquisa, o Sebrae levou em conta pequenos negócios com até quatro caixas registradoras e faturamento anual de até R$ 4 milhões. A entidade estima que os mercadinhos respondem por 6% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e 35% das vendas do setor supermercadista.

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