Na rua Orlandina Romani Vicentini, no limite entre os bairros Lageado Baixo e Planície Alta, está o Pesque e Pague Vicentini, desativado há anos. Dentro do terreno, já sem acompanhamento regular, estão as Cachoeiras do Vicentini, local que ainda atrai bastante público pelas belezas naturais.

De acordo com Ivan Fischer, membro da Associação de Ecoturismo, Preservação e Aventura do Vale do Itajaí (Assepavi), é simples chegar ao local. “O acesso é pela rua Planície Alta, descendo a rua depois da rotatória da Guabiruba Sul. Quando chega na terceira curva na estrada, que é de chão batido, existe uma parte maior, uma curva mais larga. É ali que as pessoas deixam o carro para acessar as cachoeiras.”

Ele lembra que também é possível fazer o acesso por meio da cachoeira do Zimmermann, através de canyoning, com as medidas adequadas de segurança, e também pela propriedade da família Vicentini, no antigo pesque e pague.

Usina hidrelétrica operou no local no início do século passado; na imagem, trabalhadores em 1912 | Foto: Osmar Vicentini

De acordo com o historiador Roque Dirschnabel, a denominação Vicentini para as cachoeiras é equivocada. “Trata-se das oito quedas do ribeirão Planície Alta, que hoje passam pelas terras da família Vicentini, até pouco tempo atrás conhecido por Pesque e Pague Vicentini.”

O contexto histórico das quedas d’água, que chegam a até 25 metros de altura, remonta ao início do século XX, quando Guabiruba ainda pertencia ao território de Brusque. O empresário João Bauer importou tecnologia alemã para instalar, nas oito quedas, aquela que é considerada a primeira usina hidrelétrica de Santa Catarina.

De acordo com Osmar Vicentini, membro da família dona das terras, o local foi comprado em meados do século XX pelos Vicentini para a instalação de uma fazenda, que prosperou por muito tempo, inclusive com a criação do pesque e pague. No entanto, quem mais tocava as atividades era o irmão mais novo de Osmar. Depois de seu falecimento, as terras foram fechadas e ficaram esquecidas, sem a administração e os cuidados de antes.

Apesar da situação de abandono e dos rumores sobre uma possível reabertura, muitas pessoas ainda se aventuram pelas oito quedas d’água, fazendo o acesso por trilhas. Não há sinalização nem instrutores. Para maior segurança, é recomendável consultar a Associação de Ecoturismo, Preservação e Aventura do Vale do Itajaí (Assepavi).

Luz a Brusque
A inauguração da usina hidrelétrica ocorreu em 13 de novembro de 1913, mesmo dia em que João Bauer completava 64 anos de vida. A casa de máquinas tinha uma área de apenas 40 metros quadrados, onde ficavam as turbinas e geradores com 135 quilovoltamperes (kVA) cada um, em um total de 270 kVA.

Diretor de Turismo, Andrei Müller, acompanha o estado do local | Foto: Andrei Müller/Arquivo pessoal

Os 14km de fios tinham capacidade de transportar 5 mil volts até a estação distribuidora, construída no início da rua das Carreiras, atualmente a rua Hercílio Luz, no Centro de Brusque. Na vila, os postes de ferro foram levantados nas ruas: Barão de Ivinheima (Carlos Renaux), Carreiras (Hercílio Luz), Conselheiro Willerding (Rui Barbosa), Lauro Muller (parcial), Barão do Rio Branco (parcial) e 15 de Novembro.

A instalação da energia elétrica possibilitou a modernização da produção têxtil e os trabalhos noturnos regulares. Porém, com o aumento do consumo, a usina enfrentou problemas no fornecimento da energia. Em 1921, Bauer recebeu proposta da Empresa Força e Luz Santa Catarina, com sede em Blumenau. A venda foi concretizada em 12 de agosto.

Serviço

Cachoeira Vicentini
Endereço:
 Rua Planície Alta, bairro Planície Alta
Acesso: Pela rua Guabiruba Sul, seguindo pela rua Planície Alta
Nível de dificuldade: Médio
Riscos: Moderados, atenção necessária
Sinalização: Não possui


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