Procura por produtos sem lactose aumenta em Brusque

Preço do produtos é mais um obstáculo para intolerantes

Procura por produtos sem lactose aumenta em Brusque

Preço do produtos é mais um obstáculo para intolerantes

Não bastasse o mal estar físico causado pela ingestão de alimentos com lactose que impede o consumo, as pessoas que têm intolerância também sofrem com o preço dos produtos especializados. Alguns deles chegam a custar o dobro do alimento normal. As explicações estão na demanda dos produtos, na grande quantidade de ingredientes que são colocados e também na exigência de ambientes especiais para a produção.

A empresária Neucimar Fachini, de 47 anos, descobriu a intolerância à lactose há cinco anos após a realização de exames. Ela conta que apenas procurou o médico quando os incômodos gastrointestinais, como cólica, aumentaram. Após a descoberta, ela abdicou por algum tempo de produtos à base de leite. Durante o período, a empresária emagreceu quatro quilos.

“Eu pensava no que poderia comer e ficava muito triste porque não tinha opção. Logo que descobri, não tinha tanta opção no mercado, eram poucas. Agora tem muitas opções, mas o problema é que continuam muito caras. Fatias de queijo, por exemplo, custam R$ 8,00. Assim, meus custos mensais aumentaram bastante”, conta.

Há pouco mais de quatro meses, o médico de Neucimar receitou um medicamento que age como a enzima que absorve a lactose no organismo. Desta forma, ela consegue ingerir determinadas quantidades de alimentos que contenham lactose.

Assim como a empresária, a analista fiscal Letícia Sapelli, de 27 anos, também faz uso de medicamento semelhante. Ela descobriu a intolerância à lactose há quatro anos após sofrer de sintomas como inchaço abdominal, enjoo e tontura. Letícia conta que quando os exames apontaram a intolerância, ela teve de ficar três meses sem consumir alimentos com lactose para desintoxicar.

“Cada pessoa sente intolerância de alguma forma. Com a minha, eu consigo consumir pequenas quantidades diárias de alimentos com leite. Mas quando eu vou em uma festa ou em uma pizzaria, eu tomo o medicamento para poder consumir um pouco mais” diz.

Além do incomodo de ter de controlar a alimentação, a analista fiscal também reclama dos valores dos produtos. De acordo com ela, por vezes é mais em conta financeiramente tomar o medicamento em vez de comprar produtos sem lactose. Letícia afirma também que a quantidade de produtos aumentou nos últimos anos.

“Logo que eu descobri não tinha nada no mercado. Agora tem. Só é mais complicado encontrar bolachas”, afirma. “Outro problema é sair pra tomar café aqui em Brusque. Aqui não tem nenhum local que serve sem lactose”, lamenta.

Legislação não obriga mercados a separar mercadorias

Enquanto alguns estados, como o vizinho Paraná, têm legislações específicas que obrigam os supermercados a separarem em espaço específico produtos diet, light, sem glúten e sem lactose, Santa Catarina segue com projeto de lei em tramitação na Assembleia Legislativa desde 2013.

No estado, apenas duas leis relacionadas a intolerâncias alimentares foram sancionadas. A primeira em 2002, que instituiu o “Dia Estadual dos Celíacos” em 27 de setembro. E a segunda também em 2002, que declarou como utilidade pública a Associação dos Celíacos do Estado de Santa Catarina, em Florianópolis.

Já na federação, a lei mais importante para os intolerantes entrou em vigor em maio de 2003. A matéria obriga os fabricantes a informarem nos produtos alimentícios comercializados sobre a presença de glúten como medida preventiva e de controle da doença celíaca.

Mesmo sem o legislação que obrigue a criar um espaço específico dentro do supermercado para produtos sem lactose e sem glúten, o Archer organiza estes alimentos juntos em estantes específicas.

“Os nossos próprios fornecedores nos aconselham a colocar os alimentos num departamento específico. Só alguns produtos, como o leite e os gelados deixamos junto com os produtos normais. É importante ter um lugar assim para facilitar a vida do consumidor”, explica o gerente de compras do Archer, Udo Wandrey.

Ainda segundo ele, o estabelecimento tem cerca de 500 itens sem glúten e sem lactose cadastrados. O número, assegura, tende a crescer e chegar mil nos próximos meses devido ao aumento da produção das empresas. Com isto, Wandrey afirma que os preços devem diminuir. Atualmente, no Archer, os produtos específicos são de 20% a 25% mais caros do que os normais.

No Bistek, por outro lado, ainda não há departamento especial para os alimentos. No entanto, o gerente comercial Evandro Bez afirma que a diretoria enviou projeto solicitando a implantação do espaço em algumas unidades do Bistek e, nos próximos meses, Brusque também deve ser contemplada.

“A procura por esses produtos é muito grande. Aqui, enquanto não temos departamento, deixamos os produtos sem lactose e sem glúten perto dos mesmos produtos normais. É muito importante ter um local específico para organizar essa linha de produtos”, diz.

A intolerância

O gastroenterologista José Cyro de Mora Gomides explica que a intolerância à lactose pode se manifestar em qualquer idade da vida. Porém, ela sempre existiu no organismo do intolerante. A intolerância geralmente se manifesta, explica, após alguma doença ou virose que destrói a flora intestinal. Ainda segundo o médico, 70% da população mundial é intolerante e a intolerância não ocasiona doença mais grave, como câncer ou infecção intestinal.

A empresária Neucimar Fachini, de 47 anos, descobriu a intolerância à lactose há cinco anos e, desde lá, passou a gastar mais
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