Professora brusquense é homenageada pela Fiesc a pedido de pais

Cleidi Tarter Wilke, professora do Sesi Escola, realiza trabalho diferenciado com seus alunos

Professora brusquense é homenageada pela Fiesc a pedido de pais

Cleidi Tarter Wilke, professora do Sesi Escola, realiza trabalho diferenciado com seus alunos

“Cada um tem um dom, o meu é esse”. Assim a professora do Sesi Escola de Brusque, Cleidi Tarter Wilke, de 40 anos, define a sua paixão por ensinar. Pedagoga formada em 2008, há cinco anos ela trabalha no Sesi com Educação Infantil e desde maio é responsável por 17 alunos do período vespertino, com idades entre dois anos e meio e três. A professora recebeu na semana passada, em Florianópolis, uma homenagem da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) pelas ações desenvolvidas com os alunos. O prêmio faz parte da campanha Pais pela Educação, no qual os familiares contam como tem sido a experiência de participar da vida escolar dos filhos. Cleidi diz que o reconhecimento é motivo de orgulho e que a valorização do professor pelos pais não tem preço. “Não é todo dia que um educador da rede infantil é homenageado. As crianças precisam sentir a mesma segurança que têm quando estão com os pais e é isso que buscamos, fazer com que sintam que possam contar conosco”. A professora afirma que os docentes de Educação Infantil não são vistos como professor, mas como um cuidador de crianças. “Muitos esquecem que a base é aqui”. Ela conta que a maioria dos pequenos está pela primeira vez na escola e que os pais não sabiam o que os filhos faziam no ambiente. “Buscamos uma proposta pedagógica que envolvesse os pais com a escola, para que eles pudessem ficar mais perto do dia a dia de seus filhos”.

Atividades

A professora explica que uma aula das 12h30 às 18h45 é dividida em vários momentos. Acontecem atividades no parque, exercícios psicomotores, as crianças cantam músicas, pintam com lixa de parede e com giz. “Todo dia é um exercício diferente, onde eles interagem, aprimorando o seu lado social e cognitivo”, explica. Cleidi diz que o que vale a pena não é o que os alunos dizem, já que eles ainda falam pouco, mas os sentimentos que eles demonstram. “São muito amorosos. Como somos carinhosos com eles, são conosco. Nos abraçam e beijam. Fazem surpresas e nos imitam, pois somos os espelhos deles”. Ela também afirma que todos os professores do Sesi Escola trabalham com amor e são dedicados, e ficaram felizes pela homenagem. Para Graciela Possobom Raimundi, educadora de crianças de um a dois anos do vespertino, o trabalho que Cleidi faz é visível. “Nunca tínhamos recebido uma homenagem. A escola tem essa sensibilidade e faz atividades bem diversificadas. É uma motivação a mais para continuarmos”, ressalta. A auxiliar de sala, que trabalha diretamente com Cleidi desde maio, Fabiana Elisa Gomes, diz que com o incentivo dos pais é possível realizar um trabalho melhor a cada dia. “E a professora traz os pais para perto dos filhos e da escola”, afirma.

Inclusão

Guédria Baron, mãe do aluno Davi, foi quem escreveu a carta sobre o trabalho da professora do Sesi e entregou ao presidente da Fiesc, Glauco José Côrte, em uma visita a Brusque. Ela conta que em janeiro deste ano descobriu que o seu filho, de dois anos e sete meses, faz parte do espectro autista, e é na escola, com a ajuda da Cleidi, que ele tem melhorado. Guédria diz que a educadora promove atividades interativas com as crianças e com os pais. “Nós pais não nos importamos com a sujeira na roupa. Nós não nos importamos com as práticas pedagógicas e nem com os objetivos das atividades. Aos dois anos nós queremos apenas que nossos filhos sejam felizes, respeitados e, se possível, tratados com afeto”, afirma. Cleidi diz que assim que soube da necessidade de Davi, procurou por livre vontade acompanhar de perto o caso e participou de três consultas com ele e a família. Ela conta que quis entender para saber como falar e interagir com ele e como fazer com que as outras crianças interajam com o colega. Hoje, Davi está mais falante e interagindo mais com os colegas. “Não vejo como um problema, com diferença. É preciso sim ter um outro olhar, mais humano”.

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