Quando chega o inverno, aprisiono meu corpo entre as diversas camadas daquela lã grossa que pinica minha pele. A ausência de voz transforma a comunicação verbal uma missão impossível, então também sou prisioneira do silêncio forçado. Minhas mãos ficam rígidas em consequência da diminuição do fluxo sanguíneo e então, aprisiono também as minhas palavras, impedindo-as de vagar entre as páginas de papel em branco.

Quando chega o inverno, aquele café das 6h se torna mais quente, o sabor fica mais forte e até sua cor parece mais densa. Às vezes, nesse primeiro café, coloco pouco leite e me permito observar a neblina pela varanda ou pela janela da cozinha.

Quando chega o inverno, as noites parecem mais longas e quanto mais longas, mais eu me enrolo no cobertor. Quanto mais longa a noite, menos vontade eu tenho de dormir. Mais eu bebo chá e café, mais eu me perco entre os parágrafos de um livro qualquer ou entre aqueles desenhos inacabados que eu juro, um dia irei terminar.

Quando chega o inverno, meus olhos varrem as redondezas em busca de um cantinho onde o sol esteja mais intenso. No final do dia procuro um horizonte distante e observo o céu mais lindo do ano. Azul, rosa, laranja, vermelho, amarelo, lilás…. É tanta cor, tanta beleza numa coisa só.

Quando chega o inverno, paro em cima da ponte e observo o curso das águas do rio. Observo como o verde das árvores parece tão mais intenso e, quando possível, eu escrevo.

Alice Ádna Ferreira
– 18 anos – Comércio Exterior da Univali

Quando chega o inverno, aprisiono meu corpo entre as diversas camadas daquela lã grossa que pinica minha pele. A ausência de voz transforma a comunicação verbal uma missão impossível, então
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