Pe. Adilson José Colombi

Professor e doutor em Filosofia - padreadilson@omunicipio.com.br

Religião e fé são sinônimos?

Pe. Adilson José Colombi

Professor e doutor em Filosofia - padreadilson@omunicipio.com.br

Religião e fé são sinônimos?

Pe. Adilson José Colombi

Poucas semanas atrás já escrevi algo a respeito de Ciência e Fé. Hoje, pretendo abordar outro aspecto da fé. Sua relação com a Religião. Daí, a pergunta que serve de título dessa crônica. É evidente e sempre é bom frisar, dentro dos limites desse pequeno espaço jornalístico, sob minha responsabilidade semanal (e, já, se vão várias semanas, anos…). Será que é possível estabelecer alguma relação entre essas duas realidades: Fé e Religião? São sinônimos, isto é, se equivalem? Ou dá para fazer uma distinção entre ambas? O que pensa o caro leitor e a estimada leitora?

Vejamos algo a respeito. Boa parte das pessoas, mesmo de cristãos (ãs), quando se fala de Cristianismo, logo se pensa numa das Religiões da Humanidade. Não se leva em conta outro modo de ser considerado. Basta olhar com mais atenção, a maneira como Jesus de Nazaré se relacionou com a Religião do seu tempo. Por palavras e gestos, nos Evangelhos, Jesus é apresentado como alguém que mantém certa distância da Religião de seu tempo. Certas posturas da Religião do seu tempo que eram tidas como fundamentais são relativizadas (Templo, Sábado, Autoridades Sagradas, Tradições religiosas…) em prol da prioridade no atendimento ao ser humano necessitado, como testemunham várias passagem do Evangelho.

Sua Proposta fundamental – Anúncio e construção do Reino de Deus – a Boa Nova, trazida da parte do Pai não está voltada para exposição de novas doutrinas, leis, ritos, prescrições religiosas…, mas, para a misericórdia, o perdão, a partilha dos bens, a paz, a justiça, o amor dentro da sociedade. Por isso, o relacionamento com Deus, o ser humano jamais pode descartar o seu semelhante, nem mesmo ignorar a sua situação vivida por ele. Para Jesus, o sagrado era o próprio ser humano (Lc 10, 25-37; Mt 25, 31-46). Foi justamente esse posicionamento que lhe trouxe muitos problemas com as autoridades religiosas do seu tempo.

Creio que, depois dessas considerações, já dá para perceber que Religião está relacionada principalmente com doutrinas, normas morais, ritos, autoridades que se organizam, em torno de uma instituição social, servindo de base para a vida religiosa de um grupo social. Assim, vão se distinguindo os vários grupos com suas religiões. Quem quiser fazer parte tem que aderir e ser fiel à prática desse conjunto de elementos religiosos.

Desta forma, vai se criando uma distinção entre o que do âmbito religioso daquele que pertence à esfera do profano, do humano. Portanto, da vida efetiva, concreta do ser humano. Daí, com frequência, as Religiões vão se distinguindo entre si e por vezes se tornam até rivais, provocando até conflitos, onde o ser humano não é considerado como digno de amor, pelo contrário, é até odiado e morto.

Jesus não se alinha com essa visão, ao contrário, jamais separa o religioso do humano. O que vale e conta é a vida do ser humano, como um todo, sem dualismos que descaracterizam o ser humano. Por isso que é impossível, na visão de Jesus e de sua Proposta de vida (o Reino de Deus) separar Fé e Religião ou Fé e Vida. Assim, a Fé consiste num encontro pessoal com Jesus e adesão à sua Pessoa e Proposta de vida, como resposta consciente e livre ao convite de Deus, em Jesus Cristo, de colocar sua vida, em parceria com Ele, na Construção do Reino de Deus, nos vários ambientes humanos.

A Fé, portanto, implica uma entrega confiante e total ao Deus de Jesus Cristo que vai estruturar a vida do ser humano cristão (ã). Aí, está o diferencial, o fundamental do modo de vivenciar a fé cristã ou o Cristianismo. A fé, portanto, é muito mais do que pertencer ou realizar, inclusive rigorosamente, todas as práticas cristãs. A Fé atinge a totalidade da pessoa humana, aceitando e aderindo a Jesus como Caminho, Verdade e Vida. As práticas cristãs são decorrências da Fé. Não são a Fé.

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