Representantes de entidades de classe de Brusque destacam quais as prioridades do segundo governo de Dilma Rousseff

Conheça os desafios para o próximo mandato

Representantes de entidades de classe de Brusque destacam quais as prioridades do segundo governo de Dilma Rousseff

Conheça os desafios para o próximo mandato

Reeleita no domingo, 26, com 54,5 milhões de votos, a presidente Dilma Rousseff (PT) terá pela frente uma série de desafios nos próximos quatro anos, sobretudo na área econômica. Ainda durante a campanha, a presidente chegou a anunciar que o atual ministro da Fazenda, Guido Mantega, não continuaria no cargo, caso fosse reeleita. “Eleição nova, governo novo, equipe nova, não tenha dúvida disso”, disse durante um evento de campanha ainda no primeiro turno.

A presidente também deixou claro que, se reeleita, fará mudanças na sua política econômica, inclusive com a redução de alguns benefícios que foram usados nos últimos anos para fomentar a economia. “Vamos continuar focados em emprego e valorização do salários”, disse.

No entanto, para o especialista em economia política, Sérgio Sebold, o novo mandato de Dilma deve atacar profundamente a questão da inflação, que afeta toda a sociedade. “Fora as questões macroeconômicas da inflação ela se estabelece sobre o grau de confiança dos agentes econômicos. Este é difícil de controlar, somente através de atitudes políticas consistentes e de longo prazo”, diz.

Segundo ele, para evitar que o país retorne à hiperinflação registrada nos anos 1980 e 1990, é preciso fazer uma série de investimentos. “Uma das saídas para tirar o país da estagnação é fazer investimentos maciços na infraestrutura, reduzir gastos na máquina administrativa e estabelecer uma equação dos juros primários, na busca do equilíbrio macroeconômico”.

Para Sebold, outro grande desafio de Dilma será o controle das contas externas. Segundo ele, o Brasil precisa manter a estabilidade da moeda que é o seu grande saldo positivo no exterior. “País sem saldo fica a mercê da especulação monetária internacional. O câmbio fica extremamente flutuante. Para isso, é necessário a busca de uma política agressiva de exportações para recuperar o terreno perdido. A única fonte de divisas atualmente que está garantido é o agronegócio. Mas este tem pouco valor agregado. Precisamos exportar produtos e serviços que contenham alto valor agregado”, destaca.

Ele também observa que o Brasil vem perdendo espaço no mercado internacional. “A insegurança se abateu sobre o importador do exterior. Na política externa é preciso buscar novas parcerias com países desenvolvidos. Quem negocia com rico só tem a ganhar, agora quem negocia com pobre acaba ficando mais pobre ainda. Infelizmente, este último é o caminho que as últimas administrações tem percorrido”.

Fiesc: volta da competitividade

Para Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), um dos principais desafios do segundo mandato de Dilma será fazer com que as indústrias voltem a ser competitivas. “Dilma se comprometeu a dar mais impulso à atividade econômica e, em especial, ao setor industrial. E o que que o setor industrial precisa no País? Precisa de condições que lhe permitam manter a competitividade. Para isso, nós precisamos de isonomia em relação aos nossos principais concorrentes, mas não se trata de fechar a economia do País porque isso seria um retrocesso”, analisa o presidente da entidade, Glauco José Côrte.

Ele destaca ainda outros pontos a serem trabalhados durante o próximo mandato. “O custo de produção, que é muito elevado, também temos uma legislação trabalhista que privilegia mais a lei do que o entendimento entre as empresas e os sindicatos, temos a questão da terceirização, que é importante e também a própria reforma política. São questões que devem fazer parte do plano estratégico do governo, logo de início, para que o país, de fato, volte a crescer nos anos subsequentes”.

Dentro da economia, Côrte também ressalta a alta carga tributária brasileira. “Nós precisamos iniciar um processo de simplificação do sistema tributário e, ao mesmo, de redução dela. Isso garantiria espaço para novos investimentos e para o crescimento da economia. Hoje, o industrial, ou qualquer empreendedor que se disponha a fazer um investimento, começa a pagar tributos já na fase de investimento, bem antes do início da operação da sua atividade”.
CDL: punição aos corruptos

Para o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Brusque, Altamir Schaadt, o principal desafio da presidente reeleita será o combate e a punição aos corruptos. “O governo federal deveria, em primeiro lugar, promover a integração do povo, eliminando todo o processo de corrupção que existe, e punindo os culpados com mais rigor”.

Ele também destaca que será preciso que o governo adote uma série de medidas para recuperar a economia. “É preciso pensar em medidas para que o Brasil possa ter melhores perspectivas de crescimento. Mudanças que proporcionem o crescimento do país, porque está muito estagnado. O governo precisa direcionar todas as verbas em locais que geram produtividade. O dinheiro precisa cair nos lugares certos”.

AmpeBr: redução da inflação

Para o presidente da Associação das Micro e Pequenas Empresas (AmpeBr), Luiz Carlos Rosin, o controle da inflação deve ser uma das primeiras atitudes do segundo mandato de Dilma. “A primeira medida do governo é ver quais as ferramentas que ele tem para estancar a inflação e fazer com que ela volte aos patamares ideais, porque hoje a inflação está sem controle”, diz.

Ele também destaca o planejamento para que o setor industrial volte à crescer. “A indústria vem decrescendo acentuadamente. Hoje, a participação da indústria no PIB é de apenas 13%, o setor está muito enfraquecido e teremos cada vez mais desemprego”.

O empresário elenca também as reformas políticas e tributárias como uma das ações de curto prazo a ser priorizado pelo governo. “Do jeito que está não dá para ficar. O sul, sudeste, por exemplo, geram uma arrecadação monstruosa para o governo federal, mas recebem muito pouco de volta. Em contrapartida, o nordeste produz pouco, mas tem um retorno grande. Também precisamos de uma reforma política, temos mais de 30 partidos que agregam muito pouco”.
AciBr: foco na indústria

O presidente da Associação Empresarial de Brusque (AciBr), Edemar Fischer, destaca que o principal desafio da presidente nos próximos quatro anos será cumprir todos as propostas apresentadas durante a campanha eleitoral. “É importante que ela cumpra todas as suas propostas e não deixe que fique só no papel. Esse é o principal desafio. Essa eleição foi diferente, cada um teve mais de 50 milhões de votos e ela não terá mais essa grande maioria. Se cumprir o que disse no discurso, já será bom para o país”, diz.

Ele ressalta também que o governo deverá olhar para indústria. “Durante o discurso, ela frisou as prioridades, e dentro dessas prioridades está as indústrias, a automação, simplificação de dados. Sem indústria não terá renda e emprego, que é a grande necessidade do povo brasileiro. Que os cursos lançados pelo governo sejam realmente para profissionalizar e capacitar cada vez mais”.
ABM: investimentos na saúde

Para o presidente da Associação Brusquense de Medicina (ABM), Denys Deucher Tomio, é preciso que o governo invista mais em saúde. “Esperamos que o governo invista, no mínimo, 10% das receitas brutas da União com a saúde e, assim, não deixem faltar medicações para a população, não deixem pessoas morrendo sem atendimento e também que voltem a dialogar com as entidades médicas para assim melhorar a saúde do povo brasileiro”, diz.

De acordo com ele, a categoria espera mais respeito do governo. “O governo vem tratando a classe médica com desrespeito e escolheram os médicos como os culpados pelos problemas com a saúde do Brasil. Sabemos que os problemas com a saúde vem de muito tempo, mas trazer médicos de outros países sem a devida qualificação não irá resolver todo o descaso de décadas com a saúde do povo brasileiro. É uma medida simplesmente eleitoreira e ineficaz. Esperamos do governo mais respeito e responsabilidade com a saúde da população brasileira, exigindo provas de qualificação para os profissionais que vem do exterior, o já existente Revalida”, destaca.

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