A reviravolta que pode fazer o Bruscão fechar ano sem dívidas

Dinheiro da negociação de Jorginho entra nos cofres e diretor financeiro é otimista

A reviravolta que pode fazer o Bruscão fechar ano sem dívidas

Dinheiro da negociação de Jorginho entra nos cofres e diretor financeiro é otimista

De uma provável dívida orçada em R$ 840 mil, o Brusque Futebol Clube deve fechar o ano com déficit zero. É o que afirma o diretor financeiro Rogério Lana. A mudança de perspectiva foi possível por meio da empreitada certeira do setor jurídico do quadricolor na negociação do meia Jorginho, que saiu do Napoli e fechou com o Chelsea em julho deste ano.

Por ser o clube no qual ele foi federado em seu início de carreira, o Brusque teve direito a uma pequena fatia do pagamento do time inglês, que fechou em R$ 1,88 milhões. Deste valor, 50% (R$ 940 mil) já caíram na conta do Bruscão em agosto. Os demais 50% serão pagos em duas parcelas, uma em agosto de 2019 e outra em agosto de 2020.

Do montante total, 20% (R$ 376 mil) são para o pagamento dos honorários advocatícios, e isso foi descontado dos R$ 940 mil recebidos, sendo que R$ 276 mil já foram pagos e os outros R$ 100 mil serão parcelados em quatro vezes, entre os meses de janeiro e abril de 2019.

Deste primeiro pagamento, restou ao Brusque R$ 664 mil que, segundo Lana, servirá para zerar o déficit. “Com mais o montante dos patrocinadores será possível alcançar esta conta de R$ 840 mil e o Brusque terá um 2019 diferente, sem dívidas, como há muito tempo não acontecia”.

“O Brusque é um time que joga Série A de Catarinense e tem como patrimônio um ônibus velho e quatro máquinas de lavar roupa. Precisamos evoluir”, Rogério Lana, diretor financeiro do Brusque Futebol Clube

Dinheiro fundamental
Se o valor da transação de Jorginho não surgisse nos cofres quadricolores, possivelmente o clube não participaria da Copa Santa Catarina. Lana diz que, inclusive, foi um dos diretores que era contrário à participação na Copinha. “Se fosse para gerar essa dívida de quase R$ 1 milhão, não teria como. Inclusive alguns patrocinadores foram contrários à participação”.

Mas os ventos sopraram a favor do quadricolor. Com o sinal positivo do Chelsea, o Bruscão pôde fazer contratações e seguir o planejamento para a competição o qual vem fazendo boa campanha e pleiteia o quarto título. Embora pareça confortável, porém, a situação financeira do Brusque ainda não é a mais adequada.

Conforme explica o diretor financeiro, os gastos mensais ultrapassam o que é arrecadado. Somando todos os patrocinadores, a receita do Brusque é de R$ 158 mil mensais, mas os custos são bem maiores. “Nós tivemos, só em janeiro, um gasto de R$ 380 mil. Em fevereiro foram R$ 470 mil. O dinheiro da TV e da participação na Copa do Brasil ajudou, mas mesmo assim a conta não fecha”.

A média de gastos mensais do Brusque em 2018 foi de R$ 270 mil. Por isso, o valor de patrocínio precisa ser elevado. “O nosso clube virou uma marca importante, cresceu, e estar associado ao Brusque agrega valor aos patrocinadores. Em 2019 precisaremos chegar, no mínimo, a R$ 200 mil mensais”.

Brusque no Profut
Além das despesas correntes serem totalmente pagas neste ano, antigas dívidas também vem sendo sanadas. É uma bola de neve que acompanha o clube desde os anos 1990, principalmente em termos de dívidas trabalhistas. Já para os débitos com a União o clube aderiu ao sistema chamado de Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro, ou Profut.

Mensalmente, o Brusque paga R$ 3,6 mil a este financiamento, que tem longo prazo e juros suavizados. O Brusque também tem gastos mensais com renegociação de dívidas trabalhistas, sendo que paga mensalmente R$ 11,5 mil para o Tribunal Regional do Trabalho do Rio Grande do Sul (TRT-RS) e R$ 7 mil para o Tribunal Regional do Trabalho de Santa Catarina (TRT-SC).

Busca de estruturação
Agora, com o orçamento mais equilibrado, Lana crê que é momento de o Brusque pensar grande. O clube, que completa 31 anos em novembro, ainda não tem uma estrutura considerada profissional. “O Brusque é um time que joga Série A de Catarinense e tem como patrimônio um ônibus velho e quatro máquinas de lavar roupa. Precisamos evoluir”.

Para dar esse passo adiante, já está em prática um projeto de captação de incentivos fiscais e outros recursos. O objetivo principal é aproveitar o terreno da Vila Olímpica, no bairro Volta Grande, e dar início à construção tanto do estádio quanto de um campo para treinamentos.

Pagamento pelo Jorginho

Parcelas do clube