Ritmo lento e falta de planejamento: obras de duplicação da rodovia Antônio Heil preocupam comunidade

O Município percorreu via nesta semana e identificou poucos trabalhadores na pista

Ritmo lento e falta de planejamento: obras de duplicação da rodovia Antônio Heil preocupam comunidade

O Município percorreu via nesta semana e identificou poucos trabalhadores na pista

O que era para ser motivo de comemoração virou preocupação. A duplicação de cerca de 20 quilômetros da rodovia Antônio Heil (SC-486), entre Brusque e Itajaí, foi alardeada pelo governo estadual como uma solução para a infraestrutura da região, mas três anos depois o cenário é de falhas no planejamento e execução.

O Município apurou junto a fontes ligadas ao governo estadual e engenheiros com conhecimento de causa que a obra já é vista como um problema. Se por um lado não anda como deveria, por outro, encerrar o contrato com o Consórcio Triunfo-Compasa é ainda pior e pode deixar os canteiros de obras largados por anos.

Veja também:
TSE manda excluir do Facebook vídeo de Luciano Hang em apoio a Bolsonaro

Carlos Renaux prepara retorno em grande estilo ao futebol profissional

Conheça a história da OAB de Brusque, que celebra 40 anos nesta sexta-feira

Atualmente, a maior reclamação é quanto ao ritmo “quase parado” da duplicação. A reportagem percorreu a rodovia até o entroncamento com a BR-101 ontem de manhã e verificou que o número de funcionários da construtora é reduzido: em torno de 20.

Máquinas de grande porte dificilmente são vistas. A exceção é o trecho perto do Motel Deorum, onde são implantadas galerias e há mais gente e maquinário.

Em vários pontos da rodovia o que se vê é trabalho prestes a ser terminado. Há, no Arraial dos Cunhas, algumas centenas de metros em que os ferros para a colocação da mureta central existem, mas o muro, não.

No Brilhante 2, um trecho ainda precisa ser duplicado | Foto: Marcos Borges

Ainda assim, o material de construção permanece ali parado, sem ninguém para usá-lo. O mesmo cenário é verificado em vários trechos.

Funcionários trabalhando são poucos, e geralmente em serviços menores, como limpeza e colocação de sinalização. Grandes intervenções não são visíveis.

Camila Dutra mora e trabalha em uma vinícola do Arraial dos Cunhas, em Itajaí. Ela acompanha as obras desde o começo.

A jovem avalia que a obra anda, mas não como deveria. Funcionários por ali são vistos poucas vezes.

Material está parado na pista | Foto: Marcos Borges

Ao lado da vinícola fica a loja do empresário Frank Nuss. Ele tem se envolvido intensamente com a questão da rodovia, já que a localidade é uma das mais prejudicadas pela paralisação.

O Arraial dos Cunhas fica de um lado da rodovia, enquanto que boa parte das atividades dos moradores fica do outro. Seriam necessárias passarelas, mas o projeto original não previu e agora a comunidade pede providências.

A Prefeitura de Itajaí, o governo do estado – por meio do Deinfra – e o Consórcio Triunfo-Compasa têm participado de reuniões para tentar chegar a um meio-termo. Foram feitas travessias elevadas como forma de minimizar o problema.

Nuss esteve na última reunião e tem acompanhado a situação. Ele avalia que a duplicação está dentro do cronograma apresentado aos moradores.

Apesar de considerar a obra dentro do prometido, o empresário também diz que tem poucos funcionários trabalhando. Em frente à loja dele, há aproximadamente uma semana estiveram alguns operários. Quando a reportagem esteve no local, não havia ninguém.

Obra de colocação de galerias, no Limoeiro, ocorre após duplicação| Foto: Marcos Borges

Moradores apontam falta de planejamento

Além da falta de passarelas, há outros pontos que precisaram ser revistos no transcurso da duplicação. Um deles, o mais atual e evidente, fica no Limoeiro, próximo ao limite entre Brusque e Itajaí.

Nas proximidades do mercado Super Progresso e do Hotel Eudóxio, a empresa executa a colocação de galerias. O detalhe, enfatizado por moradores à reportagem, é que o trecho havia sido duplicado há pouco tempo.

“É falta de planejamento e o pessoal está cobrando”, resume Everton Perin, funcionário de uma panificadora em frente à obra.

A proprietária do hotel, Karina Silva, sofreu financeiramente com a obra. Na primeira vez, ela conta que a calçada foi destruída e ela teve de tirar dinheiro do próprio bolso para recolocar os pavers e aterrar o lugar.

Meses depois, as máquinas voltaram ao mesmo ponto: agora para a colocação das galerias. O resultado foi que Karina teve de pagar uma pessoa para retirar os pavers, para que não fosse quebrado e ela tivesse que gastar de novo.

Natiele Santana Maurici, funcionária de um comércio nas proximidades, sofre as consequências da falta de planejamento nas obras. Ela volta do trabalho a pé e diz que “é muito perigoso”.

Criada para dar vazão ao trânsito rapidamente, a rodovia Antônio Heil começa a ter a sua finalidade deturpada. Após uma série de reclamações da comunidade, o poder público – município e estado – providenciou a colocação de várias travessias elevadas.

A obra ainda não foi inaugurada e já tem várias travessias elevadas, que deveriam ser passarelas para a população que vive nas margens. A velocidade média automaticamente cai e o fluxo de veículos cresce nas intersecções.

Deinfra nega paralisação da obra

O engenheiro Cleo Quaresma, responsável pela fiscalização por parte do Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra), informa que os pagamentos ao consórcio estão em dia e o dinheiro é garantido, já que é fruto de financiamento com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Perguntado sobre o fato de a obra estar praticamente parada, o engenheiro diz que a consultoria contratada – a Prosul – e a fiscalização acompanham os trabalhos.

O Município procurou o secretário de Estado da Infraestrutura, Paulo França, que também preside o Deinfra, para saber se o órgão pretende fazer algo sobre o ritmo vagaroso da obra.

Por meio da assessoria de imprensa, o Deinfra informou que está sendo executada a colocação das galerias neste momento. O órgão nega uma paralisação.

Atrasos
A duplicação é um sonho antigo da região. Após muitas reivindicações, começou em junho de 2015, um ano depois que o então governador Raimundo Colombo assinou a ordem de serviço.

Orçada em cerca de R$ 150 milhões, é uma das maiores obras do governo em Santa Catarina. Este fato tem sido ressaltado por Paulo França nas entrevistas e reuniões.

Veja também:
Havan está entre as 200 maiores empresas do Brasil, indica ranking da revista Exame

Procurando imóveis? Encontre milhares de opções em Brusque e região

Justiça marca primeira audiência sobre o assassinato de Bianca Wachholz

A obra era para ter ficado pronta no início do ano passado. De acordo com a Prosul, até julho deste ano, 90% do trecho já tinha recebido a terraplanagem e primeira camada de asfalto. E 84% já estavam pavimentados, ou seja, 17,5 km.

Falta pouco para a duplicação ser acabada no seu projeto original. Conforme previsão do Deinfra informada anteriormente, o novo prazo para término seria dezembro deste ano. Todavia, o prazo dificilmente será cumprido, conforme apurou O Município.

O empresário Frank Nuss, do Arraial dos Cunhas, revela que, em contato com os encarregados, a informação é de que, neste ritmo, a obra vai levar bem mais tempo para ser entregue completamente.

A reportagem entrou em contato com a Triunfo em Curitiba (PR), mas foi direcionada a procurar a empresa em Navegantes. Foi tentado contato reiteradamente com a empresa nos últimos dois dias, mas não houve retorno.

Colabore com o município
Envie sua sugestão de pauta, informação ou denúncia para Redação colabore-municipio