Um sabor que ficou marcado no paladar dos brusquenses é o das famosas balas Brusque. As balinhas vermelhas feitas com açúcar, água, corante e amendoim eram produzidas e vendidas na antiga Confeitaria Koehler, e feitas principalmente pelo padeiro José Bertolini, que aprendeu a receita alemã com o proprietário da padaria, Alfredo Koehler. Hoje em dia, os nostálgicos doces ainda são produzidos pelo neto do padeiro, Jean Carlos Bertolini.

A receita pertencia à família Koehler, que trouxe da Alemanha. “Quando abriram a confeitaria, começaram a vender, e meu avô, que era padeiro lá, aprendeu a receita”, conta o neto.

Por muitos anos, a bala deixou de ser fabricada, deixando saudades em quem cresceu com esse sabor. Mas, em 2004, Bertolini decidiu voltar a produzir o produto centenário. Não se sabe ao certo quando a Confeitaria Koehler começou a fazer e comercializar as balas, mas os primeiros registros datam de 1912.

Quando o padeiro José Bertolini se casou, a família Koehler vendeu a pequena fábrica de balas para ele. Elas eram produzidas na rua Hercílio Luz, próximo ao Clube Caça e Tiro, onde o avô de Jean fez as balas até a década de 1990.

Antes de Jean, seu pai, Osni, também fabricou a bala por um tempo. Após seu falecimento, o filho assumiu a produção, que, embora em menor quantidade, é mantida até os dias de hoje.

A produção é feita artesanalmente, e o doce leva cerca de uma ou duas horas para ficar pronto. Os pacotes são distribuídos em pontos de venda no município, como a Panificadora Bartz, que vende o produto há cerca de 40 anos.

Bala é vendida há mais de 40 anos na Panificadora Bartz | Natália Huf

Há mais de 40 anos
“A procura é boa, especialmente do pessoal que mora fora”, conta um funcionário da panificadora, um dos pontos de venda da bala. A cada duas semanas, a Bartz recebe o fornecimento do doce, que, por ser tão tradicional e tão presente na memória dos brusquenses, é bastante procurada no local.

Quem mais costuma pedir pela balinha, segundo o funcionário, são pessoas que já não moram mais na cidade, mas que cresceram em Brusque e tem na memória o sabor do doce, e também quem tem parentes em outros lugares, e levam os pacotinhos para matar a saudade de quem foi embora do município e ficou sem a bala.

“Teve uma pessoa esses dias que levou para um parente que mora em Brasília, e outro que ia passear no Peru e levou um pacotinho junto”, conta.

Michelle Kormann da Silva é uma das muitas brusquenses que cresceu saboreando a balinha. Para ela, as memórias gastronômicas nos remetem a bons tempos e tem o poder de nos fazer reviver momentos prazerosos.

“Me vem água na boca quando lembro que saía do escritório do meu pai, que era quase ao lado do Restaurante e Confeitaria Koehler, e me esticava nas pontas dos pés para alcançar o alto do balcão e pedir um pacotinho de balinhas. Ai, como era bom!”, relembra. Ela conta que prometia ao pai que só comeria após o almoço, mas sempre pegava uma do pacotinho, pois eram “muito irresistíveis”.

Ela lembra que as balas eram um prêmio, já que o pai não comprava todos os dias, e o pior era ter que dividir com os irmãos: “Contávamos bem certinho a mesma quantidade para cada um”.

Conforme Michelle ia crescendo, os pacotinhos começaram a ficar mais ao alcance da mão – porém, a alegria ao saborear o doce era a mesma de sempre. “O prazer de degustar aquela doçura tão especial, com aqueles pedacinhos de amendoim e sabor tão próprio, foi marcante. Essa memória gastronômica ainda me acompanha e, de tempos em tempos, fico de olho nas confeitarias da cidade, tentando achar um daqueles pacotinhos à venda. Quando eu encontro fico muito feliz e com certeza meu dia fica muito mais doce!”, diz.

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