Cinco anos é o tempo estimado para que o abastecimento de água em Brusque funcione sem intercorrências. A expectativa considera a conclusão da obra da Estação de Tratamento de Água (ETA) da Cristalina e o início da operação, além das demais ações realizadas pelo Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae).

Leitores entram em contato com a redação do jornal O Município constantemente para relatar falta de água. O assunto é publicado frequentemente no jornal, tanto sobre a falta do serviço, quanto das promessas para normalizar o abastecimento na cidade.

Em 2017, notícia publicada dizia que a ETA Cristalina, vista como a principal solução, seria entregue até 2021. Ao longo desses anos, diversos acontecimentos fizeram com que a obra, no ano em que seria concluída, ainda esteja na terraplanagem.

O serviço deve ficar pronto até novembro deste ano, para então ter início a execução da obra, que deve demorar 36 meses. Porém, pode haver atraso em caso de falta de materiais no mercado ou qualquer outro imprevisto.

O diretor-presidente da autarquia, Luciano Camargo, diz que a equipe tem estudado formas de solucionar os problemas existentes sem depender do funcionamento da ETA Cristalina.

A expectativa é de que o trabalho, somado à nova estação, garanta um abastecimento de água para os próximos 50 anos.Como a cidade tem muitos morros, há regiões com falta de água devido a esse aspecto.

“Essa situação da composição geográfica dificulta o abastecimento. Cada município tem sua peculiaridade, que vem desde a captação da água e a distribuição.”, comenta o diretor-geral da Agência Intermunicipal de Regulação do Médio Vale do Itajaí (Agir), Henrich Luiz Pasold.

Planejamento para garantir abastecimento

Até 31 de dezembro de 2033 os contratos de prestação dos serviços públicos de saneamento básico deverão definir metas de universalização que garantam o atendimento de 99% da população com água potável.

O diretor-geral da Agir, Henrich Luiz Pasold, diz que para atender a demanda, já existe o Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB), que, em tese, deve prever as prioridades do município, para que o serviço seja oferecido sem intermitências.

A aplicação do PMSB é fundamental, já que existem previsões do crescimento da cidade. “Em cima disso é que deve o planejamento trabalhar. A regra de ouro hoje é planejamento. A segunda regra de ouro é a execução do planejamento”, finaliza Pasold.

O diretor-presidente do Samae, que está no cargo desde janeiro, diz que está se inteirando das atividades do plano, para analisar o que foi feito até agora.

“Quero buscar lá atrás o que se passou, o que foi discutido, o por quê não foi para frente em determinadas situações, o que está pendente, para ver se dentro do corpo técnico do Samae eu consigo buscar uma explicação”.

Frentes de trabalho

Camargo diz que está atuando em diversas frentes de trabalho para solucionar os problemas de desabastecimento em Brusque.

A autarquia fará neste ano uma extensão de 9,5 quilômetros na rede de água partindo da Estação de Tratamento de Água (ETA) Central. O objetivo é reforçar o fornecimento de água nas regiões do Dom Joaquim, São João, Thomaz Coelho, Cedro Alto, Cedrinho, Jardim Maluche e Souza Cruz. Os serviços ainda não iniciaram por atraso na entrega do material necessário.

O Samae prevê a ampliação da ETA Central, para tratar 350 litros por segundo e evitar o desabastecimento quando a unidade atender mais regiões da cidade. Também estuda-se a implantação de um gerador de cloro para diminuir gastos e melhorar a qualidade da água.

Em oito meses, a autarquia pretende entregar melhorias no Ribeirão do Mafra e Volta Grande. Camargo explica que o Volta Grande terá uma estação compacta e o filtro utilizado nessa região levará para o Ribeirão do Mafra, para transformar em reservatório e elevar a capacidade de reserva para quase 1 milhão de litros. Isso dará margem para, quando ocorrer um problema na rede, o Samae tenha de 12 a 14 horas para solucionar o problema sem comprometer o abastecimento.

A turbidez é outro problema que Brusque enfrenta, pois interrompe o tratamento em algumas regiões. O diretor-presidente do Samae alega que são situações pontuais, principalmente por conta da chuva, e sujeira da própria rede.

“Vamos melhorar o tratamento do Volta Grande, que hoje, qualquer chuva que dá na cidade, o tratamento tem que ser interrompido e esperar baixar a turbidez”. Isso pode levar de quatro a seis horas. Com a melhoria, o sistema será capaz de tratar até o máximo nível de turbidez já registrado.

Camargo alega que as situações de água suja ocorrem em situações pontuais, geralmente por causa de alguma alteração na pressão da rede, empurrando sujeira da rede junto com a água.

A solução, de acordo com o diretor-presidente do Samae, é instalar mais pontos de descarga. “Ainda não estamos nem com 10% do que precisamos”, comenta.
Uma equipe de 14 encanadores ficará responsável por este serviço. O objetivo é que até o fim do ano todos os pontos exigidos pela lei estejam instalados.

A autarquia também fez uma revisão no cálculo da quantidade de produtos utilizados. “Junto com o produto e as descargas de rede, raramente alguém vai reclamar por água suja”, garante Camargo.

 

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