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Especialistas de Brusque alertam para a importância do diagnóstico precoce da esclerose múltipla

Doença não tem cura e demanda atendimento multidisciplinar

O Agosto Laranja é o mês de conscientização da esclerose múltipla, doença autoimune do sistema nervoso central que mais acomete jovens adultos no mundo. A estimativa é que 40 mil brasileiros vivem com esclerose múltipla.

Neste ano, o Hospital Azambuja, de Brusque, realizou dez atendimentos relacionados à esclerose múltipla.

Segundo especialistas, há um problema importante no diagnóstico da esclerose múltipla em suas fases iniciais porque os sintomas são bastantes sutis e podem se manifestar transitoriamente, com duração de até uma semana. Por conta disso, o paciente não dá a devida importância aos sinais.

A doença ocorre quando as células de defesa do organismo atacam e danificam os neurônios e suas conexões no cérebro e na medula espinhal, comprometendo assim as funções do sistema nervoso central.

“Anticorpos da própria pessoa passam a atacar a bainha de mielina, que é importante para a transmissão de impulsos nervosos. Quando ela é atacada ou destruída, surgem dificuldades de transmitir e, então, iniciam os sintomas”, detalha o neurologista José Sion Cantos.

O neurologista Osvaldo Quirino de Souza destaca que fatores hereditários e exposição a certos vírus, como Epstein–Barr, podem ser desencadeantes do processo inicial da doença, mas que as causas ainda são desconhecidas.

“Sinais e sintomas são perda visual súbita uni ou bilateral, fraqueza, fadiga, perda de força nos braços ou pernas, alterações esfincterianas como perder urina e fezes sem sentir e dormências ou formigamento nos membros ou face persistentes e alterações cognitivas como desatenção e perda de memória em pessoas jovens”, detalha Osvaldo.

Tipos da doença


Segundo Sion, a doença afeta mais as mulheres e surge, na maioria dos casos, entre os 20 e os 45 anos de idade. O tipo mais comum se chama surto-remissão, quando a doença se manifesta em crises ou surtos e que a recuperação, normalmente, não é total. Por isso, ao longo das décadas, a doença pode fazer com que o paciente acumule sequelas neurológicas.

Existem outros tipos, como o progressivo, que é bem diferente do surto-remissão, e costuma atingir a medula e causa dificuldades para andar, com perda de força nas pernas, e também incontinência urinária e fecal.

O diagnóstico é feito pelo quadro clínico e exames radiológicos, como ressonância magnética do cérebro e da medula e exame do líquido cefalorraquidiano.

“Frequentemente, a doença é confundida com outros problemas psiquiátricos devido ao tipo de manifestação, que, às vezes, acontece após um grande trauma ou estresse psíquico”, explica Osvaldo.

De acordo com Osvaldo, o dia a dia do paciente pode ser normal ou ser afetado dependendo da intensidade do surto da doença e do quanto o cérebro é a medula são afetados. A doença ainda não tem cura, mas, com acompanhamento médico, pode ser controlada, garantindo qualidade de vida ao paciente. Por isso, é muito importante o diagnóstico precoce para que o tratamento inicia o mais rápido possível.

Atendimento multidisciplinar


O tratamento do paciente com esclerose múltipla é multidisciplinar, com neurologista, oftalmologista, fisioterapeuta e psicólogos e educadores físicos e nutricionistas, mas pode envolver ainda outros profissionais como endócrino e infectologista, já que há, normalmente, alterações das funções motoras.

"O atendimento multidisciplinar é fundamental, pois cada profissional tem uma abordagem diferente e fundamental na reabilitação. Tem estudos que mostram que apenas a neuromodulação pode sim ter melhora, mas quando utilizado junto com a reabilitação (seja fisioterapeuta, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, psicólogo) o efeito é potencializado e vemos a melhora do quadro do paciente. Os profissionais que atenderão este paciente dependerão dos sintomas que ele apresenta", detalha a fisioterapeuta Fernanda Freitag Busnardo, mestre em neurologia e especialista em gerontologia.

Ela conta que a neuromodulação vem sendo um aliado importante na reabilitação de muitos pacientes neurológicos, tanto para potencializar a reabilitação, ganhar tempo, como melhorar quadros que apenas com a reabilitação não haveria a mesma resposta.

"Antes de iniciar o tratamento o profissional precisa avaliar este paciente para entender quais são as queixas funcionais, quais os principais sintomas que estão afetando o paciente e que causa incapacidade no seu dia a dia. Então o profissional irá determinar se é indicado ou não realizar a neuromodulação e quais pontos no cérebro podem ser estimulados. O protocolo é de 20 aplicações diárias, podendo haver algumas variações".

Esse tratamento melhora o equilíbrio, o caminhar mais seguro e firme, diminuição da rigidez, melhora do controle miccional (bexiga), melhora o humor, seja pelo quadro depressivo ou, ansiedade que pode desencadear devido a doença, e também proporciona melhor manuseio de objetos quando afeta os braços.

"Como toda doença, o quanto antes for diagnosticado e tratado, melhor a resposta ao tratamento. Com a neuromodulação a linha de pensamento é mais ou menos o mesmo. Apenas alguns sintomas como a depressão, devemos aguardar um tempo maior antes de aplicar. Mas no geral, tendo diagnóstico e aparecendo os sintomas motores, já podemos aplicar para estabilizar o quadro. Com cinco aplicações já se tem alguns sinais sutis de melhora, mas com dez sessões o paciente já relata melhora", detalha.

Os medicamentos utilizados para o tratamento da esclerose múltipla são oferecidos de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde.

“A pessoa leva o pedido do remédio no SUS e recebe corretamente e no prazo mensal todo o remédio necessário. O tratamento é caro e pode girar em torno de R$ 10 a R$ 20 mil mensais se feito no sistema particular. Felizmente o SUS fornece o remédio e as consultas com neurologista para o acompanhamento da doença”, reforça Osvaldo.

Segundo Sion, existem vários medicamentos que podem ser utilizados. “Para as crises, é necessário alto uso de corticoide, mas a manutenção pode ser feita com medicamentos biológicos ou imunossupressores, dependendo do caso”, explica.


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