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Mudança começa aos 50: especialistas de Brusque orientam sobre hábitos para entrar na terceira idade com saúde

Moradores que seguiram as recomendações e permanecem ativos após a aposentadoria relatam os benefícios

O Brasil passa por uma transformação demográfica inédita. Segundo o Censo de 2022, mais de 32 milhões de pessoas têm 60 anos ou mais, o que corresponde a 15,8% da população. Esse percentual mais que dobrou desde 1991. As projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que, em 2050, um a cada três brasileiros estará nessa faixa etária.

Em Brusque e Guabiruba, de acordo com o Censo, os idosos representam 13,14% e 13,71% da população, respectivamente. A tendência é que esses índices sigam em crescimento nas próximas décadas.

Especialistas ressaltam, porém, que para garantir qualidade de vida na terceira idade é preciso iniciar os cuidados antes. Para eles, a faixa dos 50 anos costuma ser o momento em que hábitos de saúde e estilo de vida passam por revisão, definindo como será o envelhecimento.

Segundo o médico Weslei Xavier da Silva, do Caps 2 de Brusque, o aumento da longevidade exige mais atenção à saúde física e mental. “A longevidade saudável não depende só de assistência médica. O convívio social, a participação em atividades significativas e a sensação de propósito são fundamentais”, explica.

Para o especialista, ao falar de terceira idade é importante diferenciar os idosos frágeis daqueles que mantêm boa capacidade funcional. Ambos, no entanto, enfrentam riscos emocionais semelhantes, como isolamento, depressão, afastamento de familiares e medo do futuro.

“Hoje, uma a cada seis pessoas no mundo sofre com a solidão, que está ligada a milhares de mortes todos os dias. Muitos idosos até usam celular e redes sociais, mas continuam sozinhos na prática”, alerta Weslei.

Entre as recomendações para quem possui 50 anos ou mais estão atividades que estimulem mente e corpo, como leitura, jogos de tabuleiro, exercícios físicos adaptados e convivência com familiares e amigos.

“Incluir a pessoa nas tarefas de casa, incentivar o contato com animais de estimação e promover momentos de interação com filhos e netos ajudam a manter a mente ativa e reduzem a solidão”, reforça.

Corpo em movimento


Para os cinquentões da região que já estão de olho na próxima fase da vida, Brusque mantém programas públicos voltados à terceira idade.

Na Academia da Saúde, por exemplo, grupos de ginástica funcional, mobilidade e fortalecimento são planejados conforme as limitações físicas, com uso de cadeiras e colchonetes quando necessário.

A equipe destaca que os benefícios vão além do físico: a atividade mantém a autonomia, estabiliza doenças crônicas, melhora o humor e promove integração social. Além das aulas, encontros como o Café com Debate discutem temas ligados à qualidade de vida. Quem quiser participar pode procurar os grupos diretamente, fazer contato pelo Instagram (@academiadasaude.brusque), pelo telefone (47) 99241-7123 ou em qualquer UBS.

A alimentação a partir dos 50 anos é outro ponto que exige atenção. A nutricionista Rafaela Doria, da Secretaria de Saúde, orienta priorizar alimentos como frutas, verduras, legumes e cereais integrais, e reduzir ultraprocessados.

“Uma alimentação equilibrada ajuda a prevenir diabetes, hipertensão e osteoporose. Fibras controlam a glicemia, cálcio e sol favorecem a saúde óssea, e temperos naturais ajudam o coração”, afirma.

Trabalho e propósito


O envelhecimento ativo também passa pelo mercado de trabalho. Entre 2012 e 2024, a participação de pessoas com mais de 60 anos cresceu 63% no Brasil. Em Brusque, essa realidade é visível em fábricas, comércios e pequenos negócios, embora a informalidade ainda predomine.

Renati de Marchi de Souza é um exemplo. Aos 54 anos, atua como professora no Colégio Cônsul Carlos Renaux. Iniciou a carreira em 1990 e, mesmo aposentada desde 2015, segue em sala de aula.

“Sou professora avó, porque alguns filhos dos meus ex-alunos agora são meus alunos”, conta. “Estar ativa faz bem para a mente e para a autoestima. Além disso, ajuda a manter uma rotina que me motiva todos os dias”.

Arquivo pessoal

Renati afirma que o convívio com crianças e adolescentes é um dos segredos para manter-se jovem. "Eles nos trazem novidades o tempo todo, nos ensinam gírias, tecnologias, novas formas de pensar. Isso me faz sentir conectada ao mundo atual. É cansativo às vezes, mas é um cansaço bom, que mostra que estou viva e útil”.

Arquivo pessoal

Outro exemplo na região é Aloisio Kohler, 59 anos, de Guabiruba. Ele se aposentou em 2010, após 30 anos na indústria têxtil, mas decidiu não parar.

Abriu uma pequena produção de fios e malhas em casa e hoje fornece para clientes em todo o país. “Trabalhar é motivador. Levanto cedo, canto, me alegro. Não me sinto improdutivo e ainda ajudo nas contas da família”, afirma.

Arquivo pessoal

Para ele, a idade e a aposentadoria não significaram inatividade, mas liberdade para empreender e reinventar-se.

“Quando saí da fábrica, senti medo do vazio, de ficar parado. Mas logo percebi que podia usar minha experiência, que vem da idade, para algo novo. Hoje atendo clientes, compro material, negocio preços. Isso me mantém ativo, aprendendo e em contato com pessoas”.

Arquivo pessoal

Rede de apoio e direitos do idoso


Além da rede de saúde, Brusque mantém políticas voltadas para garantir qualidade de vida à população que se aproxima ou já vive a terceira idade. Nesse contexto, o Conselho Municipal do Idoso (CMI) atua como elo entre o poder público e a sociedade.

“O conselho é um órgão paritário, com representantes do governo e da sociedade, e se reúne mensalmente em plenária aberta”, explica Álvaro de Carvalho, enfermeiro e representante da saúde no CMI.

“Também recebemos e encaminhamos denúncias de violência física, psicológica ou apropriação de bens”, acrescenta. “Buscamos garantir que os idosos tenham seus direitos respeitados e que a sociedade participe da construção de políticas mais efetivas”, afirma Álvaro.

Em Guabiruba, o Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa (CMDPI) segue a mesma linha de atuação. Recentemente, lançou um edital de R$ 200 mil para apoiar projetos que incentivem convivência, saúde, educação, lazer e inclusão digital.

Para o médico Weslei, os relatos dos moradores e as ações públicas mostram que Brusque e Guabiruba avançam na busca por um envelhecimento com mais qualidade. O médico acredita que o caminho passa pela integração entre saúde, convívio social, educação e oportunidades econômicas.

“O envelhecimento saudável é possível quando o idoso tem voz, autonomia e propósito. A participação da família, da comunidade e dos gestores públicos faz toda a diferença”.


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