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Prefeito de Brusque nega rombo na Secretaria de Saúde e diz que governo federal não cumpriu promessa

Suposto déficit nas contas da secretaria gerou repercussão nas últimas semanas

O prefeito de Brusque, André Vechi (PL), garante que não há rombo de R$ 20 milhões nas contas da Secretaria de Saúde. Um suposto déficit orçamentário na pasta ganhou repercussão nas últimas semanas após entrevista do secretário Ricardo Freitas ao portal Olhar do Vale.

Vechi aponta que havia uma expectativa de aporte de recursos na secretaria, mas alega que o governo federal não cumpriu com uma promessa verbal de destinar valores à pasta.

No entanto, ele diz que a prefeitura se preparou para a ausência de recursos federais e não corre risco de terminar o ano com as contas da Secretaria de Saúde no vermelho.

Na ocasião, déficit significa um excesso de pagamentos em relação às receitas, quando as despesas são superiores à arrecadação. Vechi argumenta que pequenos déficits são naturais, que houve em várias gestões e reforça que não há risco de as contas não fecharem.

Ampliação das equipes


Nos últimos meses, a prefeitura investiu recursos para ampliação do atendimento nos postos de saúde. Para isso, foi necessário contratar mais profissionais.

“Quando fizemos a ampliação das equipes da Estratégia de Saúde da Família, foi prometido, verbalmente, em várias reuniões com Ministério da Saúde, que fariam um aporte financeiro para ajudar no custeio [dos servidores]”, afirma.

Segundo o prefeito, o governo federal auxilia no pagamento de cerca de 50% das equipes após a ampliação. Porém, Vechi alega que o governo federal prometeu custear até 90%, o que não teria acontecido.

“Perdemos toda expectativa e não contamos mais com esses recursos”, diz. Ele aponta que mudanças internas no Ministério da Saúde podem ter resultado no descumprimento dos acordos verbais. Em março, Alexandre Padilha assumiu o ministério, substituindo Nísia Trindade.

Vechi afirma que o superávit nas contas da prefeitura do ano passado deixa a gestão com os cofres confortáveis para realizar investimentos, mesmo com o suposto descumprimento da promessa do governo federal.

“Não existe nada de ‘rombo’, corte ou colapso”, nega. “Vamos fechar o orçamento da Secretaria de Saúde com superávit”, promete.

A reportagem de O Município procurou o Ministério da Saúde para se manifestar. A pasta disse que encaminharia uma nota, via e-mail, até uma data combinada. Porém, passado o prazo, o ministério não se manifestou sobre o assunto. O espaço está aberto caso a pasta decida se pronunciar.

Governo e oposição trocam acusações


A entrevista do secretário de Saúde ao Olhar do Vale deu munição à oposição do governo municipal. O PT, principal partido opositor, foi incisivo nas críticas. A vereadora Bete Eccel enfrentou a base do governo na sessão da Câmara na semana passada.

“O prefeito prometeu técnica e o que estamos vendo é a entrega do caos na saúde pública. Se o prefeito confia tanto em sua equipe, por que está negando as informações do secretário?”, disse Bete, em discurso na tribuna.

Vechi comenta que, apesar do descumprimento da promessa do governo federal, não fazia críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) referente a este assunto. Ele entende que o problema foi causado pela troca de gestão no Ministério da Saúde, o que teria inviabilizado a promessa verbal.

No entanto, o prefeito rechaça as críticas do PT de Brusque. Ele diz que cabia à sigla dialogar com o governo federal, em razão da afinidade política, para contribuir na viabilização do repasse à Secretaria de Saúde. Porém, alega que o partido não auxiliou a prefeitura nas tratativas.

“Eles (PT de Brusque) nunca ajudaram em nada, nunca fizeram uma reunião [sobre o repasse federal]. Só vieram para atrapalhar e gerar polêmica. O governo federal é do partido deles, então deveriam ajudar a trazer mais dinheiro para Brusque. Mas, para eles, quanto pior, melhor”, acusa.

Em resposta, o presidente do PT de Brusque, Rodolfo Beuting, afirma que o prefeito precisa acabar com a “cegueira ideológica”, e dar a devida explicação sobre a situação da Secretaria de Saúde.

O partido saiu em defesa da atuação do governo federal no município e disse que Vechi não pode “inventar desculpas e terceirizar suas responsabilidades”, conforme encerra a nota.

“Ao invés de apresentar gestão e explicações à população sobre o rombo/déficit de R$ 20 milhões na pasta de saúde, informado pelo seu próprio secretário, resolve se utilizar de afirmações inverídicas sobre a atuação do governo federal em Brusque”, escreve o PT.

Nota completa do PT de Brusque


O prefeito André Vechi, responsável por nomear o atual secretário de Saúde e a sua antecessora, filiado ao PL, mesmo partido do governador Jorginho Mello, ao invés de apresentar gestão e explicações à população sobre o rombo/déficit de 20 milhões na pasta de saúde, informado pelo seu próprio secretário, resolve se utilizar de afirmações inverídicas sobre a atuação do governo federal em Brusque.

O que o PT, por intermédio em especial do mandato da vereadora Bete Eccel, expôs é um reflexo fiel da preocupação da população com o atual estado da saúde no município.

O prefeito tem absoluta ciência de todos os repasses de verbas realizados mensalmente ao município, estando todos eles destacados no programa "ComunicaBR", tendo, somente a título de exemplo, sido custeados dez novos médicos, 33 novas equipes de saúde da família e cinco novas equipes de saúde bucal desde 2023, além de contemplado o município com uma nova Unidade Básica de Saúde e estar em estágio avançado para habilitar a oncologia no Hospital Azambuja.

Cabe ao prefeito cessar a cegueira ideológica, se alinhar com o que o seu próprio secretário da pasta trouxe à tona, dar as devidas explicações à população e efetivamente demonstrar capacidade de gestão, ao invés de inventar desculpas e terceirizar suas responsabilidades.


Assista agora mesmo!


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