Seis a cada dez partos em Brusque em 2024 foram por cesariana
Números na cidade estão acima da média nacional
Em 2024, mais de 63% dos partos realizados nos três hospitais de Brusque foram por cesariana. O número é um pouco acima da média nacional, que é de cerca de 57% de acordo com o Ministério da Saúde.
No Hospital Azambuja, foram realizados 1.342 partos por cesariana e 887 normais em 2024. Já no Imigrantes, foram 288 cesáreas e 47 normais. No Dom Joaquim, foram 96 cesarianas e apenas um parto normal.
Do total de 2.731 nascimentos em Brusque, portanto, 1.726 foram através de partos por cesariana.
O número de cesáreas realizadas no Brasil e na América Latina em geral é bem acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 15%.
Avaliação dos números
Diretor técnico do Hospital Imigrante, Fernão Otávio de Araújo destaca que a unidade é referência em gestação de alto risco.
“Muitas vezes as gestantes são encaminhadas com patologias graves que necessitam da imediata resolução da gestação para não colocar em risco a vida da gestante e/ou do feto, sendo portanto, necessário interrupção da gestação por meio da cesariana”.
Segundo ele, a decisão do obstetra sobre o procedimento no parto consiste em análise clínica de cada caso individualmente, levando em consideração as comorbidades da gestante, possível existência de sofrimento fetal, bem como as indicações e contra-indicações de cada via de parto.
Enfermeira Coordenadora Materno/Infantil e UTI Neonatal do Hospital Azambuja, Bruna Cristina Sgrott afirma que, sempre que possível, existe a indicação para o parto normal.
“Estimula-se o parto normal pela sua recuperação mais rápida e menores riscos a longo prazo, mas a segurança da mãe e do bebê é o fator determinante”, esclarece.
Ela explica que a prevalência de partos por cesariana no Azambuja — que reflete uma tendência nacional — está relacionada a diversos fatores.
Bruna destaca o perfil das gestantes, a preferência das mães e também aspectos médicos. “Muitas mulheres chegam com cesárea prévia, o que aumenta as chances de nova cesárea. Também há a preferência materna de pacientes particulares e convênios. Algumas gestantes optam por cesariana, muitas vezes por medo da dor ou por desejarem agendar o parto”, conta. “Em alguns casos, a cesariana é indicada por razões clínicas (sofrimento fetal, pré-eclâmpsia, falta de dilatação, prematuridade, etc.)”, completa.
Ela acrescenta que, no caso do Azambuja, apesar do maior número de partos por cesariana no geral, em pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), as estatísticas de 2024 refletem um maior índice em parto normal (805 e 609).
Essa é uma tendência em todo o Brasil. Na rede privada, segundo o Ministério da Saúde, cerca de 86% dos partos no país são por cesariana.
Vera Civinski, gerente de enfermagem do Hospital Dom Joaquim, acredita que há mitos sobre os partos normais que podem amedrontar algumas mães, mas também vê também influência de alguns profissionais.
"O número de cesarianas prevalece acredito — e por experiência — devido a vários fatores, como a possibilidade de agendamento, o que para muitos pais e mais viável, também por haver ainda um mito de que "a dor do parto" é insuportável e pode lacerar o genital feminino", diz. "O parto natural demora muito (precisa fluir naturalmente), o que gera a dor e isso afasta muitas mães, principalmente as de primeira gestação. Também não podemos negar que em muitos casos há uma certa indução por parte de alguns profissionais na condução da opção pela cesariana, que devido ao agendamento prévio, diminui o tempo pra realização do procedimento", completa.
Ela ressalta que a decisão deve ser feita sempre em comum acordo, salvo exceções em que previamente se constate algum risco ou no momento do procedimento seja identificado algo que impossibilite a realização do que foi previamente definido.
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