Sol forte no fim do ano em Brusque exige reforço nos cuidados com a pele das crianças
Dermatologista alerta para a alta incidência de raios solares na região
Com a chegada do período de altas temperaturas e o aumento das atividades ao ar livre, famílias de Brusque precisam intensificar a proteção contra os efeitos nocivos do sol.
A secretária executiva Janaina Cunhaco, 37, é um exemplo: antes de sair rumo ao litoral com as filhas Mariah, 4, e Maitê, 1, a aplicação de protetor solar e o uso de roupas com proteção UV fazem parte da rotina. “Reponho o protetor a cada duas horas e mantenho elas sempre na sombra”, afirma.
"Desde que a minha primeira filha era bebezinha, eu não descuido da proteção, agora com a mais novinha os cuidados são os mesmos. Eu passo bastante protetor solar, principalmente, no rosto, nas áreas sensíveis, como na orelha e no pescoço. Tento usar sempre o protetor fator 50, repondo a cada duas horas. Coloco nelas camisetas manga longa com proteção UV e estou sempre oferecendo água, além disso, tento deixar um boné ou um chapeuzinho na cabeça”, relata.
Segundo a dermatologista Ana Kris da Silva Sommariva, da Associação Brusquense de Medicina (ABM), os cuidados adotados por essa família são essenciais e devem se repetir nas outras.
Ela explica que a maior carga de radiação solar recebida ao longo da vida ocorre na infância, quando a pele é mais sensível e a exposição tende a ser maior. Antes dos seis meses, o ideal é evitar o sol direto e investir apenas em barreiras físicas, como roupas e sombras. A partir dessa idade, o uso de protetor infantil é indicado, mantendo-o até cerca dos 10 anos.
“A criança se expõe mais do que o adulto, pois gosta de brincar no sol e a pele dela é mais fina, mais sensível, sendo assim, os raios solares penetram mais. Os efeitos deletérios do sol, estão muito relacionados ao quanto a gente pegou de sol durante a vida”, afirma a profissional.
Segundo ela, antes dos seis meses de idade não se usa protetor solar, só se protege a criança do sol, com roupas e deixando sempre à sombra. Depois dos seis meses, já é possível usar protetor solar infantil, e depois dos seis anos de idade a criança pode usar protetor solar adulto.
Todos esses cuidados devem ser feitos para reduzir as chances de desenvolvimento de câncer de pele, que responde por 33% de todos os diagnósticos da doença no Brasil. A cada ano, cerca de 185 mil novos casos são diagnosticados.
O tipo mais comum, o câncer da pele não melanoma, tem letalidade baixa, porém seus números são muito altos. Os tipos de câncer de pele mais comuns são os carcinomas basocelulares e os espinocelulares, responsáveis por 177 mil novos casos da doença por ano. Mais raro e letal que os carcinomas, o melanoma é o tipo mais agressivo de câncer da pele e registra 8,4 mil casos anualmente.
O melanoma é o que tem mais chance de metástase, ou seja, pode levar à morte, e um dos principais fatores de risco dele, além da história familiar, é o número de queimaduras solares que a pessoa tem durante a vida.
"Algumas situações que chamam a atenção para sintomas da doença, por exemplo, são feridas que não cicatrizam, ou seja, aquelas feridinhas que às vezes você vai se enxugar depois do banho com a toalha e, só ao passar, já sangra ou, em outras vezes, está há meses com aquela feridinha”, descreve a médica.
De acordo com a dermatologista, a prevenção é essencial em qualquer idade. O primeiro passo é respeitar os horários corretos de exposição solar, que seriam antes das 10 da manhã e depois das 3 da tarde, sendo que no auge do verão, com os dias ainda mais quentes, o ideal seria depois das 16 horas.
"A nossa incidência de raios solares é muito alta e mesmo nesses horários que são mais adequados, a gente pode se queimar e desenvolver no futuro, lesões relacionadas ao sol. Então, mesmo que seja nos horários adequados, usar o protetor solar, usar roupas normais ou roupas com proteção solar, chapéu, óculos de sol e protetor solar", reforça.
A médica sugere ainda que, as mulheres que gostam do "bronzeado de verão", o façam de forma moderada e aos poucos.
"A gente pode ficar bronzeada, mas tem que ser um bronzeado sadio, que é aquele que é conseguido com o tempo, ou seja, você não pode sair de uma pele branca para uma pele bronzeada em poucos dias. O ideal é que você bronzeie com um protetor solar fator 30, por exemplo, e vá pegando sol devagar. Vai demorar mais, mas pelo menos será um bronzeado sadio", diz.