Quem conhece Francisca Petermann, a dona Chica, como é conhecida, percebe o amor pela gastronomia. Nos seus 69 anos de vida, mais de 60 foram dedicados à arte de cozinhar, e é claro, as tradicionais cucas não poderiam faltar nesta lista de receitas.

De origem alemã, logo na infância, com apenas 7 anos, a moradora do Primeiro de Maio já aprendeu com a mãe a fazer o doce. Ela conta que a família morava em um sítio no Dom Joaquim e desde cedo as meninas precisavam aprender a cozinhar.

“Quando minha mãe fazia cuca, a verdadeira cuca alemã, eu observava. Aí, quando ela mandava eu fazer. Foi com ela que aprendi, pois os antigos faziam a massa com o fermento de pão”.

O amor pela gastronomia sempre foi tão grande que Dona Chica decidiu, aos 23 anos, após fazer supletivo, que queria trabalhar em algum local que pudesse cozinhar. No Sesi, no Jardim Maluche, trabalhou durante seis meses como merendeira e depois, aos 24, começou a dar cursos de culinária.

Cada vez com mais alunos e precisando conciliar os trabalhos de casa, ela decidiu dar aulas particulares de culinária num espaço em sua própria residência, onde mora até hoje. Em 1994, Dona Chica foi estudar padaria e confeitaria em escola técnica na Alemanha, onde ficou durante três meses.

Quando voltou, ela pôde aplicar o que aprendeu nas suas receitas de cucas – vendidas para famílias tradicionais da cidade -, além de ensinar para seus estudantes novas técnicas. Muitos deles hoje são empresários do segmento na região.

Foi na sua volta ao Brasil que Dona Chica começou a vender os doces. Em alguns fins de semana, chegava a fazer até 30 cucas.

Moradora do Primeiro de Maio adora cucas de frutas secas, morango com geleia e queijadinha

Detalhes essenciais
Dona Chica somente parou de produzir a iguaria e dar aulas há dois anos, quando teve um AVC. No entanto, seu amor pelo doce permanece. Nestes mais de 60 anos, ela aprendeu muitos segredos, como bater a massa da cuca com a mão, usar apenas as gemas dos ovos, colocar pouca gordura e açúcar e utilizar ingredientes de boa qualidade.

“É preciso deixar crescer a cuca, depois que estiver bem crescida, bater de novo, para depois colocar na forma”.

A senhora revela que o recheio precisa de um cuidado especial. É necessário que ele seja distribuído uniformemente. Além disso, para que a farofa fique com uma consistência mais úmida, ela deve ser dissolvida com farinha de amido de milho. Raspas de limão são indispensáveis. Um toque de licor cai bem em alguns recheios.

Uma das cucas especiais de Dona Chica, que aprendeu na Alemanha, é com recheio de salada de fruta. A receita leva banana, maçã, pera e mamão. A cobertura é feita de farofa, baunilha, canela, pedaços de ameixa preta e damasco.

“Essa é uma receita que aprendi no curso técnico. Não fica aguada, é muito gostosa, mas deve ser saboreada no máximo em dois dias”, explica.

Porém, para Dona Chica, mesmo se colocar em prática todos os segredos e não tiver amor, o trabalho todo será em vão. Ela diz que é preciso colocar sentimento ao fazer a cuca, pois tudo o que é feito com amor sai melhor.

“Toda pessoa tem um dom e precisa usá-lo. Quando eu faço as minhas cuquinhas eu boto muito amor. Eu amo o que faço e este é o segredo”.

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