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Segredo de Justiça: especialistas de Brusque explicam por que alguns casos têm sigilo

Casos de abuso sexual, crime de organização criminosa e divórcios podem ser sigilosos

No Brasil, certas informações de casos criminais não chegam ao conhecimento da população por estarem em segredo de Justiça. Em Brusque, por exemplo, a investigação de abuso infantil envolvendo um psicólogo ocorreu em sigilo. O jornal O Município conversou com especialistas criminais para entender os motivos da confidencialidade.

O advogado criminalista Wendel Laurentino explica que o principal motivo para o sigilo é a preservação das vítimas ou das investigações.

Em casos como estupros ou abusos, o segredo do nome do autor do crime serve para a vítima não ser rastreada, uma vez que, principalmente em casos de interior, como é o do psicólogo de Brusque, os moradores tendem a reconhecer aspectos como locais e nomes.

“Processos onde existem menores, por exemplo, tem o objetivo de preservar a identidade dos mesmos. Muitas vezes criticam o fato de não aparecer nem o nome do acusado, porém, se a população soubesse o nome do acusado, alguém acabaria ligando o nome dele à vítima. Portanto, o objetivo não é proteger o acusado, mas sim a vítima”, diz.

Outro especialista, o também advogado criminalista Fabrício Gevaerd, afirma que, quando um caso é posto sob sigilo, é vedada a divulgação dos detalhes do crime e que, geralmente, a opinião pública repudia os crimes. Ele cita o exemplo do psicólogo, dizendo que, por envolver crianças, a sociedade não tolera.

Divórcios em segredo de Justiça


Casos envolvendo áreas de direito da família, como divórcios, processos de guarda e pensão alimentícia, também podem ocorrer em sigilo com o intuito de preservar as famílias e os menores de idade.

Wendel também explica que o sigilo pode ocorrer em processos que envolvem organizações criminosas e crimes como tráfico de drogas. Nesses casos, o principal objetivo do segredo é assegurar as investigações.

Outro ponto importante que o advogado destaca é sobre pedidos de busca e apreensão, quebra de sigilo telefônico e prisões temporárias, uma vez que a divulgação dessas informações pode causar prejuízo à investigação ao alertar os investigados.

“Há o risco de abuso quando o acusado é alguma autoridade, por isso ele é protegido pelo sigilo. Mas vejo isso ocorrendo apenas em tribunais superiores”, diz.

Partindo para o segredo das informações do caso para a defesa de um suspeito preso preventivamente, Wendel diz que é ilegal o representante não ter acesso aos detalhes.

Ele diz que esse tipo de conduta tem acontecido em casos com o Juízo de Garantias. O advogado relata um caso que aconteceu com ele.

“Eu mesmo já tive que acionar a OAB recentemente por causa disso e ingressei com mandado de segurança para ter acesso a um caso em Itajaí. O advogado ter que ir para audiência custódia sem nenhuma informação do processo, exceto os relatos do clientes, se torna prejudicial e é ilegal”, diz.


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