Servidores públicos pedirão 13,5% de reajuste salarial para 2016

Funcionários definiram ontem a pauta de reivindicações que será entregue à prefeitura em março

Servidores públicos pedirão 13,5% de reajuste salarial para 2016

Funcionários definiram ontem a pauta de reivindicações que será entregue à prefeitura em março

O Sindicato dos Servidores Públicos de Brusque (Sinseb) decidiu ontem que irá solicitar à prefeitura 13,5% de reajuste salarial para 2016, durante o período de discussão da data-base do funcionalismo municipal, que inicia em março. A decisão foi tomada em assembleia, realizada no fim da tarde, na Câmara de Vereadores.

Na reunião também foram definidas as demais prioridades do funcionalismo público, além do reajuste salarial, como o pagamento de adicional de insalubridade aos que exercem determinadas funções e a regência de classe para os professores.

“Não há um cenário promissor em 2016 para a classe trabalhadora”, disse Soares Filho, ao elencar as dificuldades que os sindicatos laborais estão tendo para emplacar reajustes com ganho real, ou seja, acima da inflação. No entanto, ele afirma, a crise não é motivo para que os trabalhadores deixem de fazer suas reivindicações.

João Batista Medeiros, assessor econômico do Sinseb, disse que a negociação salarial deve começar pela reposição inflacionária. Ainda não se sabe a inflação de fevereiro, mas os prognósticos indicam que, nos 12 meses que serão utilizados como base, desde março de 2015, ela ficará em 11,35%. A isso, soma-se 2% que é pedido como ganho real. “Não haverá acordo se não vier a inflação completa”, garante o economista.

Segundo Medeiros, o comprometimento com folha de pagamento da Prefeitura de Brusque está em 48%, o que ainda dá margem para negociação, já que a Lei de Responsabilidade Fiscal tem como limite prudencial o comprometimento de 51,3% da receita com pagamento de salários. No ano passado, o sindicato conseguiu aumento salarial de 8%, com 0,6% de ganho real.

Auxílio-alimentação no valor de R$ 370

O sindicato reconhece que dificilmente se consegue um ganho real muito grande e que, por isso, será pedido também reajuste no auxilio-alimentação dos servidores, numa espécie de contrapeso, para aumentar os rendimentos dos servidores. Como o auxílio-alimentação não incide como gasto com pessoal, é mais fácil negociar com a prefeitura neste ponto.

A proposta dos sindicalistas é subir de R$ 220 para R$ 370 o valor do benefício pago aos servidores. Apesar de ser um único valor em negociação, os acordos entre sindicato e prefeitura costumam apresentar valores diferenciados de vale-alimentação, dependendo da faixa salarial dos servidores.

O sindicato pedirá que esse escalonamento seja revogado, e que todos recebam a mesma quantia. Uma das justificativas elencadas na assembleia é que a cesta básica de Brusque está entre as mais caras do país, e que o dinheiro pago hoje mal dá para os trabalhadores fazerem uma refeição no Centro diariamente.

Prefeitura estima baixo crescimento nas receitas

A estimativa do economista do sindicato, em um cenário que a prefeitura tenha crescimento de 10% das receitas, é de que o comprometimento da receita com folha de pagamento passe a ser de 53,5%, acima do limite prudencial. No entanto, ele diz que o ganho real é “político, histórico, e tem que ser pedido”.

Os prognósticos da prefeitura, entretanto, são mais pessimistas: 5% de crescimento nas receitas, o que indica que haverá bastante dificuldade na negociação salarial, que deve ser conduzida pelo secretário de Orçamento e Gestão, Cristiano Bittencourt.

A pauta aprovada em assembleia será levada pelo Sinseb para as rodadas de negociação com a prefeitura, que costumam ser numerosas. Nos últimos anos, as negociações não tem terminado sem, pelo menos, alguns dias de paralisação de parte dos serviços públicos, a popular greve.

 

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