A indústria têxtil já está enraizada na economia de Botuverá. Desde o seu surgimento, várias novas empresas foram abertas e se consolidaram.

Hoje em dia, a cidade tem a cadeia têxtil quase completa. Isso quer dizer que há, no município, empresas que atuam em todos os processos de produção de uma roupa.

Fazer parte da cadeia têxtil exige especialização. É um setor altamente competitivo que demanda precisão e expertise para minimizar erros e prejuízos.

O sócio-diretor da NB Têxtil, Nilo Barni Júnior, explica que, neste contexto, Botuverá se voltou para as fiações. Hoje em dia, a cidade concentra mais empresas deste tipo do que Brusque, por exemplo.

A NB Têxtil possui 62 funcionários e atende clientes da região. O foco principal é na produção de fios para tecelagens de toalhas de felpa.

A NB faz parte, junto com a Vargas Têxtil, de uma nova geração de fiações. A primeira foi fundada em 2006, já a segunda foi comprada pelos atuais donos em 2007, quando ainda era de pequeno porte.

As fiações produzem para clientes de todos os cantos. São marcas de roupas, toalhas e outros artigos que, em vez de investir num parque fabril próprio, compram de terceiros.

Este segmento tem registrado bastante procura. A NB Têxtil teve crescimento elevado no ano passado, por isso a meta para 2018 é se estabilizar, segundo o sócio-diretor.

A Vargas Têxtil vem numa ascendente desde 2007. Foi nesse ano que a família Vargas comprou uma antiga fábrica para entrar no ramo têxtil. Antes, eles atuavam com revenda de veículos.

Júnior Vargas é sócio da indústria, uma das maiores da cidade | Foto: Marcos Borges

“Desde lá viemos com crescimento constante. O que puxou esse crescimento foi a demanda dentro do mercado nacional. Neste período, fomos modernizando, e isso elevou a qualidade do nosso produto, que ganhou fama e ficou conhecido”, diz Júnior Vargas, sócio da empresa ao lado do irmão Heitor e do pai Osnildo.

Hoje, a Vargas conta com 110 funcionários e produz 1 milhão de quilos de fios por ano. É um volume bastante grande em relação ao número de funcionários.

Júnior explica que o parque fabril é novo e automatizado, por isso menos funcionários produzem mais. A modernização é uma das marcas da indústria.

“No início, produzíamos 60 toneladas e hoje fazemos mais de 1 milhão de quilos, então a capacidade produtiva cresceu. Tínhamos 30 funcionários, hoje são 110. A nossa fábrica é muito automatizada, por isso a mão de obra é reduzida”, afirma.

Lauro Dalcegio, sócio-proprietário da Dalfios, emprega 32 funcionários. A fiação foi fundada em 2005, ou seja, também é da nova geração.

Segundo o empresário, a Dalfios tem foco principal nas tecelagens de toalhas de Brusque. Ao longo dos 13 anos, a fiação tem buscado se modernizar e aumentar a sua competitividade.

O galpão que a Dalfios tinha no início media 1,2 mil metros quadrados. Hoje, são 5,1 mil. A produtividade mensal cresceu de 40 toneladas para cerca de 350 a 400 toneladas.

O crescimento da Vargas, da NB e da Dalfios nos últimos anos vai na contramão do que se viu em muitas cidades. A concorrência chinesa atingiu fortemente o mercado nacional e várias fábricas encerraram as atividades.

A indústria botuveraense permaneceu crescendo para atender, principalmente, ao mercado de tecelagem para toalhas em Brusque. Neste segmento, a qualidade faz ainda mais diferença.

Cadeia produtiva cada vez mais especializada

A ida das fiações para Botuverá resultou na ramificação do têxtil e do vestuário. Hoje, a cidade é reconhecida pela quantidade de confecções e talhações existentes. Não à toa a maior parte da população é empregada nesse segmento.

A Botuverá Transportes e Talhações é uma das empresas que atua nessa cadeia. São 14 funcionários atualmente, sete na área de bordado e sete no corte. A produção mensal é de 100 mil peças.

Faz quatro anos que a empresa de Airton Colombi está no galpão atual, em Pedras Grandes, à margem da rodovia Pedro Merizio. Mas a talhação surgiu há 14 anos em outro endereço.

Depois de uma década e já consolidado no mercado, Colombi resolveu mudar para um galpão maior. A capacidade de produção poderia ser ainda maior hoje em dia, com pelo menos mais sete funcionários, já que um turno está parado.

Porém, o dono da talhação diz que escolheu priorizar qualidade, com funcionários mais bem treinados, do que a quantidade.

A talhação atende clientes de vários estados do país. “A maioria dos fornecedores é de fora do município e da região. Tem clientes até do Rio de Janeiro e de outros estados”, comenta Colombi.

A empresa atua em parceria com a Alta Pressão. A confecção fica bem próxima da talhação, numa transversal da rodovia.

Roni é proprietário da Alta Pressão, que tem 40 funcionárias | Foto: Marcos Borges

A parceria é uma facilidade ofertada para clientes de longe, que só colocam a sua etiqueta no produto, sem ter de se preocupar com a produção.

Essa prática é chamada de “private label”. Funciona da seguinte forma: o cliente contrata da Alta Pressão, que então faz o meio de campo com as empresas para talhar, confeccionar, estampar, etiquetar, embalar e enviar para o contratante.

O proprietário da Alta Pressão é Ronimar Fachini, o Roni, que começou o negócio há 17 anos. No entanto, há cerca de seis anos é que se mudou para o atual imóvel, maior e próprio.

Assim como a talhação e as fiações, a Alta Pressão surfou no bom momento da indústria do município de 2000 para cá. A aposta deu certo e a empresa tem registrado bons números.

“Os anos de 2017 e de 2018 foram os melhores. Quase não tivemos ociosidade de produção”, diz o empresário.

O ramo em Botuverá chegou a tal nível de especialização que, em 2006, o empresário Alcir Merizio resolveu abrir uma fábrica para engomagem têxtil. É um processo que, simplificando, significa passar uma goma ao redor dos fios a fim de que não sejam danificados quando passam pelo tear.

A Gomertex não é a primeira empresa de Merizio, que também é vice-prefeito. Ele já teve uma fiação em sociedade e tem uma fábrica arrendada para um terceiro.

Empregabilidade
A expansão da cadeia têxtil aumentou a oferta de empregos em Botuverá. Merizio diz que hoje não há dificuldades de achar ocupação na cidade.

O empresário considera que a indústria é uma das que melhor pagam na região.

Se por um lado há oferta de empregos, não se pode dizer o mesmo de mão de obra qualificada. Vargas Junior analisa que muitos candidatos não estão familiarizados com o setor.

“Há dificuldade de mão de obra qualificada, porque as pessoas que vêm buscar emprego vêm de outro setor. Temos que fazer todo o treinamento, explicar o que é o fio, como funciona a máquina”, afirma o sócio da Vargas Têxtil.


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