Fernanda de Souza dos Santos, 28 anos, sonhava em ter uma menina para encher de laços e vestidos. O pedido dela e do esposo Moises Sousa dos Santos, 31, foi acatado em dose tripla. No entanto, ela não soube da existência da terceira filha até o dia do nascimento.

A mãe de Pedro Henrique Sousa dos Santos, 6, revela que existem casos de gêmeos e trigêmeos na árvore genealógica dela e do esposo, mas nenhum é próximo. Ao descobrir a gravidez, ela jamais imaginou que teria uma gestação múltipla.

Fernanda decidiu esperar até as 16 semanas para fazer o primeiro ultrassom e descobrir o sexo da criança. Durante o exame, o médico viu apenas duas meninas do mesmo tamanho. Na época, estavam com quase 300 gramas. Ele chegou a comentar com a mãe que as meninas eram muito grandes para o tempo de gestação.

Com a notícia das gêmeas, Fernanda se preparou para receber Eloá e Heloísa e fez até um chá de bebê para as duas. Os médicos garantiram que as meninas estavam em placentas separadas e por isso a mãe queria parto normal. No entanto, no dia do nascimento os médicos descobriram que elas estavam na mesma placenta, mas em bolsas separadas.

Pedro adora ajudar a mãe a cuidar das meninas / Foto: Eliz Haacke

No segundo ultrassom, aos sete meses de gravidez, o médico informou que uma menina estava maior que a outra, com 500g de diferença. Fernanda conversou com o obstetra para descobrir se uma estava pegando nutrientes da outra.

Com isso, o médico pediu para ela fazer uma ultrassonografia especializada para avaliar a circulação sanguínea das meninas. Os resultados eram os mesmos, uma nasceria pequena e a outra grande, mas todas estavam bem.

No dia 4 de agosto ela começou a ter contrações, mas pela experiência que teve com o filho, decidiu esperar antes de ir ao hospital. Ela lembra que escondeu as dores até do marido que descobriu só à noite. Ele decidiu levá-la ao hospital justamente por serem gêmeas.

Em ordem de nascimento, as trigêmeas Eloá, Heloísa e Helena / Foto: Eliz Haacke

O obstetra preferiu fazer cesárea pois uma das meninas poderia ficar atravessada. Fernanda foi levada para a sala de parto perto das 2h do dia 5 de agosto de 2018.

Eloá foi a primeira e nasceu com 2,240 quilos. A mãe não percebeu que a Heloísa havia nascido, pois ela não fez nenhum barulho. Ao questionar os médicos sobre a segunda filha, eles disseram que ela nasceu sem respirar.

Enquanto o médico realizava os procedimentos de reanimação na menina de 2,280 kg, a enfermeira viu que havia mais um pé dentro da barriga de Fernanda. Foi neste momento que o obstetra encontrou Helena.

Aos gritos, a pequena de 1,8 kg veio ao mundo e causou uma confusão de sentimento para a mãe que não sabia se ria ou chorava com a novidade. “Só caiu a ficha no quarto quando eu vi as três”.

Da esquerda para direita: Eloá, Fernanda, Pedro, Helena, Moises e Heloísa / Foto: Arquivo pessoal

O obstetra informou para Fernanda que provavelmente Helena ficou escondida no fundo do útero durante a gestação. No entanto, a mãe acredita que a filha apareceu entre um ultrassom e outro pois ela se movimentava com frequência.

“No primeiro ultrassom era duas do mesmo tamanho e nasceram duas do mesmo tamanho. Acho que a Helena ficou atrás por ser pequena, mas as três apareceram, só que elas trocaram de lugar”.

Hoje, as trigêmeas estão com nove meses e cheias de saúde. A mãe confessa que a rotina mudou completamente e que as meninas são um desafio diário, mas que o sorriso compensa as poucas horas de sono.

Fernanda conta que a família recebeu muitas doações após o nascimento das pequenas e que recentemente alguns itens acabaram. Hoje, só o esposo trabalha pois Fernanda saiu do emprego para cuidar das filhas. Além do salário de Moises, eles também dependem do auxílio-natalidade. Os interessados em doar roupas ou alimentos podem entrar em contato pelo 996-469-345 ou 3350-6319.


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