Que lindo e maravilhoso seria o mundo se ele fosse uma Cidade Olímpica. Que tranquilidade seria viver numa cidade com as condições apresentadas no Rio de Janeiro durante as olimpíadas. Tudo organizado, tudo preparado e pensado para funcionar, tudo fluindo. Eu gostaria que as olimpíadas não acabassem nunca!

Por ser um megaevento, obviamente encontrei filas homéricas, superlotação em metrôs e afins, filas para comer, para usar o banheiro e até para comprar (nem consegui ver a megastore na vila olímpica, havia uma centopeia gigante formada por pessoas que nem consegui achar o fim da fila). Mesmo com todas essas condições estressantes, a multidão seguia tranquilamente, gentilmente e silenciosamente pelos corredores estreitos e subterrâneos dos metrôs e pelas plataformas de acesso aos ônibus coletivos. Incrível! Chego a crer que, se todos vivêssemos com o espírito olímpico ativo dentro de nós, a utopia da paz mundial poderia ser atingida. Quem sabe!

 

Dessa vez, vi belezas que ainda não tinha percebido na “Cidade Maravilhosa”. Talvez tenha sido por conta da limpeza das ruas, calçadas, transportes públicos, ou talvez por me sentir segura e relaxada. Pude descobrir mais pedras abraçando a cidade, mais florestas invadindo a área urbana, mais gentileza nas pessoas. E por falar nisso, era admirável a disposição, simpatia, animação e competência dos voluntários e funcionários olímpicos, que se encontravam distribuídos por todos os lados, sempre no meu campo de visão.

Foi somente lá no Rio que compreendi muito bem o slogan adotado pelo evento: “somos todos olímpicos”, pois tudo era muito grande, muito longe, muito amplo. Se o expectador não for um tanto olímpico, pode ter desanimado após o primeiro dia, pois era bem cansativo. A cidade olímpica era gigante, era espantosa a distância para chegar até os portões de entrada e depois as extensões entre as arenas e os demais atrativos. Nessas horas fiquei feliz por não ter gazeado minhas aulas de pilates e academia.

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Gente, os atletas são super-heróis, super atletas, são apaixonantes. Impressionante como acostumamos rapidinho com a alta qualidade dos jogos, com as performances perfeitas, com desempenhos extraordinários. Cada jogo, cada prova é como um grande show, é uma linda emoção.

O Rio se esmerou também na revitalização da zona portuária, criando o Porto Maravilha, integrando o mar e o centro histórico da cidade. Nessa área foi acomodado o “Boulevard Olímpico”. Um novo ambiente, simplesmente magnífico. Ali instalaram também o Museu do Amanhã, que esbanja ousadia em sua arquitetura, aborda temáticas que inquietam o pensamento e é agraciado com uma vista deslumbrante da baía da Guanabara e da ponte Rio-Niterói. A cidade maravilhosa conseguiu ficar ainda mais bela!

Como minha área é a gastronomia eu não posso deixar de falar sobre isso. Sinceramente considero no mínimo curioso como um evento esportivo desse porte não valorizou nem incentivou a alimentação saudável. Por certo, os espectadores dentro da Cidade Olímpica não necessariamente são atletas, mas creio que a temática do evento inspira a valorização e a disponibilização de lanches e alimentos saudáveis. Somente duas opções se salvaram: a pipoca e o açaí com granola. No Boulevard Olímpico havia mais opções de pequenos empresários, onde os notáveis foodtrucks estavam em peso, com ofertas variadas imperando também o fastfood, porém com mais opções saudáveis. Agora, a cerveja tinha à vontade, tive que aproveitar!

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Michelle Kormann da Silva – Gastrônoma