A Trilha dos 100 é uma verdadeira imersão em meio à natureza. Começando no bairro Ribeirão Porto Franco e cortando um pedaço da Reserva Biológica Estadual da Canela Preta, o trajeto é um dos preferidos pelos grupos de ciclistas da região por ser uma travessia. A via liga Botuverá a Nova Trento, chegando na terra da Madre Paulina pela localidade conhecida como Serraval.

Por ser um caminho denso, longo e em meio à mata nativa, o principal meio de transporte utilizado para atravessar a localidade é a bicicleta. Uma vez utilizada também por motos e jipes, atualmente não é permitido que estes veículos passem pelo trajeto, porque vêm deteriorando o local. A bike, portanto, virou a alternativa mais viável para a travessia.

Foto: Thomas Gums

A trilha foi denominada assim pelos próprios ciclistas, pela quilometragem total (100 km) de um circuito que inicia e termina em Brusque, mas passa também por Botuverá e Nova Trento. Ela é particular, e pertence à família Vicentini.

Mata fechada
Feita mais recentemente no último mês por grupos de ciclistas, a Trilha dos 100 já esteve em melhores condições. Atualmente, não recebe mais manutenção e o caminho vem ficando mais fechado. Mesmo assim os ciclistas encaram a imensidão de árvores, galhos e mato que cruza seus caminhos.

Alexandre de Miranda é um dos aventureiros que aprovou o trajeto. Ele diz que foi uma indicação de outros ciclistas que conheciam a região. Aos poucos, foram explorando o lugar, sem muito conhecimento no começo. Eles foram responsáveis por praticamente redescobrir o caminho, e atualmente são um dos únicos a permanecer realizando a trilha.

Também há história no trajeto. Localizado perto da Trilha do Bego e da Floresta dos Xaxins. “O caminho é bem antigo, e foi feito para a extração de madeira. No meio do mato nós encontramos uma placa, que indicava a reserva da Canela Preta”.

Ciclistas precisam de preparo físico para suportar as horas de pedalada / Foto: Thomas Gums

Fauna diversificada
Como não poderia deixar de ser, o chamariz da trilha, além da mata, é a fauna. Pássaros diversificados e os aromas que só são sentidos em meio à natureza são os incentivos para que os ciclistas, que encaram quilômetros – muitas vezes de subidas pesadas – sigam até o destino final. “Um dos pássaros que mais marcou na memória foi a Araponga, pelo seu grito estridente”. O pássaro está em extinção e também é conhecido como Ferreiro, por que seu grunhido lembra o som da marreta batendo na bigorna.

Segundo afirma Miranda, o lugar tem tudo o que um cicloturista precisa para desfrutar. “É bem bonita e a natureza está bastante preservada. A própria subida dessa estrada é um espetáculo à parte, contando com cerca de cinco ou seis casas pelo caminho. É uma mata que você percebe ser nativa, sem mais eucaliptos. Ninguém mexe mais”.

Thomas Gums também fez o mesmo trajeto. Segundo ele, embora a mata esteja fechada, em dias secos é possível realizar o trajeto. “Em dias úmidos fica mais complicado, porque ali não pega sol. Fica um pântano, a roda afunda, fica praticamente impossível de fazer. Mas com o solo menos encharcado dá pra fazer tranquilo”.

Trilha dos 100
Endereço: Estrada Geral do Ribeirão Porto Franco
Acesso: Restrito
Nível de dificuldade: Difícil
Riscos: Altos
Sinalização: Sem sinalização


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