Tubulação antiga e trânsito intenso de caminhões prejudicam a qualidade da água

Segundo autarquia, problema é comum e acontece em vários bairros de Brusque

Tubulação antiga e trânsito intenso de caminhões prejudicam a qualidade da água

Segundo autarquia, problema é comum e acontece em vários bairros de Brusque

Um dos bens mais necessários e importantes para a sobrevivência do ser humano, a água, é motivo de tristeza para Carlos Todt Filho, 58 anos. Ele é agente de transporte, mora há 15 anos no bairro Steffen e conta que nos últimos quatro foram poucos os dias com água cristalina. 

– Dos 1.480 dias desse período, não tive 30% de água boa – afirma Carlos. 

Ele apresentou uma amostra da água à reportagem do Jornal Município Dia a Dia na quarta-feira, e ontem a equipe do MDD esteve na casa dele e verificou que a qualidade da água já estava normal. Mas o problema é frequente e acontece todo o mês, mas já chegou a acontecer em um intervalo de quinze dias. 

– Sempre ligo no 115 e falam que é conserto de canos. Um funcionário da Samae vem à minha casa e limpa o hidrômetro. Não tem lógica. Isso é uma desculpa. Vieram várias vezes mas, só para limpar o relógio. Quando a água fica suja, o jeito é esperar e, às vezes, isso demora o dia todo – lamenta Carlos, que também levou amostras da água na Câmara Municipal e entregou ao vereador Ivan Martins.
Fausto Murilo Diegoli, coordenador da Estação de Tratamento de Água do Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Samae), explica que o problema é ocasionado pelo rompimento da tubulação. 

– Pelo fato de estar enterrada, acaba entrando sujeira. De um lado a água é expelida pelo Samae e do outro está a população e o vácuo dentro da tubulação acaba puxando a terra para o interior do cano – explica Diegoli salientando que devido ao fluxo da água, o problema se agrava nas residências que são pontas de rede, ou seja, que estão nos finais de rua, como é o caso de Carlos.

A justificativa para o incômodo é a de que Brusque tem uma linha de distribuição de água muito antiga, inclusive com redes de cimento de amianto, que são frágeis e quebram com muita frequência. 

– Além disso, o intenso trânsito de caminhões aumenta o problema. Toda a cidade sofre com isso. O trabalho de ampliação das redes tem sido feito para as calçadas, onde não há trânsito de caminhões. Percebemos que com isso, as tubulações não quebram – conclui Diegoli.

Só no mês de novembro de 2012 foram realizados 171 consertos de rede, quase seis consertos por dia, um número considerado elevado. Para ele, seria necessário muito investimento para fazer a troca de toda a rede, mas há um projeto em análise no Ministério das Cidades para liberação de recursos para isso. 

– É muito difícil vir essa verba porque o Índice de Desenvolvimento Humano – IDH de Brusque é elevado. Segundo o Ministério das Cidades, o município tem condições de trocar toda a tubulação por conta própria. Talvez um dia saia – avalia Diegoli, que não soube dizer o valor solicitado ao governo federal.


Dicas úteis

– Todas as residências devem ter sua própria caixa d’água, para reserva em casos de falta ou problemas no abastecimento;
– Lave a caixa d’água a cada seis meses, para que não se acumule sujeira no fundo do reservatório;
– Quando perceber que a coloração da água não está adequada elimine-a no jardim ou na limpeza da calçada e entre em contato com o Samae pelo número 115;
– Os moradores do bairro Dom Joaquim, Cedro Alto, Cedrinho e Ribeirão do Mafra devem economizar o máximo possível de água. Os reservatórios que abastecem esses bairros estão praticamente vazios, devido à falta de chuvas.
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