Um a cada dez batistenses é filiado a um partido político

Levantamento mostra os números de cada sigla de São João Batista desde 2002

Um a cada dez batistenses é filiado a um partido político

Levantamento mostra os números de cada sigla de São João Batista desde 2002

Os dados mais recentes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam que, em 2018, cerca de 10% da população de São João Batista era filiada a algum partido político: 3.675 pessoas. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que a cidade tinha, nesse ano, 36.244 habitantes, portanto, um a cada dez cidadãos é filiado a alguma sigla municipal. 

O jornal O Município realizou levantamento na base de dados do TSE. Periodicamente, todos os partidos são obrigados a informar a quantidade de filiações e de desfiliações. Esse cadastro é considerado oficial pela Justiça.

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Os números apresentados no levantamento referem-se a 2018, pois são os últimos disponibilizados até o momento pela Justiça Eleitoral.

O Movimento Democrático Brasileiro (MDB) é o maior partido de São João Batista atualmente. A agremiação, com raízes históricas no interior do estado, tem 870 filiados. Já o Partido Progressista (PP) é o segundo, com 624 filiados. 

Partido do prefeito Daniel Netto Cândido, o PSD é a terceira agremiação em número de membros: são 553 atualmente. 

As três siglas são as maiores e contam com certa margem em relação às demais. As outras duas que têm maior relevância atualmente são o DEM e o PTB.

O DEM ajudou a eleger Cândido em 2016, já que integrou a coligação vencedora. O partido tem 353 filiados. Já o PTB, que também era da coligação, tem 202 membros regulares.

Ao todo, há em funcionamento 25 partidos políticos em São João Batista. Até mesmo nanicos como o PHS aparecem na lista, já que possui um filiado há anos.

O PSDB, que integrou a coligação do PP de Aderbal Manoel dos Santos em 2016, tem pouco mais de 130 membros. Siglas ligadas aos evangélicos, o PRB e o PSC têm certa relevância, sobretudo o primeiro, que tem mais de uma centena de filiados.

Principal sigla de esquerda, o Partido dos Trabalhadores (PT) se manteve com mais de 150 membros nos últimos anos. Ainda no mesmo campo político, o PSOL passou a existir na cidade em 2015, mas sempre com poucos integrantes.

Em São João, o maior partido que, teoricamente, é de esquerda é o PSB, com 202 integrantes.

Trabalho de base
O PSD, criado no município em 2011, já conta com divisões só para novas gerações e para mulheres. A presidente do partido, a vereadora Rúbia Tamanini, afirma que ter muitos filiados é importante, contudo, o principal é ter integrantes ativos e que “se sintam valorizados”.

“O exemplo é o melhor caminho para aumentar o número de filiados. Quando tomamos medidas necessárias para manter o município com a saúde financeira em dia, atendemos as pessoas e tentamos resolver as situações para melhorar a vida delas, automaticamente elas nos procuram para fazer parte do PSD”, afirma Rúbia.

Principal nome do PP e ex-prefeito, Aderbal Manoel dos Santos diz que o partido realiza de duas a três reuniões por ano. Não existe, por enquanto, um esforço de base.

“Vamos começar um trabalho para as eleições, para buscar novos filiados”, afirma o pepista. A intenção é arregimentar nomes fortes para renovar o partido na briga para a Câmara de Vereadores e a prefeitura em 2020.

“Nosso partido, na minha opinião, é o maior de São João Batista, mas realmente precisa se organizar para a gente vencer as próximas eleições”, diz Aderbal, que refuta qualquer possibilidade de voltar a concorrer à prefeitura.

O MDB conta com o JMDB, para a juventude, e MDB Mulher. A presidente do MDB, Rosane Sartori, afirma que o trabalho de filiações é constante.

Um grande número de pessoas têm fichas para inscrições a qualquer momento. “É um privilégio e estratégico ter um grande número de filiados”, diz a presidente emedebista.

PSL: a estrela em ascensão

O Partido Social Liberal (PSL) não aparece entre os maiores nos dados do TSE referentes a 2018, pois sua comissão provisória só foi instalada em janeiro deste ano. Todavia, o partido do presidente se articula e tem membros no município.

O vereador Juliano Peixer é um dos integrantes do recém-criado partido na cidade. Ele garante que o PSL tem cerca de 200 integrantes atualmente.

O PSL batistense começou após o então presidente da sigla, Lucas Esmeraldino, pedir que os simpatizantes de Jair Bolsonaro criassem um partido no município. Na esteira do movimento pró-Bolsonaro, o partido cresceu.

“A executiva do partido trabalha na formalização do diretório definitivo e já articula uma possível candidatura na majoritária nas eleições de 2020. O ideal do partido é ter uma candidatura de chapa pura, já viabilizada e apoiada pelas principais lideranças estaduais”, comenta Peixer.

Historicamente, maiores partidos são os que estão no poder

O levantamento traz dados desde 2002 da Justiça Eleitoral. Os números revelam que os maiores partidos costumam ser os mesmos que integram a coligação no comando da prefeitura.

Em ordem cronológica é possível observar esse comportamento. Em 2002, dado mais antigo no banco de dados do TSE, o município era governado por Jair Sebastião Amorim, do MDB, com o vice do mesmo partido.

Naquela época, o MDB era a segunda maior sigla, com 571 membros – apenas oito a menos que o maior, PFL. O PP tinha 536 filiados, em terceiro.

Em 2004, houve eleições. O PP lançou Aderbal para prefeito, com Gilberto Gonçalves Cândido, do PTB, como vice-prefeito.

Em 2002, o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) tinha cinco filiados. No ano eleitoral de 2004, com o ex-prefeito Gilberto concorrendo a vice, o PTB saltou para 318 membros. Era um dos mais fortes da política local.

O fenômeno inverso também ocorreu. Em 2008, Aderbal foi reeleito, mas com Elias Germano Mafeçoli como vice, também do PP.

Na eleição em que o PP foi chapa pura, o PTB encolheu. Se em 2004 tinha mais de três centenas de filiados, passou a ter 191.

O PSD foi criado em 21 de março de 2011 pelo ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab. Em Santa Catarina, logo houve uma debandada do Democratas (DEM) para o novo PSD, inclusive do ex-governador Raimundo Colombo.

Em São João, o PSD nasceu com 48 filiados em 2011. No ano seguinte, Daniel Netto Cândido concorreu a prefeito, com Élio Peixer (MDB) na condição de vice.

O PSD permaneceu com menos de 50 filiados até 2014. Em 2015, o partido que era nanico ganhou corpo e saltou para 349.

No ano seguinte, Cândido concorreu à reeleição. O partido cresceu ainda mais e chegou a 458 filiados.

O MDB, que tinha Élio Peixer como vice no primeiro mandato de Cândido, indicou também o vice na candidatura para reeleição: Pedro Alfredo Ramos, o Pedroca. De 2015 para 2016, o MDB passou de 676 filiados para 874.

Aliados
Democratas é nome adotado em 2007 pelo antigo PFL. Partido de direita, com raízes fortes no estado, o PFL sempre foi forte em São João.

O PFL já foi a maior sigla, no início dos anos 2000 e teve um prefeito eleito em 1992. Foi Gilberto Cândido, pai do atual prefeito Daniel Netto Cândido.

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O DEM é o exemplo de um partido que tem perdido envergadura. Teve quase 600 membros, mas hoje tem pouco mais da metade disso.

Em 2008, o partido concorreu contra o então prefeito Aderbal, que se reelegeu. Em 2012, o mesmo partido se aliou a Aderbal contra o PSD de Daniel e acabou derrotado.

O PTB, que teve o vice-prefeito entre 2005 e 2008, integrou a coligação de Aderbal, do PP, e do DEM contra o PSD e o MDB em 2012.

Quatro anos depois, em 2016, o DEM e o PTB, que antes apoiavam o PP passaram para a coligação do PSD na campanha vitoriosa que reelegeu Daniel Netto Cândido com Pedroca de vice.