A sede fica na General Osório, uma das mais movimentadas ruas de Brusque. É um tormento para os moradores o barulho constante dos motores dos carros que cruzam a via, principal ligação do Centro com Guabiruba e o bairros Guarani e Rio Branco.

Entre as paredes do imóvel, porém, nada se ouve vindo de fora. É que 80 funcionários trabalham animadamente, focados em um objetivo comum: tornar a empresa líder no segmento de software para varejistas no Brasil, chegando a 100 mil lojas atendidas.

Estamos na Hiper, empresa criada por três jovens sócios há apenas cinco anos, mas que tem apresentado números impressionantes de crescimento, ignorando a crise econômica que há alguns anos assola o país.

“Nascemos com objetivo de não ter atuação local. O mercado de software para pequeno empreendedor, no Brasil, não tinha nenhum líder, e a gente viu que havia um mercado aberto para explorar”, conta um dos sócios, Tiago Vailati, que dirige a empresa ao lado de Marinho da Silva Júnior e Marcos Fischer.

Os sócios da Hiper, Tiago Vailati, Marcos Fischer e Marinho da Silva Júnior | Foto: Marcelo Reis

Antes de fundar a empresa, em 2012, eles tiveram que desenvolver o produto. O mercado focado no micro e pequeno empreendedor do varejo é bastante regulamentado, e havia necessidade de uma série de homologações estatais para que o sistema Hiper pudesse ser comercializado.

Hoje, a empresa está em todos os estados brasileiros, prestando serviços a 10 mil clientes por intermédio dos chamados hiperadores – profissionais que vendem e prestam atendimentos dos produtos Hiper, atualmente estimados em 400. Essa parceria foi a forma que se encontrou para capitalizar o produto a nível nacional.

E a Hiper vem crescendo a galope. Desde que foi fundada, o número de novos clientes praticamente tem dobrado anualmente. Em 2016, o crescimento foi de mais de 80%. Para dar conta da demanda, a empresa quer passar de 80 para 100 funcionários até o fim deste ano.


Sonho de atender 100 mil lojas em todos os estados

Nesses últimos anos, a crise também foi sentida na Hiper. Como seus clientes são pequenos varejistas, com poucas armas para lutar contra a recessão, o fechamento de lojas e a desaceleração da abertura de novas influenciou os negócios.

Mesmo assim, foram 2,5 mil novos clientes até o momento, em 2017. Clientes que alimentam o sonho de chegar a 100 mil lojas atendidas, e liderar o mercado brasileiro no segmento.

Atualmente, a empresa vende pacotes completos para o pequeno varejista. Ela desenvolve software utilizado para gestão de estoque; gestão fiscal e emissão de notas fiscais; gestão financeira, com emissão de boletos e controle de contas a receber e a pagar; vendas e frente de caixa; e para geração de relatórios.

“Nascemos com objetivo de não ter atuação local. O mercado de software para pequeno empreendedor, no Brasil, não tem nenhum líder, e a gente viu que havia um mercado aberto para explorar”
Tiago Vailati,
fundador da Hiper

Apesar de ser jovem, a Hiper não demorou a amadurecer no mercado e ganhar confiança entre os clientes. Isso se deve, em grande parte, ao fato de que seus fundadores são especialistas no segmento, e não começaram a empresa do zero.

Antes de abrirem o próprio negócio, os empresários se formaram em Ciência da Computação, e traziam a experiência de um emprego anterior na área.

Os sócios compunham uma das equipes da Havan, e era responsabilidade deles o desenvolvimento de software para gerenciamento da rede de lojas.

Em 2016, empresa cresceu mais de 80% em relação ao ano anterior; em 2017, já são 2,5 mil novos clientes | Marcelo Reis

Com a responsabilidade de manter tudo funcionando na grande rede varejista, eles entenderam que podiam expandir o negócio. Se eram capazes de desenvolver e gerenciar o sistema de uma rede gigantesca, hoje com 100 lojas, porque não expandir esse conhecimento a outras empresas?

“Em tudo que a gente fazia para aquele grande varejista, havia uma oportunidade no mercado para fazer o mesmo para milhares de pequenos varejistas”, explica Vailati. “Então a gente traçou um sonho grande de chegar a 100 mil lojas no Brasil”.

Foi com base nessa ideia que eles pediram demissão da Havan e, pouco tempo depois, surgiu a Hiper, impulsionada pela vontade de seus sócios em expandir os conhecimentos ao maior número possível de pessoas.

Na sede da empresa, é possivel identificar sinais desta busca pela expansão: há pequenas reuniões sendo realizadas a todo momento, e telas em que todos podem acompanhar os números da empresa, desde financeiros até dados de produtividade.


Modelo orgânico de gestão da empresa

Esqueça o que você idealiza para o ambiente de uma empresa de tecnologia que desenvolve e gerencia softwares de mais de 10 mil clientes em diversas partes do país.

As regras formais do mercado, tais quais horários rígidos, roupas sóbrias e ambiente neutro típico de escritórios não fazem parte do dia a dia da empresa.

É uma manhã fria de agosto, por volta das 9h30. Toca-se o interfone da entrada principal da Hiper. Após a identificação, a porta se abre e a expectativa de ver uma mesa com recepcionista é frustrada.

Integrado ao espaço de trabalho, o “boteco” serve para que os funcionários se sintam mais confortáveis durante o período em que permanecem na empresa | Foto: Marcelo Reis

Logo na entrada, passando um pequeno hall, está o espaço para o café dos sócios e dos funcionários. O ambiente é integrado e não há mesas ou salas de chefes. Quem não os conhece não conseguirá diferenciá-los dos demais funcionários.

No café, diversas mesas, alguns sofás e uma mesa de pebolim, espaço carinhosamente chamado de “boteco” pelos membros da Hiper. Todo esse conforto e informalidade proporcionados aos funcionários faz parte da visão da empresa.

“Temos uma crença no modelo de gestão orgânica. O modelo mecânico está muito engessado, não faz sentido”, afirma Vailati.

“A gente fica, às vezes, batendo em coisas que não estão ligadas a resultados. Não estou preocupado se a pessoa vem trabalhar de bermuda ou chinelo”
Tiago Vailati,
fundador da Hiper

“A gente fica, às vezes, batendo em coisas que não estão ligadas a resultados. Não estou preocupado se a pessoa vem trabalhar de bermuda ou chinelo”, diz.

Ele diz que a Hiper depende totalmente das pessoas e, por isso, elas precisam se sentir bem enquanto trabalham, ou não irão produzir adequadamente.

“Nosso negócio depende de cérebros, temos que ter pessoas com vontade de fazer o trabalho, criamos um ambiente para que se sintam em casa”, afirma, “aqui, você vai ver pessoas de chinelo, de pantufa”.


Atração de talentos de todo o Brasil para Brusque

A necessidade permanente de contratação de pessoal capacitado é um desafio para a empresa. Os sócios afirmam que, no início, foram muito questionados por investidores se o negócio conseguiria prosperar estando no interior de Santa Catarina.

Para a empresa, entretanto, a cidade de Brusque é utilizada como moeda para atração de funcionários. No site da Hiper, por exemplo, quem entra na área das vagas de emprego encontrará como pré-requisito a necessidade de morar aqui.

Na mesma frase, porém, um aviso-propaganda: Brusque tem o segundo melhor índice de qualidade de vida de Santa Catarina.

“A gente gosta muito de Brusque e acredita na cidade”, diz o sócio da Hiper, ao explicar que metade dos colaboradores veio de fora, incluindo outros estados e até um do país africano Guiné-Bissau.

“Cria-se um modelo de atração de colaboradores. A gente consegue trazer, eles vêm, se adaptam bem, trazem a família e viram brusquenses”, resume.

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