Buscando ter um olhar sobre a cultura local através da gastronomia, o Casarão Garibaldi surge com a proposta de valorizar o que é regional: os nomes dos pratos fazem referência a lugares e personalidades brusquenses, o bar possui uma parede pintada com os rostos de pessoas da história da cidade e, além disso, procuram trabalhar com matéria-prima e fornecedores da macrorregião, como agricultores familiares e empresas de produção própria em Brusque e municípios próximos.

Além da matéria-prima fresca e regional, muito do que é oferecido no menu do restaurante é de fabricação própria, como as massas feitas na casa e o refrigerante artesanal, produzido com xaropes de diversos sabores.

Nos quase três anos de atividade do Casarão, o cardápio já passou por diversas modificações, especialmente devido à sazonalidade dos ingredientes. Com pratos mutáveis, o restaurante mantém o dinamismo e preza pela qualidade dos alimentos, buscando produtos orgânicos e da estação. Unindo técnicas de cozinha clássica e contemporânea aos ingredientes locais, foi possível adaptar o cardápio aos clientes daqui, e também inserir e apresentar aos consumidores novas referências e experiências gastronômicas.

O proprietário, o empresário Jonathan Casagrande, afirma que, além de trabalhar com tradição, valorizando o que a região de Brusque tem de melhor em sua história e em seus alimentos, a proposta do restaurante é democratizar a boa gastronomia, permitindo que cada vez mais pessoas tenham acesso à uma cozinha de qualidade. “Investir nisso é importante porque, além de elevar padrões de paladar e senso crítico dos clientes, ajuda no desenvolvimento do setor.”

Pratos servidos no Casarão utilizam ingredientes locais | Jonathan Casagrande

Para fazer Brusque crescer
O chef da casa, Marlon Petzinger, conta que está sempre em busca de novas referências e aposta na autenticidade para fortalecer cada vez mais o Casarão Garibaldi. Para dar suporte aos ideais gastronômicos levantados por ele e por Casagrande, encontraram na região muito potencial e possibilidades de crescer e desenvolver a gastronomia, valorizando a tradição local.

“É ótimo ter pluralidade, variedade. Mas temos que dar valor ao que é nosso, sem deixar a tradição se perder”, pontua o chef. Contudo, ambos afirmam que a vontade de expandir e progredir com a gastronomia brusquense não pode partir apenas de quem trabalha na área, mas também de quem busca uma alimentação de qualidade.

Segundo Casagrande, a procura por gastronomia fora da cidade faz com que o setor não cresça e deixe de se desenvolver no município. “O coração de um restaurante não é o salão de jantar, mas sim, a cozinha – e esta evolui e se desenvolve de acordo com o padrão de exigência dos clientes”, afirma. “Como consumidor, tem-se o poder de buscar lugares bons na própria cidade, valorizando o que é local.”

Infelizmente, Petzinger conta que, em outras regiões, o Sul do Brasil ainda é visto como atrasado em relação à gastronomia, e isso porque tem tudo para se fortalecer. “Aqui no Sul ainda se tem medo de experimentar, provar pratos diferentes”, diz. Mas tanto ele quanto o proprietário do local acreditam que há potencial de mudança – porém, ainda vai demorar: “Acho que daqui uns dez anos Brusque vai estar no patamar ideal. Queremos que nossos clientes se desenvolvam, tenham senso crítico, sejam exigentes, e não que retrocedam”, avalia Casagrande. “Nosso objetivo é ser um marco, ajudar a gastronomia de Brusque a se desenvolver cada vez mais.”

Chef estrelado
O chef ressalta a importância de ver a comida servida como um produto final, o resultado de uma cadeia de produção. “As pessoas precisam ter o costume de conhecer a cozinha de onde se come, conversar com os chefs, fazer sugestões. Para isso, tem que desenvolver um senso crítico.”

Formado em Gastronomia, Petzinger não parou na graduação: neste ano, realizou um estágio de 45 dias em um dos restaurantes mais renomados do Brasil, o DOM, comandado pelo chef Alex Atala, em São Paulo. Além do contato e da oportunidade de trabalhar em um restaurante estrelado – duas estrelas pelo Guia Michelin -, anteriormente, teve experiências também no Rio de Janeiro, no restaurante Aprazível, e em Buenos Aires, onde trabalhou na franquia americana de comida oriental Benihana.

Jonathan e Marlon estão à frente do restaurante | Natália Huf

Em Brusque, antes do Casarão, onde já atua há quase três anos, trabalhou também em outras casas. “O que eu não quero é estagnar. Quero buscar novas coisas para a nossa cidade, ser referência e poder dar oportunidades para quem trabalha na área, tem vontade de aprender e crescer junto.”

Por isso, tanto o chef quanto o proprietário do restaurante apontam a importância da profissionalização da cozinha e da preocupação com a higiene, para proporcionar uma alimentação de qualidade, com os alimentos em condições salubres para o consumo.

Patrimônio histórico
Quando Casagrande e Petzinger, por meio de um amigo em comum, decidiram montar um restaurante juntos, começaram a mapear fornecedores, montar um plano de negócios e, claro, procurar o local ideal para as instalações. O casarão na rua Anita Garibaldi não foi o primeiro local que imaginaram – tinham até o desenho da cozinha pronta para ser montada em outro lugar -, mas foi onde o sonho dos dois se concretizou.

Durante os nove meses de desenvolvimento do conceito e da pesquisa de mercado – “uma gestação”, brinca o chef – foram também dedicados às reformas no espaço. Antes de iniciarem as atividades do restaurante, o casarão já recebia eventos particulares, mas não tinha estrutura para comportar uma cozinha industrial.

Divulgação

Muito das reformas foram feitas pelas mãos dos dois, que ajudaram na limpeza e na pintura das paredes. O casarão teve também que ser adaptado para receber as cozinhas, e Petzinger pontua o quão difícil é transformar uma casa em um restaurante, já que a arquitetura do local não foi originalmente pensada para esses fins.

O proprietário do Casarão Garibaldi aponta a história de longa data que o local tem em Brusque, e estima que a construção tenha cerca de 80 anos. “Com certeza, tem mais de meio século. Além de estar localizada num local muito interessante, próximo ao Centro, há a questão de valorização. De uma forma inteligente, conseguimos explorar economicamente e valorizar a arquitetura da cidade, preservando o patrimônio histórico.”

Clique no seu prato preferido e aprecie!
[imagelinks id=”208513″]

Deixe uma resposta