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José Francisco dos Santos

Mestre e doutor em Filosofia pela PUC/SP, é professor na Faculdade São Luiz e Unifebe, em Brusque e Faculdade Sinergia, em Navegantes/SC e funcionário do TJSC, lotado no Forum de Itajaí/SC.

Verdade: um ideal regulativo

José Francisco dos Santos

Mestre e doutor em Filosofia pela PUC/SP, é professor na Faculdade São Luiz e Unifebe, em Brusque e Faculdade Sinergia, em Navegantes/SC e funcionário do TJSC, lotado no Forum de Itajaí/SC.

Verdade: um ideal regulativo

José Francisco dos Santos

Quem já passou pelo ensino médio deve ter ouvido, mais de uma vez, em aula de filosofia ou disciplina afim, a frase “não existe verdade”. Mas o que essa ideia produz é exatamente o oposto do que afirma. Conheço pessoas com as quais partilhava opiniões na década de 1980. Eu, que acredito na verdade, já mudei de opinião muitas vezes de lá para cá, porque estou sempre questionando o fundamento das minhas opiniões, com bases em novos fatos, novas leituras, novas reflexões, pessoas novas que tenho a graça de conhecer. No entanto, alguns colegas do passado, que dizem não acreditar em verdade absoluta, continuam sustentando as mesmíssimas opiniões, como se os últimos 40 anos simplesmente não tivessem existido. O filósofo norte-americano Charles Sanders Peirce dizia que a verdade deve ser um ideal que guia e regula a nossa investigação. Se somos inteligentes e honestos e queremos realmente aprender, então, apesar das nossas divergências pontuais em determinados momentos, seremos levados a algum ponto comum, para o qual converge toda busca honesta. Não preciso pensar que domino a verdade agora, mas quero sempre estar no encalço dela, errando e corrigindo os erros, buscando, refletindo, ouvindo.

Mas a mente dos que sustentam que a verdade não existe vibra em outra frequência. Para eles, se a verdade não existe, então qualquer opinião está correta. Por isso costumam sustentar eternamente as mesmas opiniões, que se tornam verdade absoluta, nunca criticada. Como nunca questionam seus pontos de vista, sempre terão razão, pois os fatos e as ideias contrárias não podem violar seu sagrado direito de opinar. Posso opinar sobre política contemporânea, por exemplo, mas se desconhecer a revolução francesa, a revolução russa ou os fatos mais relevantes dos séculos XIX e XX, dificilmente minha opinião terá consistência. Ora, ninguém é obrigado a saber nada disso, mas quem se coloca no caminho intelectual, na escola ou na universidade, deveria sentir a obrigação moral de se informar mais para poder opinar melhor. Esse império da opinião pela opinião está minando a vida intelectual brasileira e fazendo da nossa escola uma das piores do mundo.

Veja a polêmica recente sobre os “artistas” pelados e as crianças. Artistas da Globo estão desesperados, tentando “ensinar” que arte não é pedofilia, e lançaram um vídeo chamado “342arte”, que circula por aí. Mas, no vídeo, eles constroem uma versão fantasiosa, de que nós, junto com Associação Médica Brasileira, que acusamos esses idiotas de pedofilia, estamos tentando encobrir o Temer e o Congresso. É tão estúpido que nem é preciso rebater. Mas eles não analisam, em nenhum momento, nossos argumentos, apenas nos acusam de difamadores, repetindo indefinidamente as mesmas frases. Mas quantos artistas da Globo são necessários para revogar artigos do Código Penal e do ECA, mesmo com a omissão conivente de órgãos que deveriam zelar pelo bom Direito? Ora, como seus pontos de vista não são questionados, serão martelados insistentemente. E se alguém tentar mostrar que estão equivocados, será rechaçado como se quisesse “impor a sua verdade”. Dá pra entender? E o dogmático sou eu!

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