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Pe. Adilson José Colombi

Professor e doutor em Filosofia - padreadilson@omunicipio.com.br

Você não está só no mundo

Pe. Adilson José Colombi

Professor e doutor em Filosofia - padreadilson@omunicipio.com.br

Você não está só no mundo

Pe. Adilson José Colombi

Tem gente, neste mundo, que não tem consciência dessa verdade. Não é necessário ir muito longe para constatar essa realidade. Basta prestar atenção a certas atitudes de pessoas, em muitos lugares, que frequentamos. Por exemplo, na praia. De fato, mais uma vez, nessas férias tive a chance de verificar que a frase que serve de título dessa crônica tem amparo na realidade. Ela não é só um conjunto de palavras. Mas, torna-se uma realidade observável. Basta estar atentos.

Nas minhas andanças pela praia, é a única atividade que pratico na areia da orla. Pois, não aprecio entrar na água do mar, além do joelho. Também, não me é aconselhável tomar muito sol, por causa de minha pele, herança genética dos meus avós lombardos, do Norte da Itália. Por isso, sobram-me as caminhadas que, por sinal, me fazem muito bem. Aliás, é uma recomendação médica.

Bem, mas vamos aos fatos que constatam a realidade da frase. Não é preciso andar muito que você topa com duplas ou grupos jogando bola. Se você não estiver atento vai levar um bolada. Quando não uma trombada que o (a) desequilibra ou até é tombado ao solo. Sem contar que sua roupa vai ser sujada com a batida da bola ou pelos punhados de areia que muitas vezes seguem, em parte, a trajetória da bola. Para esses, com frequência, paro e olhando lhes digo: “Lembre-se: você não está só no mundo. Tem horário apropriado para essa prática esportiva na praia”. E continuo minha caminhada. Se dá efeito benéfico não sei. Mas, a maioria, ao menos, não tem reação adversa. Dão a impressão que tem consciência que não estão com a razão.

Outro fato que confirma a realidade em questão é o som alto na praia. Às vezes, o sujeito está literalmente só. E o som está lá nas alturas. E que som! Horrível! Nem vou declinar o tipo de música (será que é mesmo música, “aquilo” que somos obrigados a escutar?) “Santo Dio”, certamente diriam as minhas avós, uma trentina e outra bergamasca que não conheci.

Outro fato ainda é o famigerado celular. Bem, esse é, de fato, um fato à parte. Como se cometem irresponsabilidades com ele. Claro que é uma invenção magnífica da inteligência humana. Coisa, verdadeiramente, admirável, fantástica. Mas, muita gente ainda não consegue usá-lo de uma maneira, também, inteligente. Não estou me referindo ao conteúdo enviado por meio dele. Estou, apenas, relatando o que a gente pode perceber em lugares públicos, como o que estou me referindo (a praia). Alguém, ao celular, quase aos berros fazendo um negócio, outra dando ordem, talvez a um filho ou filha que ficou em casa, outra ainda descrevendo o ambiente natural e humano que está presenciando, quase como se fosse um (a) repórter de alguma emissora de rádio ou TV. Ou então, vindo em sua direção de cabeça baixa, concentrado (a) no que faz que se você vacilar um pouco ele (a) lhe dá uma cabeçada sem dó e piedade.

Tem aquelas duplas do frescobol. Algumas ficam um pouco dentro da água. Outras, porém, ficam bem na faixa da areia seca. Novamente, sé você não está atento (a) leva uma bolada ou pior ainda uma raquetada no nariz ou na orelha. Também para esse esporte de praia tem suas normas para ser praticado. Mas, poucos as observam. Claro, sempre têm aquelas raras e louváveis exceções.

O que se percebe é que não há uma consciência da “presença do outro”, em nossa vida. O outro não é “o meu inferno” como afirmou o filósofo Jean-Paul Sartre. Mas, prefiro a afirmação do outro filósofo francês Emmanuel Mounier que diz que o outro é apelo e fator de personalização e de libertação. Por isso, é preciso ter sempre mais a consciência que a presença do outro, em nossa vida, é uma riqueza. Riqueza que necessita ser respeitada e bem aproveitada para o enriquecimento humano mútuo.

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