Voto aberto centraliza debates na Câmara

"Vereador não pode esconder o rosto", diz Marchewsky; para Ludvig, pedir voto aberto é "balela"

Voto aberto centraliza debates na Câmara

"Vereador não pode esconder o rosto", diz Marchewsky; para Ludvig, pedir voto aberto é "balela"

A proposta de votação aberta na eleição indireta centralizou os debates de ontem na Câmara de Vereadores. Guilherme Marchewsky (PMDB) e Valmir Ludvig (PT), em seus pronunciamentos, comentaram a ideia, que é assinada por oito parlamentares. Marchewsky, na tribuna, defendeu que o “vereador não pode esconder o rosto”.

“A Justiça até nos deu a prerrogativa do voto fechado, não teríamos problema, cada um votaria da maneira que bem entendesse. Mas por sentir que a população brusquense vinha pedindo que nos manifestássemos de outra forma, foi feito o estudo para o voto aberto”, afirma Marchewsky. “E assim a população vai ter a certeza de como o vereador vota”.

Ele ponderou, também, que a votação secreta abre a possibilidade de negociatas envolvendo o voto dos vereadores, e afirmou que o seu já está definido: em Roberto Prudêncio e Danilo Rezini. “Meu voto é inegociável, não vou cuspir na cruz, espero que todos os vereadores nos ajudem a fazer um governo novo. Brusque merece o voto aberto, o vereador dizendo em quem vota e em que acredita. O meu eleitor merece respeito, merece que eu diga em que eu vou votar”.

O vereador do PMDB afirmou que o grupo de apoio a Prudêncio está fechado. “Temos um grupo definido, o PMDB quer participar deste governo para ser um governo de resposta, se necessário, comprar mais serviços, que a gente sabe que é possível e que é permitido”, ponderou.

Ele também aproveitou para reclamar do governo Paulo Eccel, no sentido dos vetos aos projetos de lei apresentados pelos parlamentares. “É só isso que queremos, que o prefeito assine os projetos de lei que a Câmara aprova. A lei chega para o vereador não porque ele tem vontade de fazer, é porque a população sente que há necessidade”.
Ludvig: voto secreto é balela

O vereador Valmir Ludvig, do PT, também se manifestou na tribuna, sobre o tema. Ele diz que a discussão que se criou sobre o voto secreto na eleição indireta é “balela”. “Voto aberto é conversa mole. Teve aqui audiência que a população pediu radar, a Casa disse não; teve audiência pública que pediu aprovação do empréstimo, a população foi a favor e a Casa disse não; teve audiência pública pedindo casas populares, a Câmara disse não”, pondera o vereador, “agora vem com a conversa de que a população quer voto aberto. A população sabe qual é meu voto. Isso é balela, é bobagem. Querem mudar o jogo no meio, tem um edital que diz como deve ser a eleição”.

Ludvig criticou ainda o poder Judiciário, pela forma com que foi conduzida a votação e o processo posterior à cassação do ex-prefeito Paulo Eccel, a qual ele classificou como golpe. “O acórdão [do TSE] valeu para arrancar o sempre prefeito Paulo Eccel sem estar publicado, mas não valeu para entrar com recurso. A Justiça tem um lado, está politizada, e a política está criminalizada, todos estamos neste risco de sermos criminalizados, porque a Justiça permite para um, não permite para outro, julga com um peso aqui, outro peso ali”, considerou.

Ele disse ainda que não está garantido que o governo eleito no dia 30 continue até o fim do mandato, por causa da possibilidade de Eccel retornar ao poder por recurso extraordinário. A vereadora Marli Leandro (PT), líder do partido no Legislativo, também reclamou da demora na publicação do acórdão. “A decisão saiu no dia 24 e, até hoje, o tal do acórdão, que é necessário para entrar com recurso, não foi publicado, e não dá para o prefeito se defender, que lógica é essa?”, disse ela, “aliás, o prefeito biônico tomou posse no dia de aniversário do golpe militar, isso é algo muito simbólico para nossa cidade”, concluiu.

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