Walendowsky participa de curso de liderança ao ar livre no Alasca

Brusquense participará de expedição de montanhismo e canoagem com duração de 30 dias

Walendowsky participa de curso de liderança ao ar livre no Alasca

Brusquense participará de expedição de montanhismo e canoagem com duração de 30 dias

Brusque, Florianópolis, Brasília, Atlanta e Anchorage. Esse será o trajeto do brusquense Álvaro Walendowsky até o Alasca, onde ele se junta com diversas pessoas do mundo para um curso de liderança ao ar livre, em forma de expedição. O atleta embarca sexta-feira, 19 de julho, para 30 dias de aventura, onde a sala de aula será o oceano e as montanhas.
Ao chegar no Alasca, Walendowsky será recepcionado por representantes da escola Nols, líder mundial em expedição para formação de instrutores em atividades ao ar livre. A equipe se organizará no primeiro dia para iniciar a expedição, dividida em grupos. O brusquense será o primeiro atleta de Santa Catarina certificado pela escola.
Os primeiros 15 dias serão nas montanhas. As opções são Cordilheira do Alasca, Talkeetna ou Chugach Mountains, mas a definição de qual montanha será escalada só é decidida instantes antes de iniciar a subida.
O acampamento será montado pensando na segurança e na responsabilidade ambiental. As montanhas são o território de ursos pardos e negros. Por isso, a comida não ficará no mesmo local onde a equipe dormirá. 
Os aventureiros estarão em contato o tempo todo com uma diversificada fauna. Alces americanos estão presentes nos vales mais baixos. Carneiros selvagens aparecem com frequência, assim como lobos, coiotes e aves.
A rota é de aproximadamente 160 quilômetros, entre trilhas, arbustos, escaladas, neve e elevações de 900 a 2.3 mil metros de altitude.
Canoagem Oceânica

Os últimos 15 dias da expedição serão no Golfo do Alasca, mais precisamente na enseada Prince William Sound. Os alunos farão uma média de sete horas por dia de canoagem entre geleiras e fiordes. 

No oceano, os atletas dividirão o espaço com baleias, leões marinhos, focas e botos. 
Serão aproximadamente 320 quilômetros na água. Todos os dias os alunos retornarão à margem do oceano onde montarão seu acampamento.
Para a canoagem, são usados caiaques oceânicos. Este tipo de material é específico para travessia de mares e oceanos. Têm aproximadamente cinco metros de comprimento e toda a sua estrutura é oca, pensada no armazenamento de carga.
Preparação
Para chegar até o Alasca, Walendowsky se programa há mais de dois anos. Após desistir duas vezes da expedição por falta de apoio financeiro, o atleta resolveu utilizar recursos próprios. “Sempre fui frustrado por não ser formado. Esse curso será como a minha faculdade. Se a realização do meu objetivo demanda dinheiro, vou trabalhar para alcançá-lo”. 
O brusquense conseguiu o apoio de algumas empresas como a Academia Extreme, Garra Aventura, Conquista Montanhismo, Casa de Aventura Adventure Shop e WD Combustíveis.
Além da parte financeira, o atleta se prepara fisicamente e diz estar pronto para o desafio. “Meus treinos consistem em montanha e caiaque. Realizo travessias oceânicas pela costa de Santa Catarina. No montanhismo, faço expedições particulares e dou cursos na serra, como em Urubici. Também treino a parte física em academia”, explica.
Desafios
Um dos maiores desafios para Walendowsky será o fato do sol prevalecer o dia todo. Como nesta época do ano é verão no Alasca, não há noite. “Provavelmente, vamos ficar os primeiros dias sem conseguir dormir direito até acostumar o corpo e a cabeça à situação. Não vamos ter noção de quando é dia ou noite apenas olhando para o céu”, afirma o atleta. 
Variações de temperatura, frio, chuva e neve também farão parte do desafio encarado pelos atletas, bem como o peso da bagagem. Eles carregarão em torno de 40% do seu peso nas costas. 
A escola também ensinará técnicas para evitar os ursos durante os percursos. A privacidade será quase nula, pois as pessoas deverão andar sempre em grupos. 
Haverá reposição de comida por avião, mas os grupos deverão fazer sua comida. Alimentos desidratados e ração servirão para dar energia. A pesca será um elemento fundamental. “Cada grupo tem um kit de pesca. Salmão tem em maior abundância. O peixe será uma maneira de enriquecer nossa alimentação. Vamos comer sushi direto da fonte”, brinca Walendowsky.
Sobre o curso

A escola trabalha na formação de líderes educadores ao ar livre. Os alunos são expostos à ambientes selvagens para que aprendam desde a habilidade para esse tipo de situação à noções de ética ambiental.

Segundo Walendowsky, a escola é preparada para qualquer tipo de circunstância durante a expedição. “Estarei bem estruturado. A Nols tem uma assistência e uma estrutura incrível. A didática é impressionante”.

A Nols é a pioneira no sistema “leave no trace” (sem deixar rastros). Junto com os guardas florestais dos Estados Unidos, desenvolveu um sistema de expedição sem prejudicar a natureza, minimizando todo e qualquer impacto no meio ambiente.

Este foi um dos motivos para Walendowsky escolher o Alasca. Segundo o atleta, a escola oferece dois trajetos para o curso: um é na Patagônia, na qual o brusquense já fez expedição particular em 2011, e no Alasca. “O que eu pretendo trazer pro futuro é essa educação ao ar livre, respeito ao meio ambiente. Eu vou me aprofundar nessa área e trazer para cá, em forma de palestras, cursos e expedições”, relata. 

A expectativa de Walendowsky é que esse curso traga uma nova perspectiva de vida. “Espero uma mudança grande tanto psicologicamente quanto profissionalmente”, conclui o atleta, que já colhe frutos das experiências de aventura. O brusquense ministra cursos, expedições e é convidado para palestras.
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