Abalo sísmico é confirmado por geólogo em Brusque

Estudo comprova que tremores sentidos por moradores são falhas geológicas

Abalo sísmico é confirmado por geólogo em Brusque

Estudo comprova que tremores sentidos por moradores são falhas geológicas

– Vinha um tremor de baixo com um barulho forte, estranho. Parecia que a casa estava caindo -, relembra a motorista de ônibus, Maristela Cordeiro Spader, 44 anos. 

Assim como ela, diversos moradores das ruas TC-011 e Angelo Lussoli, no bairro Tomás Coelho, em Brusque, sentiram o tremor de terra que ocorreu na segunda-feira, 23 de dezembro. 

O geólogo Juarês José Aumond esteve no bairro no dia 28 de dezembro e realizou um estudo para detectar as causas. 

De acordo com ele, a área afetada corresponde a inúmeros cruzamentos de falhas geológicas de direções diferentes. 

– Ao que tudo indica o terremoto da linha Tomás Coelho resultou da liberação da energia acumulada nessas linhas de falhas -, explica.

Ele ressalta que existem três categorias de terremoto e, pela localização e características, o que ocorreu em Brusque está associado à causa tectônica. 

– Como na cidade possui rochas muito antigas, o terremoto se deu após o contato entre duas delas -, esclarece. 

Na escala Mercalli-Sieberg, que varia entre um a 12, o geólogo confirma que o terremoto em Brusque atingiu um nível entre três e quatro. 

– Os abalos nessa escala são perceptíveis mesmo em residências de apenas um pavimento. Eles assemelham-se à trepidação produzida pela passagem de um veículo pesado -, comenta. 
Cidade já teve terremotos passados

O geólogo Aumond revela que há notícias que antes da metade do século XIX, Brusque registrou um terremoto semelhante. 

– Esse, por sua vez, atingiu a parte central da cidade. Isso evidência que mesmo rochas muito antigas, ainda podem apresentar certa instabilidade e ajustes -, diz.

Porém, Aumond garante que não é motivo para preocupação. – A propagação das ondas sísmicas, nesses casos, dificilmente provoca grandes estragos -. 

Ele salienta que as pessoas que presenciaram o acontecimento, podem voltar a sentir esses abalos. – Mas, pode ser que isso só volte a se repetir daqui a centenas de anos. É algo instável, porém não existem motivos para gerar medo entre as pessoas ou até mesmo abandonarem suas casas -, afirma. 

Segundo o geólogo, como no estado não houve mais nenhum registro de terremotos nos últimos anos, esse fato pode marcar a história da cidade. 

– Podemos sugerir que Brusque, além de ser conhecida turisticamente como o Berço da Fiação e da Fenarreco, pode também ser conhecida como a cidade catarinense dos terremotos -, acredita.

Leia matéria na íntegra na edição impressa de sexta-feira, 10 de janeiro.
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