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Saiba quantos casos de tuberculose foram registrados em Brusque nos últimos anos

Enfermeiro do Programa Nacional de Controle da Tuberculose de Brusque orienta sobre sintomas, tratamento e como evitar a doença

Saiba quantos casos de tuberculose foram registrados em Brusque nos últimos anos

Enfermeiro do Programa Nacional de Controle da Tuberculose de Brusque orienta sobre sintomas, tratamento e como evitar a doença

Nos últimos cinco anos, Brusque registrou 295 casos de pacientes com tuberculose. A doença infecciosa e é transmitida por via respiratória. Apesar de ser curável, há casos em que ela pode voltar.

Apenas neste ano, 30 casos da doença já foram contabilizados. No entanto, o valor está longe de 2018, quando 62 brusquenses foram diagnosticados com a enfermidade, o recorde entre o período analisado. Até o momento, 2022 contabiliza o menor número de casos, mas é preciso levar em conta que o ano ainda não terminou e que os casos podem aumentar.

De acordo com Ulisses Canquerini Silva, enfermeiro do Programa Nacional de Controle da Tuberculose de Brusque, os números de casos no município se mostram estáveis, mesmo se comparado com o aumento populacional e com base na série histórica.

Diagnóstico

Entre os sintomas da tuberculose estão a falta de apetite, emagrecimento, febre, sudorese, tosse por mais de duas semanas e, em casos mais graves, escarro acompanhado de sangue.

Após receber o diagnóstico, o paciente assina um contrato de tratamento com o programa e fica comprometido a realizar o isolamento com uso de máscaras. Após 15 dias de tratamento, “o paciente deixa de ser bacilífero, ou seja, deixa de transmitir, mas por segurança oferecemos testes de controle”.

De acordo com Ulisses, um dos pilares do Programa Tuberculose de Brusque foi reforçar as medidas de controle para que a doença não se espalhe. Ele comenta que é realizado um levantamento de todos os contatos próximos do paciente diagnosticado e ofertado exames e consultas com intuito de quebrar a cadeia de transmissão e proporcionar o tratamento rápido.

Origem e causa

A tuberculose é uma das enfermidades mais antigas do mundo, com inúmeros casos registrados na Europa entre os séculos 18 e 19, durante e após a revolução industrial. O enfermeiro comenta que os ambientes urbanos confinados da época com má higiene eram propícios para o aumento dos casos.

“Evidências de decomposição tubercular encontradas em múmias do Egito indicam que a tuberculose tenha acometido a humanidade há pelo menos 4 mil anos”, comenta Ulisses. O enfermeiro ainda aponta que a origem da doença ainda não foi completamente esclarecida e que a teoria mais aceita no meio é a de que ela surgiu há 8 mil anos a partir do contato com bois selvagens.

Ela é causada pela bactéria mycobacterium tuberculosis, ou bacilo koch. De acordo com Ulisses, há duas formas de doença quando ela está ativa: a pulmonar e extrapulmonar. Na última forma, atinge órgãos como cérebro, rins, ossos, fígado, entre outros. “É uma doença oportunista, atinge principalmente pessoas com baixa imunidade”, comenta o enfermeiro.

Já a tuberculose latente ocorre quando a pessoa está infectada, mas não desenvolveu a doença. “Estima-se que 30% da humanidade esteja contaminada com o bacilo. Porém, a forma latente não é transmissível”, destaca.

Tratamentos e vacina

O tratamento de pacientes diagnosticados com tuberculose ocorre somente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Ele é composto por quatro antibióticos que dão origem a sigla RHZE: rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol.

Conforme o enfermeiro, o paciente passa dois meses recebendo doses diárias de ataque com o uso dos remédios. Depois deste período, por mais quatro meses ele receberá as doses de manutenção, constituída pela rifampicina e isoniazida. Ao todo, o paciente realiza seis meses de tratamento.

Ele destaca que uma das características do Programa Nacional de Controle da Tuberculose é a supervisão da dose diária por um profissional de saúde, no qual o paciente era obrigado a se dirigir até uma Unidade Básica de Saúde (UBS) diariamente.

“Com o início da pandemia de Covid-19, o Programa Tuberculose de Brusque implantou uma série de medidas protetivas para os pacientes. Um dos projetos foi implantar dose supervisionada por teleatendimento, utilizando os princípios da telemedicina”.

Na avaliação de Ulisses, a medida traz mais segurança, visto que o paciente não precisa se deslocar diariamente. Ele também ressalta que a Secretaria de Saúde aumentou a oferta de exames, proporcionando aumento de rastreio dos casos suspeitos no município e captação para o tratamento.

“A vacina para o combate à tuberculose é a BCG, que em Brusque é administrada nos hospitais após o nascimento. Ela não impede que a pessoa seja infectada, mas previne as formas mais graves da doença”, informa o enfermeiro.

Como evitar a doença

Para evitar a doença, o enfermeiro aponta que há medidas individuais que podem ser feitas como a captação rápida e tratamento do paciente bacilífero; avaliação dos contatos que foram possivelmente infectados; uso de máscaras e controle mensal com exames para quem está em tratamento; além de um ambiente doméstico arejado e com luz natural, na medida do possível.

Outro fator que pode ajudar a evitar a proliferação da doença são as medidas coletivas, como manter os ambientes ventilados para renovação do ar, luz natural – visto que a bactéria é sensível a radiação ultravioleta, e evitar aglomerações em ambientes mal ventilados, que para ele, é uma das melhores medidas. “É muito importante desenvolver uma cultura para o uso de máscaras como nos países orientais mesmo pós pandemia para qualquer agravo respiratório até a elucidação do caso”, avalia Ulisses.

Caso a pessoa apresente sintomas de tuberculose, a recomendação é para que se faça o uso de máscaras, além de buscar uma Unidade de Saúde para realizar exames e consultas para obter o diagnóstico. Em casos positivos, o Programa Tuberculose inicia o tratamento de forma imediata.

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