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Café passa de R$ 30 em Brusque e economistas explicam alta no preço em todo Brasil

Eventos climáticos adversos, exportações e desvalorização do Real são fatores para aumento

O preço alto do café nos mercados vem pesando no bolso dos brasileiros nos últimos meses. Diversos fatores influenciam no aumento do valor, desde questões econômicas até climáticas. Uma pesquisa elaborada pelo jornal O Município compara preços recentes de marcas de café nos mercados de Brusque.

Cinco mercados tiveram os preços consultados entre os dias 11 e 13 de fevereiro. As marcas são Melitta, Pilão, Caboclo, Iguaçu e 3 Corações. Os mercados ficam nos bairros Centro I, Centro II, São Luiz e Santa Rita.

O café mais caro identificado pelo levantamento foi da marca Melitta, em mercado no bairro São Luiz. O valor era de R$ 30,99. O mais barato entre valores não promocionais era da marca Caboclo, em mercado no Centro II, por R$ 25,49. A pesquisa completa está no final da reportagem.

Desvalorização do real em relação ao dólar, aumento de exportações, eventos climáticos adversos e especulação do mercado internacional são os principais fatores citados por economistas que influenciam no aumento do preço do café no Brasil.

Mudanças climáticas

O economista Daniel da Cunda Corrêa da Silva, professor do curso de Relações Internacionais da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), afirma que as condições climáticas adversas afetaram a produção cafeeira no Brasil. A seca em Minas Gerais é um fator que comprometeu a safra.

“O café tem uma safra a cada dois anos. Então, se tivermos dificuldade grande por um ou dois anos consecutivos, pressiona o preço do produto nos momentos seguintes. Deve demorar um bom tempo para normalizar, pois precisamos de dois anos para repor safras anteriores”, avalia.

Daniel relata que este tipo de circunstância também atingiu outros grandes produtores de café no mundo, como Vietnã e Indonésia, que enfrentaram eventos climáticos adversos, gerando impactos na produção cafeeira.

O economista Wagner Dantas, professor do Centro Universitário de Brusque (Unifebe), corrobora com a análise de que o preço do café aumentou devido às mudanças climáticas. De acordo com o especialista, as perdas iniciais refletem nos valores.

“Quando se tem perdas no início da cadeia produtiva, gera um efeito que reflete nos preços lá na frente. O consumo interno não foi o grande vilão. O preço não aumentou porque o brasileiro está tomando mais café. Internamente, tivemos problemas na produção, com o clima”, comenta Wagner.

Prateleira do café em mercado de Brusque. Foto: Thiago Facchini/O Município

Exportações e desvalorização do real

As políticas adotadas pelos Estados Unidos e as expectativas em relação às eleições e ao novo governo do presidente Donald Trump gerou grande valorização do dólar. O valor da moeda estadunidense chegou a passar de R$ 6, mas o aumento foi em relação a praticamente todas as moedas mundiais.

O Banco Central é responsável pela condução da política monetária e cambial. Isso inclui o controle da inflação. Quando o real desvaloriza, os produtos brasileiros ficam mais baratos no exterior. Desta forma, a demanda por produtos brasileiros aumenta e os empresários veem grande possibilidade de lucrar com o mercado internacional.

“A forma de combater a inflação hoje é aumentando as taxas de juros. Porém, aumentar a taxa de juros básica da economia fará com que o cidadão brasileiro compre menos. Não resolve o problema de demanda, porque o Brasil manda café para fora. Então, o valor do dólar no mercado brasileiro ajuda a pressionar a inflação”, explica Wagner Dantas.

Em 2024, o Brasil teve recorde no volume de exportação do café. Foram 50,5 milhões de sacas exportadas. Isso contribui para gerar o aumento de preços no país, porque há uma menor oferta, já que a produção brasileira foi direcionada ao exterior.

Especulação pressiona preços

O economista Daniel detalha que o preço do café é determinado internacionalmente. Trata-se de um produto com muitas oscilações nos valores ao longo dos anos, em relação à fragilidade em meio às mudanças climáticas. O grau de especulação sobre o preço está mais alto, valorizando contratos futuros, que pressionam o preço atual.

“Contratos futuros de café arábica na Bolsa de Nova York chegaram a preços recordes, superando máximas que tinham acontecido pela última vez em 1977. Há mais de 50 anos não se observava preços tão altos do café negociado em termos futuros”.

Pesquisa sobre preço do café em Brusque


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