Casal de Brusque percorreu 800 km da França a Espanha a pé

Luana Franciele Fernandes Alves e Jaison Rodrigo Alves caminharam 800 km, entre França e Espanha, em 29 dias

Casal de Brusque percorreu 800 km da França a Espanha a pé

Luana Franciele Fernandes Alves e Jaison Rodrigo Alves caminharam 800 km, entre França e Espanha, em 29 dias

Por 29 dias, o casal de Brusque, Jaison Rodrigo Alves, 34 anos, e Luana Franciele Fernandes Alves, 35, percorreram 800 km da França à Espanha até concluir o caminho de Santiago de Compostela. Um sonho planejado durante cinco anos e realizado no fim do ano passado.

Com objetivos espirituais e religiosos, os dois caminharam por quase um mês apenas com uma mochila nas costas, enfrentando todo o frio e neve do inverno europeu.

O caminho foi iniciado em Saint Jean Pied de Port, na França, com destino a Santiago de Compostela. Todos os dias, o casal caminhava uma média de 20 a 30 km. Após concluírem o percurso, os dois ainda foram até Fisterre, que é conhecido como o Marco Terra. Na Idade Média, acreditava-se que era onde terminava a Terra. Neste local, Jaison e Luana fizeram o ritual de queimar uma peça de roupa, que simboliza que o caminho foi concluído.

Aproveitando para conhecer os vilarejos, cada etapa do caminho foi feito durante todo um dia, pois o casal fazia várias paradas para conhecer os locais. Ao fim do dia, ficavam em albergues. “Lá tem uma rede de albergues para peregrinos. São albergues coletivos, alguns paroquiais, municipais ou privados”, conta Luana.

Ela comenta que, durante o tempo em que planejou a viagem, ouviu muitas pessoas que já haviam feito o caminho. Muitas delas não aconselhavam fazer no inverno. Porém, ao realizar o trajeto na estação mais fria do ano na Europa, Luana afirma que não se arrepende da escolha. “Fizemos não só porque queríamos fazer no inverno, mas por conta das nossas férias serem somente neste período”.

O casal pegou três dias de chuva fraca pelo caminho e pouca neve. “Os albergues todos têm com calefação. Pegamos temperaturas de – 8ºC, mas quando começa a caminhar não sente tanto frio. Posso afirmar que não passamos frio em nenhum dia”, diz.

A caminhada percorrida da França à Espanha foi acompanhada por diversas aventuras e obstáculos / Foto: Arquivo Pessoal
A caminhada percorrida da França à Espanha foi acompanhada por diversas aventuras e obstáculos / Foto: Arquivo Pessoal

Luana descreve que o caminho de Santiago mexeu muito com ela, que voltou se questionando sobre tudo, especialmente em relação ao desapego aos bens materiais. “Se em uma viagem de turismo já se retorna com uma bagagem diferente, uma peregrinação espiritual é ainda mais forte”. Ela acrescenta que durante a peregrinação, aprendeu muito sobre o desapego das coisas, até por conta do peso que poderia carregar na mochila. “O que é necessário precisa estar dentro de uma mochila de seis quilos. Não pode levar muita coisa para não sobrecarregar. Então acabei me questionando se realmente precisamos de tudo que sonhamos em ter. E não precisamos, porque conseguimos sobreviver com o básico e o mais importante é ter pessoas por perto”.

Na peregrinação, o casal encontrou pessoas do mundo inteiro, com objetivos e histórias diferentes. Entre eles, Luana conta que, no décimo dia, conheceram um brasileiro, de Balneário Camboriú, que seguiu junto com o casal pelo restante do percurso. “Fizemos muitas amizades e contatos, nos falamos ainda hoje”, diz.

Preparo físico

O casal recomenda a peregrinação para todas as pessoas que tem o mesmo sonho e afirma que a questão do preparo físico não é problema. “Sei que não é tão simples assim, até porque não é todo mundo que consegue ficar mais de 30 dias fora de casa, além da questão financeira”, diz.

Ela explica que o tempo não pode ser considerado empecilho, pois o caminho pode ser iniciado a partir dos últimos 500 km, 200 km ou até 100 km. “Se começar até pelos últimos 100 km, já ganha a Compostela, que é o comprovante que fez o caminho de Santiago”, informa.

Além disso, é possível trilhar o caminho de bicicleta. Já na questão de preparo físico, Luana conta que sempre fez caminhadas na avenida Beira Rio, mas quando decidiu fazer a peregrinação, passou a fazer caminhadas mais longas, de 5 a 10 km por dia. “Nos últimos dois meses, eu comprei os equipamentos que usaria, como a bota, e comecei a caminhar com o sapato para amaciar e não ficar com calos. Deu muito certo, não tive problemas de machucados nos pés”.

Ela lembra que encontrou com pessoas de 70 anos que estavam fazendo o trajeto. “Conhecemos um holandês incrível, o qual nos tornamos muito amigos, e acabamos nos separando porque ele tinha uma idade mais avançada e fazia no seu ritmo. Além disso, ele tinha mais tempo para ficar do que nós”, conta.

Retorno

A viagem de retorno do casal foi em 22 de janeiro. A experiência ainda está bastante viva em suas memórias e o momento está sendo de refletir e relembrar cada detalhe. Mas Luana já adianta que pretendem voltar: “fizemos o caminho francês, mas têm várias rotas e queremos fazer uma diferente e em outra estação do ano”.

Ao iniciar o caminho, cada peregrino recebe um roteiro. Além disso, há aplicativos para celular que auxiliam na busca por albergues.

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