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Celeiro de lideranças

Bispos, arcebispos e cardeais foram formados ou atuaram no seminário

Com 90 anos de história e milhares de alunos ao longo desse período, escolher as figuras mais destacadas que já passaram pelo Seminário de Azambuja é tarefa ingrata. No entanto, o historiador Paulo Kons fez uma pesquisa de alguns dos principais nomes que foram alunos ou trabalharam em Azambuja.

Destacam-se figuras como o padre Ney Brasil Pereira, falecido recentemente, um músico de renome; e o Cônego Raulino Reitz, botânico que foi diretor do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RJ). Além deles, ganhou notoriedade Dom João de Barros Câmara, arcebispo do Rio de Janeiro e cardeal, e Dom João Francisco Salm, atualmente bispo da Diocese de Tubarão.

Dom João Salm foi aluno no Seminário de Azambuja entre 1967 e 1975. Nesse período, também prestou o serviço militar no Tiro de Guerra 05-005. Depois de ordenado padre, voltou a Brusque em 1980 para ser professor no seminário. Quatro anos depois foi nomeado reitor, cargo que ocupou por oito anos. Foi, também, pároco da Paróquia Santa Teresinha.

“Havia um povo que nos recebeu muito bem. Eu só tenho boas recordações de Brusque. Além disso, assim que cheguei fui encarregado da Festa Junina dos Seminaristas. E aí encontrei apoio muito grande do Adalberto Gamba, que era casado com a dona Lourdes, e o seu Vicente Kunitz, que me acompanhavam nas prendas”, relembra Dom João, que foi ordenado bispo em 2012.

Dom Vitus Schlickmann Roetger, bispo emérito da Arquidiocese de Florianópolis, é outro que bebeu da fonte de conhecimento do Seminário de Azambuja. Ainda adolescente, ele foi aluno por sete anos, na década de 1940.

Depois, Dom Vitus foi professor por quatro anos, e finalmente reitor entre 1970 e 1983. Ele relembra com saudosismo os tempos no seminário brusquense. Ressalta que a instituição era vista como uma das melhores do país e que foi fundamental na sua trajetória dentro da Igreja Católica.

“Devo agradecer muito àquele regime que havia naquele tempo, meio fechado e rígido, mas era o que funcionava. Foi um período muito bom. Terminamos a formação em oito seminaristas, destes, seis se ordenaram padres”, diz o bispo emérito.

Dom Vitus lembra que o quadro de professores que trabalhou com ele, na década de 1970, era gabaritado, dentre eles os padres Ney Brasil e Alvino Introvini Milani, capelão do Hospital Azambuja atualmente.

Dom Afonso Niehues, Monsenhor Valentim Loch, Dom Vitus Schlickmann e Dom João Francisco Salm, sequência de quatro reitores do seminário / Arquivo Pessoal Dom João Francisco Salm

Estudantes ilustres
O objetivo principal de um seminário não é formar bispos ou sacerdotes de destaque. Mas analisando a história do Seminário de Azambuja salta aos olhos o número de religiosos de renome, como destaca a pesquisa de Paulo Kons.

“Inúmeros ex-alunos do Seminário de Azambuja alcançaram elevada projeção social”, diz o historiador. Em 1975, no encontro da Associação dos Ex-Alunos de Azambuja (Aesa), alguns nomes foram lembrados:

Dom Afonso Niehues, arcebispo metropolitano de Florianópolis;
Dom Gregório Warmeling, bispo de Joinville;
Dom Wilson Laus Schmitt, bispo de Chapecó;
Dom Tito Buss, bispo de Rio do Sul;
Dom Pedro Filipak, bispo de Jacarezinho (PR);
Monsenhor Valentim Loch, vigário-geral da Arquidiocese de Florianópolis;
Monsenhor Baleslau Smielesk, vigário-geral da Diocese de Tubarão;
Cônego Raulino Reitz, diretor do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.