José Francisco dos Santos

Mestre e doutor em Filosofia pela PUC/SP, é professor na Faculdade São Luiz e Unifebe, em Brusque e Faculdade Sinergia, em Navegantes/SC e funcionário do TJSC, lotado no Forum de Itajaí/SC.

Cidadãos de segunda classe?

José Francisco dos Santos

Mestre e doutor em Filosofia pela PUC/SP, é professor na Faculdade São Luiz e Unifebe, em Brusque e Faculdade Sinergia, em Navegantes/SC e funcionário do TJSC, lotado no Forum de Itajaí/SC.

Cidadãos de segunda classe?

José Francisco dos Santos

Retorno à reflexão acerca da franca oposição da cultura contemporânea em relação ao cristianismo, que já expus em outras ocasiões. O cristianismo vem sofrendo oposição sistemática, pelo menos desde o chamado “iluminismo”, mas tal oposição se tornou ainda mais poderosa e influente com o domínio da máquina educacional pública pelos adeptos da chamada “revolução cultural”. Um exemplo bastante sugestivo disso se deu no início deste ano, na Universidade Federal do Pará. Um acadêmico defendeu uma dissertação de mestrado sobre o sentido do matrimônio na filosofia de São Tomás de Aquino.

O fato é mais raro que diamante cor de rosa, uma vez que as universidades públicas estão dominadas pelos “modernos”, que consideram tudo que é cristão e, ainda mais, medieval, como fruto de ignorância, obscurantismo e fanatismo. Houve muitas reações adversas, mas a mais emblemática veio do presidente do diretório dos estudantes da universidade, que divulgou nota repudiando o fato de uma instituição mantida por dinheiro público permitir que um discurso antidemocrático e discriminatório, como o pensamento cristão sobre o sexo e o matrimônio, se desse sob seus domínios. Segundo o mini gênio, os homossexuais, as feministas, os “gelebetistas”, que pagam impostos para manter a universidade pública estavam sendo ofendidos com a defesa da tal dissertação. Evidentemente houve muitas reações de todos os tipos, uma vez que as redes sociais são território perfeito para tais polêmicas. Como não tenho Facebook, não fiz nenhum comentário à época, mas aguardei a oportunidade para também opinar.

Vejam só a distorção que o tal estudante produz nos fatos, talvez pensando que sua cara de indignação preencha as lacunas das bobagens que falou. Ora, todos os cidadãos pagam impostos, de um modo ou de outro, e o governo não está nem aí para suas respectivas opções sexuais ou crenças religiosas. As universidades públicas, especialmente nas áreas de ciências humanas, são um verdadeiro ninho de pensamento revolucionário e de desconstrução cultural, cuja maior vítima é o cristianismo e a civilização ocidental como um todo. Pouca gente chega a perceber isso, já que é uma situação totalmente dominada. Mas bastou um trabalho de cunho cristão, baseado num filósofo clássico (um gigante, registre-se!), e toda essa indignação é gerada?

Ora, não me interesso pela opção sexual de ninguém, além de mim mesmo e de minha esposa, mas quantos somos nós, os cristãos, que pagamos impostos neste país para manter esse sumidouro de dinheiro público que são nossas universidades federais? Por acaso não excedemos em muito o número dos ditos “revolucionários” e “desconstrutivistas”? Por acaso nosso trabalho e nosso dinheiro valem menos, para que nossa opinião e nossos valores sejam tratados com tamanho desrespeito?

Já é hora de pararmos de baixar a cabeça e aceitar a pecha de atrasados e tolos, que nos é dada por uma minoria barulhenta, que consome nosso dinheiro nos sistemas públicos de educação para nos atacar.

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